Dez dicas úteis para começar a estudar para concurso

Crédito: www.freeimages.com/

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Conquistar uma vaga em concurso – e ter o sossego e estabilidade no emprego – ainda é o projeto de vida de muitos brasileiros. Alguns já tentam há anos um espaço no serviço público. Outros começaram a se aventurar há pouco tempo no mundo dos livros, apostilas e leis. Pensando nestas pessoas, o Blog João Alberto conversou com Mozart Borba, advogado, professor, sócio do curso preparatório ATF Cursos Jurídicos e, portanto, expert no assunto. Com ele, listamos 10 dicas primordiais para quem quer se dedicar aos estudos e não sabe por onde começar. Confira!

Crédito: Arquivo pessoal

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1 – Por onde começar a estudar?
Focar no concurso que se quer é a primeira tarefa. O aluno deve evitar sair fazendo provas de vários concursos que vão surgindo no meio do caminho. Um erro comum é quando o aluno diz que vai estudar para tribunais. Afinal é diferente estudar para um concurso do Tribunal de Justiça e outro do Tribunal Regional do Trabalho, por exemplo. Acaba sem conseguir concluir nem mesmo um conteúdo. No entanto, existem formas de conciliar alguns concursos, pois certos editais são realmente parecidos. Saber qual a banca organizadora também é fundamental, já que o estudo para cada uma delas é diferente. A Fundação Carlos Chagas (FCC) é mais letra de lei. Já o Centro de Seleção e de Promoção de Eventos (CESPE) é mais doutrina e jurisprudência.

2- Como deve ser a rotina de estudo? Algumas pessoas defendem estudar todos os assuntos durante a semana. Outras querem concluir uma disciplina para só depois começar a próxima…
A rotina de estudo deve ser elaborada de uma forma que o candidato observe quanto tempo livre terá efetivamente na semana para dividir as matérias as quais vai estudar. Não existe um número de horas ideal, depende da produtividade de cada um.  Costumo dizer aos meus alunos que quem tem mais tempo é quem menos estuda.

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Há vários métodos de aprendizado e isso é totalmente pessoal. Estudar todas as disciplinas é uma das modalidades, mas a pessoa precisaria de vários turnos livres. Fator positivo: aprende-se de forma segmentada, mas tem o lado negativo porque é uma forma bem lenta de estudar. Para uma pessoa ansiosa, não é uma boa alternativa. Outra modalidade é “matando assunto”, como se costuma falar. Por exemplo, estuda tudo de uma disciplina para passar para outra. Costumo indicar isso para quem lê muito e rápido. Então conseguiria estudar todo o edital e ainda revisar alguns assuntos. Se tem dificuldade de memorização, não é uma modalidade que compensa.

Um bom caminho é dividir as disciplinas do edital por grupos e fazer um rodízio entre eles. Assim, divide-se a quantidade de horas disponíveis para ver quantas disciplinas poderá estudar por vez. À medida que vai terminando, vai passando para outra. Talvez esta forma seja a mais usual.

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3- Sobre o material de consulta, como deve ser selecionado por onde vai estudar? É mais indicado livro com resumos ou mais teóricos?
O aluno só  pode definir qual o melhor material dependendo da banca examinadora. Para isso, deve-se certificar qual delas organizou o último concurso. Geralmente, tendem a se repetir em outros anos. Se for a FCC – a maior organizadora do país – deve-se estudar mais texto de lei; a doutrina fica em segundo plano. Se vai fazer Cespe ou Esaf, exige-se mais conhecimento doutrinário, por exemplo.

4- Quais indicações de sites úteis para concurseiros:

Crédito: Reprodução PCI

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Hoje em dia tem na web muito material disponível. Mas como tudo em abundância, existe muita coisa ruim. É preciso fazer uma triagem de onde acessar. Nem sempre o aluno iniciante terá este faro de identificar o que é bom ou não. Mas existem sites famosos e bastante utilizados, como o PCI Concursos , com exames dos últimos certames; e o Questões de concursos, com provas, resolução de questões online e vários comentários de alunos. Há, ainda o Superprova; sites dos tribunais, e o Saber  Direito, organizado pelo Supremo Tribunal Federal. Lá tem muito material de qualidade e com muito controle sobre o que está sendo feito. Outro clássico é o Correio Web com fóruns sobre vários assuntos: de um concurso determinado até dicas de estudo.

Crédito: Reprodução Correio Web

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5- Resolver questões:
Quando se elabora o tempo de estudo, é preciso ter um espaço disponível para resolver questões. Normalmente 20%, no máximo 30% do estudo do dia, devem ser voltados para resolver provas. Isso vai amadurecer a forma de estudar. Às vezes o aluno estuda o que ele considera importante. Mas é preciso saber o que é importante para a banca examinadora. Isso só se obtém fazendo exercícios. Normalmente, indica-se manter um padrão: só resolva questões da FCC se esta for a banca ou só do CESPE, se for a responsável pelo concurso. Algumas vezes não dá para fazer isso porque há bancas ainda sem grande volume de provas. É o caso da Vunespe. Mas como esta banca requer muito texto de lei, pode exercitar com questões da FCC. Outro exemplo é a FGV, mais voltada para a doutrina. Então, pode resolver provas do CESPE.

6-Como deve ser feita a revisão do conteúdo e com qual periodicidade?
Há dois tipos de revisão: daquela que você estudou antes de sair o edital e aquela depois que foi divulgado. Quando a data da prova está definida, o aluno deve ver a quantidade de horas disponíveis até o dia e dividir pelas disciplinas que cairão na prova, dando prioridade ao peso de cada uma. Quando não tem data ainda, varia de pessoa para pessoa. Tem gente que deixa um dia na semana para revisar o assunto, mas o volume vai aumentando até chegar a um ponto que será impossível revisar tudo. Normalmente, o aluno prefere o estudo por grupos porque eles estudam de duas a quatro disciplinas. À medida que vão terminando, vão revisando e começando a estudar outras.

7- O que deve ser estudado na semana antes do concurso? Adianta revisar no caminho do local de prova?
Difícil dizer. Vai depender de como está o grau de preparação do aluno. Se já conseguiu cumprir todo o edital, deve fazer revisão dos pontos de mais dificuldade. Tem gente que prefere ficar full time, na semana anterior ao concurso, respondendo questão. Outras preferem trabalhar matérias de difícil memorização. Mas não existe solução mágica! Vai depender de cada indivíduo. Revisão na véspera da prova é, ao meu ver, contraproducente. Desgasta o candidato e muitas vezes não traz um resultado efetivo no dia seguinte. Corre o risco de fazer a prova cansado, já que os exames são longos e precisam de muita concentração. Na véspera, recomendo dar uma puxada no freio de mão: desopilar, ir ao cinema, namorar um pouco. Quem não resistir, deve optar somente por olhar o resumo.

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8-Os resumos feitos pelos alunos durante o estudo são válidos?
Resumo mal feito é perda de tempo. Ele sendo bem feito é uma coisa interessante. Isso porque quando está perto da prova, o resumo pode manter o assunto na cabeça do aluno. Ele passa a relembrar do que estudou como um efeito cascata. Também é preciso saber o que resumir. Daí volta a questão de saber qual será a banca examinadora: o que ela pergunta e prioriza. Assim estas anotações ficarão cada vez mais ricas.

9-Quem já fez vários concursos e estudou o básico de todas as matérias, como deve ser a preparação? Vale a pena estudar tudo novamente?
Entendo que sim. Brinco com meus alunos que não confio na memória deles. Ela sempre nos trai quando precisamos. Memória esquece até sentimento, quanto mais um dispositivo legal. Fazer uma rotina de revisão do que já foi visto é fundamental. Não gosto da ideia de que já estudou muito uma determinada matéria.

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10- O candidato deve concluir o conteúdo programático com quanto tempo de antecedência da prova? Não tendo tempo, tem alguma disciplina mais importante para se investir?
Se está focado no edital, tem que ter estudado, no mínimo, três ou quatro vezes todo o conteúdo. Depois seleciona os que têm mais dificuldade para focar mais. Então, a resposta para esta pergunta é: o assunto deve ser concluído o mais rápido possível para poder ser revisado. Agora, para quem não concluiu o edital, sugiro ver qual disciplina tem mais peso e focar nela. Caso todas tenham o mesmo valor, haverá duas vertentes. Uma delas é priorizar na matéria em que você já é bom para ter um resultado ainda melhor no exame. Ou naquela onde tem mais deficiência. Mas o ideal é evitar estas formas e concluir o edital a tempo.

Autor:: Tatiana Sotero

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