Clarice Freire: conquista do público pela sua sensibilidade e poesia

A recifense Clarice Freire é sempre lembrada no quesito “arte no mundo digital”. Ela é responsável pelo Pó de Lua, que está presente em várias plataformas no mundo virtual. As publicações começaram em um blog, depois passaram para uma página no Facebook (hoje com mais de 1,2 milhão de seguidores) e, devido à grande procura, criou o Instagram, sua rede social mais recente e que já passou dos 170 mil seguidores. As redes sociais foram responsáveis por divulgar a arte de Clarice e possibilitaram a publicação de um livro. Ela é uma das personalidades que souberam utilizar a internet e as redes sociais ao seu favor, criando vínculos com leitores e crescendo profissionalmente. Confira o bate-papo:

Clarice Freire Créditos: Leo Aversa/Divulgação

Clarice Freire
Créditos: Leo Aversa/Divulgação

1-Como começou a sua relação com o Instagram do Pó de Lua?
Por incrível que pareça, relutei muito. Eu já tinha o blog (podelua.com) e a fanpage (www.facebook.com/podelua) que já me tomavam muito tempo e dedicação. Como não sou o melhor exemplo de administração e organização, não queria mais uma rede social para me preocupar, mas com o tempo as pessoas começaram a procurar muito pelo meu trabalho também no Instagram e ele tem tudo a ver com esta plataforma. Acabei vendo que estava na hora e resolvi criar o @podeluaoficial. Já existiam outros usando meu nome e minhas poesias. Alguns de fãs que criaram devido à minha demora. Pra você ver a minha displicência inicial e como as coisas na internet caminham rápido. Daí comecei a alimentá-lo. Hoje em dia, é a minha plataforma mais viva, na qual tenho mais troca com os leitores e conheço muita gente boa.

2-Como surge a sua inspiração para criar as imagens e frases?
A inspiração está em tudo. Quando treinamos o olho para ver poesia, ela está em todos os lugares. Pode parecer clichê a minha resposta, mas quem conhece meu trabalho sabe que falo sério. Tenho poesias e textos sobre coisas universais como a dor, a saudade ou a solidão, como também sobre tudo isso em um palito de fósforo, em um telhado, uma geladeira, uma cena banal. Tudo inspira. Também busco referência em autores que amo como Mário Quintana, Marcelino e Wilson Freire, Clarice Lispector, Cecília Meireles, Adriana Falcão e tantos, tantos outros. Visualmente, minha maior referência é o trabalho do Tim Burton, tanto como ilustrador quanto como cineasta. Amo a melancolia delicada da estética que ele usa.

Créditos: Clarice Freire/Divulgação

Créditos: Clarice Freire/Divulgação

3-Em quanto tempo você percebeu que estava fazendo sucesso?
Foi tudo muito rápido. Ou melhor, em partes. Comecei o blog em 2010 e ele foi crescendo normalmente até o começo de 2013. Neste tempo, publiquei a poesia do fósforo e ela teve 14 mil compartilhamentos. Este foi o primeiro susto. Depois dela, todas as publicações começaram a ter o  mesmo impacto e em menos de 6 meses o Pó de Lua já tinha mais de 1 milhão de seguidores, além do convite da Editora Intrínseca, que já havia surgido, para transformar tudo isso em um livro. Acho que percebi aos poucos, a cada novidade que ia aparecendo e ficava, obviamente, tão surpresa quanto feliz, abraçando tudo aos poucos.

4- Lembra da primeira arte que divulgou?
No blog deve ter sido uma poesia que brincava com dois copos. No Instagram foi uma que falava sobre o tempo.

5- Pessoas famosas já compartilharam as suas imagens que “ diminuem a gravidade das coisas”. Como você se sentiu quando viu o reconhecimento?
Surpresa (eu sempre estou surpresa!) e feliz, claro. Especialmente quando também admirava muito o trabalho dessas pessoas. Através do Instagram, pude trocar ideias, sonhos e arte com muitas delas e já está saindo muita coisa legal disso tudo. Me encanta essa possibilidade que a internet nos dá de conectar pessoas que se admiram e que antigamente não teriam esta facilidade em se comunicar.

Créditos: Clarice Freire/ Divulgação

Créditos: Clarice Freire/ Divulgação

6- Considera-se “ grata” às redes sociais pelo grande sucesso que a sua arte virou?
Eu me considero grata a todos que compartilharam e se identificaram com a minha arte. Estas redes sociais são plataformas maravilhosas, mas são “apenas” plataformas que conectam pessoas e interesses. Minha gratidão está muito mais nos leitores do que na rede social em si, que ajuda, mas não é ela quem propaga. Isso é papel das pessoas. O bom também é ver que determinados conteúdos sobrevivem “offline”, como foi o caso do meu livro, que por ser literatura, poesia, apenas cresceu quando saiu das redes sociais e foi para as livrarias.

8-Como você lida com a fama que adquiriu?
Muito tranquilamente. No começo foi um pouco assustador, não sabia o que ia acontecer e houve sim uma mudança grande na minha vida. Mas nem me considero, sinceramente, uma pessoa famosa. Acho que o meu trabalho assume o lugar do protagonista, muito mais do que eu. É o papel do escritor: estar por trás das suas palavras, mas são elas quem chegam ao coração das pessoas. Eu gosto muito de receber o carinho e o reconhecimento dos leitores e me alegro em ver que são de todas as idades, como também de todo Brasil e de várias partes do mundo (ponto para a internet de novo). É lindo viajar para algum interior da região sul ou para uma capital do Nordeste e encontrar alguém com seu livro na mão. Isso não tem preço, só tenho a agradecer.

Lançamento do livro do Pó de Lua em Recife Créditos: Américo Nunes/ Divulgação

Lançamento do livro do Pó de Lua no Recife
Créditos: Américo Nunes/ Divulgação

9- Você divulgou que esta planejando um segundo livro, o que os fãs podem esperar dele? Qual a previsão para o lançamento?
Pois é! Estou trabalhando nele. É um processo difícil e maravilhoso. A previsão é para o começo do ano que vem, ainda sem data. Ainda não posso revelar muita coisa, mas as pessoas podem esperar algo muito novo, diferente, sem perder, claro, a essência do meu trabalho. A poesia desenhada estará presente, mas no meio de várias outras novidades.

10- Tem alguma dica para pessoas que possuem vontade de criar um perfil para divulgar artes e pensamentos?
Acho que o segredo para um bom trabalho é ser autêntico. Procure fazer o que ama, mas busque um diferencial, algo novo e único. Quando comecei a divulgar minhas poesias na internet, quase ninguém fazia isso. Me lembro apenas, em grande proporção, do Pedro Gabriel, o “Eu me chamo Antônio”. Nós dois começamos, cada um em um estilo completamente diferente e sem conhecer também o que o outro fazia, a divulgar nossa poesia em forma de imagens e isso teve um impacto muito forte. Hoje já existem milhares de perfis fazendo o mesmo, mas sinceramente, poucos possuem verdade, conteúdo relevante, boa literatura. Minha dica seria passar verdade, ser criativo e ler muito.

Créditos: Divulgação

Créditos: Arquivo pessoal

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Autor:: Taís Machado

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