Um protesto que dura 22 anos

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Desde 1981 Concepción Picciotto, de 58 anos, ex-secretária da embaixada espanhola, mora em frente à Casa Branca. Tornou-se um ponto de atração para todos que visitam o local, em Washiongton. Com um banquinho, caixas de papelão, cartazes de protesto e uma resistência impressionante, ela disputa a atenção dos turistas com o luxo cafona da residência presidencial. Apesar de ter apenas 1,52m de altura e sempre falar baixinho, dona Conchita dá uma senhora dor de cabeça à polícia que trabalha na área.

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Nos dias mais frios, ela infla uma pequena barraca, mas não pode se deitar pois o regulamento do Serviço Nacional de Parques proíbe dormir em parques federais, como o Lafayette Park. É permitido passar a noite lá, desde que não se deite. Se quiser dormir sentada, tudo bem, mas, vez ou outra, os policiais que dão plantão na frente da Casa Branca passam por ela no meio da madrugada perguntando se está acordada. Ou seja, dona Conchita dorme sentada e mal há 22 anos.

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Por causa de um drama pessoal, começou o protesto, que chama de Vigília Permanente pela Paz, em 1978. Ao se separar do marido, um ítalo-americano, quatro anos antes, dona Conchita quis voltar para a Espanha com a filha adotiva do casal, Olga, hoje com 29 anos. Um tribunal de Manhattan não permitiu e deu a guarda da criança ao pai. Durante a batalha judicial, ela perdeu o emprego e a casa, e resolveu pedir ajuda ao presidente Jimmy Carter. Em vão. Depois de três anos falando sozinha, dona Conchita se mudou de vez para a frente da Casa Branca, mas nunca viu um presidente nem de longe durante os 22 anos de vigília.”  (Fotos: JAMS)

 

 

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