Cris Pontual: foliã da cabeça aos pés

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Crédito: Nando Chiappetta/DP/D.A Press

Cris Pontual Crédito: Nando Chiappetta/DP/D.A Press

“Minha carne é de carnaval. Meu coração é igual”. Os versos são da música Swing de Campo Grande da banda Novos Baianos, mas traduzem perfeitamente a relação da empresária Cris Pontual com o período momesco. Nascida em uma família de foliões, a dona da loja Avesso passou a infância curtindo o carnaval de Pesqueira e foi aos 15 anos que começou a frequentar o de Olinda no seu bloco preferido até hoje, o Eu Acho é Pouco. Todos os anos, ela usa fantasias especiais para desfilar com a agremiação, que são idealizadas por ela e confeccionadas por sua costureira. Neste ano, não poderia ser diferente e Cris já está com sua produção pronta para sair às ruas, frevando junto com o bloco.

A produção para o Eu Acho é Pouco deste ano e o adereço preferido feito por Bete Paes Crédito: Nando Chiappetta/DP/D.A Press

A produção para o Eu Acho é Pouco deste ano e o adereço preferido feito por Bete Paes Crédito: Nando Chiappetta/DP/D.A Press

Todos os detalhes são pensados minuciosamente para garantir o bem-estar da foliã. “Como aproveito os quatro dias de folia, conforto para mim é prioridade”, diz. Nos modelitos, ela investe em tudo que tem direito: plumas, pedrarias, paetês e lantejoulas. Nos pés, tênis macios e sapatinhos confortáveis que não deem calos. “Até em festas carnavalescas onde as pessoas se produzem mais, como o Baile Municipal, não vou de salto, pois eu gosto é de frevar, dançar maracatu e caboclinho”. Já os acessórios vão desde headbands até pulseiras coloridas. E é um acessório feito pela estilista Bete Paes que é eleito o seu queridinho. “Ele é nas cores amarelo e vermelho e foi feito em homenagem ao Eu Acho é Pouco. Pode ser usado como cinto, colar ou adereço para a cabeça”, fala animada. Até sutiã e a calcinha são produzidos com exclusividade e ganham brilhos e franjas nesta época do ano.

Crédito: Nando Chiappetta/DP/D.A Press

Alguns acessórios Crédito: Nando Chiappetta/DP/D.A Press

As escolhas de Cris para cair na folia com conforto Crédito: Nando Chiappetta/DP/D.A Press

As escolhas de Cris para cair na folia com conforto Crédito: Nando Chiappetta/DP/D.A Press

Para cada bloco, ela planeja uma fantasia diferente nas cores de cada um. Para curtir o Amantes de Glória,  aposta no verde e branco. Hoje a Mangueira Entra, no verde e rosa. Muitos outros, como Nem sempre Lili toca flauta, Mulher na vara e I Love Cafusú já ganharam roupinhas especiais. A sua preferida é a de Homem da Meia-Noite, nas cores verde e branca, brilhosa e com direito à cartola e à gravata borboleta. “Sempre quis me fantasiar de Homem da Meia-Noite e decidi produzir uma fantasia feminina, usando um modelo de vestido que eu gosto e muito brilho”.

Cris fantasiada de Homem da Meia-Noite Crédito: Nando Chiappetta/DP/D.A Press

Cris fantasiada de Homem da Meia-Noite Crédito: Nando Chiappetta/DP/D.A Press

O modelito é elogiado por onde passa e, desde então, Cris já usou a fantasia tantas vezes que não sabe dizer o número exato. Tem roupa que foi produzida especialmente para o seu acerto de carnaval, mas ela já usou em outras ocasiões. Foi o caso de um vestido com lantejoulas azuis e rendas nas costas e no colo que Cris usou para comemorar o seu aniversário de 40 anos.

O vestido verde foi confeccionado para o bloco Amantes de Glória. O azul já foi usado em aniversário Crédito: Nando Chiappetta/DP/D.A Press

O vestido verde foi confeccionado para o bloco Amantes de Glória. Já o azul foi usado no carnaval e no aniversário de 40 anos dela. Crédito: Nando Chiappetta/DP/D.A Press

Baseado em suas vivências de anos e anos curtindo o carnaval, Cris e sua Avesso são pioneiras em vender adereços carnavalescos. Tudo começou em 1995, quando a empresária colocou suas fantasias para enfeitar a vitrine e vários rostos conhecidos pediram para comprá-las. Com isso, Cris notou a carência do público e convidou artesãos pernambucanos para exporem seus trabalhos, que vão desde fantasias de super-heróis, retrôs até temáticas. Como gosta de blocos de rua e de subir e descer ladeira em Olinda, observou que as pochetes brancas – que eram febre entre os foliões pernambucanos nos anos 90 – tiravam o brilho dos looks carnavalescos. Por isso, ela decidiu pedir para um fornecedor criar uma minipochete de tecido semi-impermeável, onde o importante era caber a carteira de identidade, o plano de saúde e dinheiro. Não deu outra. Em pouco tempo, a minipochete se tornou bastante procurada na loja.

Crédito: Nando Chiappetta/DP/D.A Press

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Crédito: Nando Chiappetta/DP/D.A Press

Questionada sobre os momentos mais inesquecíveis que já viveu no período de reinado de Momo, ela destaca duas. “Lembro de uma vez que eu estava cochilando na minha casa em Olinda e a minha mãe encontrou Chico Science na rua e o levou até nossa casa, pois eu era fã. Outro momento marcante foi quando o bonequeiro do Homem da Meia-Noite passou mal na porta da minha casa. Foi tocante porque o Homem da Meia-Noite me deixa emocionada e de repente ele estava caído na minha frente e pude ajudá-lo a se recuperar”.

Crédito: Nando Chiappetta/DP/D.A Press

Crédito: Nando Chiappetta/DP/D.A Press

Author: Lais Siqueira

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