Andressa Urach fala sobre programa com pernambucanos, drogas e seus 2 mil homens

Andressa Urach - Crédito:Rodrigo Silva/Esp.DP/D.A Press

Andressa Urach – Crédito:Rodrigo Silva/Esp.DP/D.A Press

No Recife para divulgar o lançamento do seu livro Morri para viver- Meu submundo de fama, drogas e prostituição, em noite de autógrafos, hoje, às 19h, na Livraria Cultura Paço Alfândega, Andressa Urach passou a manhã na sede dos Diários Associados. Em entrevista exclusiva ao programa Balanço Geral, da TV Clube /  Record e ao Blog João Alberto, ela fez várias revelações. Contou detalhes de assuntos polêmicos que cita no livro e revelou que já fez programa com empresários pernambucanos.

Segundo ela, o fato aconteceu em 2012, quando foi convidada por quatro empresários pernambucanos para passar uma semana no Nannai, em Muro Alto, fazendo programa e “festinhas”. “Na época, eu cobrei R$10 mil para passar uma semana com eles e mais seis meninas que eles haviam contratado. Este valor era para dormir com até dois homens, mas eu acabei ficando com todos”, revelou.

Crédito:Rodrigo Silva/Esp.DP/D.A Press

Crédito:Rodrigo Silva/Esp.DP/D.A Press

Em seis anos, Andressa Urach chegou a dormir com até sete homens em uma única noite e 2 mil durante esse período. “Clientes” que iam de empresários,  jogadores de futebol, religiosos até traficantes. Um deles, seu  ex-namorado, foi condenado a cerca de 60 anos de prisão. Além da prostituição, com cachê avaliado em até R$30 mil, Andressa se submeteu a 14 cirurgias plásticas. Já quis cortar os dedos dos pés para calçar um número menor e já teve três overdoses após consumo de drogas. Ela fica no Recife até quinta-feira, depois de cumprir noite de autógrafos e ministrar palestra na Igreja Universal, em Santo Amaro. Confira mais detalhes da entrevista exclusiva:

Como tem sido tua fase pós-revelações?
“Tem sido maravilhosa. Novo nascimento, tudo novo. As pessoas têm se identificado muito com a minha história, muitas passaram pelas mesmas coisas que eu passei e poder levar força, fé, levar recomeço para as pessoas é gratificante. Estou me sentindo muito acolhida. Existem muitas críticas, só que o mais triste é que antes, quando eu fazia tudo errado, as pessoas me aplaudiam, e hoje que eu decidi assumir minha fé e fazer as coisas certas, as pessoas me criticam. Mas eu entendo. Algumas pessoas duvidam e dizem ‘ah, isso é mentira!’. Só o tempo vai mostrar, ainda é muito recente porque faz menos de um ano que eu tive esse problema de saúde e minha vida mudou totalmente”.

Crédito: Reprodução

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Como você decidiu as histórias que iam entrar no livro? Foi quanto tempo de produção da obra?
“Puxar da memória não foi fácil. Foram feridas que a vida inteira eu tentei encobrir e falar sobre isso é ao mesmo tempo desabafar, tirar um peso das minhas costas e me perdoar. Não foi fácil, mas eu sabia que ia ajudar as pessoas e eu tinha essa vontade de fazer algo de bom, porque durante 27 anos, eu só fiz coisas que eu me envergonho. Foram quase três meses para resgatar toda a minha vida, pesquisar sobre minha infância… Nada ficou de fora do livro. Teve assuntos bem delicados que nem minha mãe sabia, mas eu não poderia deixar nada de fora. Ficou uma leitura bem suave, que uma mãe de família e uma senhora podem ler tranquilamente, porque na verdade quem é da prostituição sabe que é bem pior, porque o vocabulário é bem chulo”.

Qual a diferença da Andressa hoje e da Andressa do livro?
“Aquela Andressa é totalmente diferente dessa Andressa hoje. Eu precisei renascer, me esvaziar, mudar meus pensamentos, atitudes, minha forma de falar, de agir, de me vestir. Nascer de novo. Mudar principalmente velhos hábitos. Eu era uma pessoa extremamente impulsiva, agressiva… Quem assistiu ao reality show A Fazenda sabe o quanto eu era explosiva e briguenta. Lógico que eu continuo com a minha personalidade forte, a diferença é que eu aprendi a me controlar. A partir do momento que eu deixei aquela vida, eu deixei pra trás tudo que me fazia mal, desde as amizades, as drogas, as bebidas, as baladas…”

Andressa Urach nos bastidores da TV Clube/Record - Crédito:Rodrigo Silva/Esp.DP/D.A Press

Andressa Urach nos bastidores da TV Clube/Record – Crédito:Rodrigo Silva/Esp.DP/D.A Press

Das revelações do livro, qual foi a mais difícil em citar?
“Tudo foi difícil porque eu neguei tudo a vida inteira, né?! Na Fazenda quando a Denise me acusava de ser stripper, eu negava, mas eu sei tudo que eu vivi. Eu vi a morte de perto, eu sei o que eu passei, eu sei o quanto eu sofri. Era necessário recomeçar, aquela Andressa precisava morrer e, pra recomeçar, as verdades tinham que ser ditas”.

Como foi o momento que a religião entrou na sua vida?
“Não é uma religião. É uma fé inteligente. A religião hoje ela mata, destrói, separa as pessoas. O que eu conheci na Igreja Universal é uma fé inteligente, que respeita o próximo, nós somos todos iguais. Aprendi que temos que obedecer às palavras de Deus. A vida inteira, sempre fui uma pessoa que não obedecia nem a minha mãe. Eu estive de frente com a morte, passou um filme na minha cabeça e minha alma tava condenada ao inferno. Foi quando eu conheci essa fé que transforma. Eu disse “eu tenho uma segunda chance”. Aquela Andressa morreu a partir do momento que eu me batizei nas águas.

O que você pretende fazer após o período de divulgação do livro?
“Até dezembro eu ainda estou viajando o Brasil todo fazendo o lançamento do meu livro, dando palestras nas igrejas universais e depois volto ao meu trabalho como repórter no programa Domingo Show”.

Você pensa em escrever um novo livro?
“Sobre o meu passado, não pretendo escrever mais nada porque no livro já tem tudo. O que pode acontecer é escrever sobre a minha nova vida e minhas novas experiências, mas não é algo que esteja em projeto neste momento”.

Crédito:Rodrigo Silva/Esp.DP/D.A Press

Crédito:Rodrigo Silva/Esp.DP/D.A Press

Você está acompanhando A Fazenda?
“Não, porque estou no Jejum de Daniel. Dentro da Universal a gente tem um propósito de jejum que a gente fica fora das redes sociais durante 21 dias”.

O que você acha das pessoas que fazem tudo pela fama?
“Eu não posso julgar ninguém. Mas eu digo que é tudo ilusão, porque eu achava que através da fama as pessoas iam me amar. A minha vida inteira eu busquei o carinho e amor das pessoas e quando você chega na fama é tudo falso, sabe?! Eu me sentia vazia, sozinha, eu via que as pessoas se aproximavam de mim por interesse. Fazer o livro é mostrar pra jovens que isso tudo é uma grande ilusão. Você tem que se aceitar como você é. Eu não me aceitava, eu passei por 14 cirurgias plásticas, onde quase me levou à morte. Eu conheço muitas meninas que estão na prostituição e não conseguem sair”.

Andressa Urach antes e depois da plástica no nariz - Foto: Editora Planeta / Reprodução

Andressa Urach antes e depois da plástica no nariz – Foto: Editora Planeta / Reprodução

Você entrou no mundo da prostituição aos 21 anos. Você chegou a ter algum cliente em Pernambuco?
Tive, vários, vários. Eu trabalhava numa casa noturna muito famosa em Porto Alegre e já tive muitos clientes que foram pra lá. Em 2012, fui convidada por quatro empresários pernambucanos para passar uma semana no Nannai, em Porto de Galinhas, fazendo programa e festinhas com eles, acompanhada por mais seis meninas. Cobrei um cachê de R$10 mil por uma semana para dormir com até dois homens, mas acabei ficando com todos”.

Crédito:Rodrigo Silva/Esp.DP/D.A Press

Crédito:Rodrigo Silva/Esp.DP/D.A Press

Você também já teve um namoro-pago com um milionário da lista da Forbes. Como era essa relação?
“Existe três tipos de prostituição que eu vivi. Primeiro, fiquei quatro anos no bordel. Depois foi a prostituição de luxo, quando você se torna capa de revista e seu cachê aumenta muito mais. No bordel, eu ganhava de R$400 a R$3 mil, como capa de revista de R$7 mil a R$15 mil e já cheguei a ganhar R$30 mil. Depois dessa etapa, tem o namoro-pago, quando você fica fixa de um único cliente e ele banca suas contas por mês. Nesse período, quando eu tava namorando com um bilionário, eu ficava só com ele e ele me bancava o mês inteiro. O meu custo era R$30 mil por mês. Eu o via poucas vezes por mês, mas era exclusiva dele”.

Qual foi o perfil do seu primeiro cliente e como você se sentiu?
“Eu achei que ia só dançar. Quem lê o livro, eu conto bem detalhado como foi. Eu ganhava R$1 mil como coordenadora de RH de uma empresa de marketing promocional. Eu me vi mãe solteira, com um filho pra criar e contas pra pagar e pensei o que era pior: ‘ver meu filho passando fome ou entrar pra prostituição’. Uma amiga minha tinha me dito que uma amiga dela tinha sido chamada pra dançar e ganhou R$500 pra fazer um show. Então eu pensei, só vou dançar e não vou precisar dormir com ninguém. A primeira experiência que eu tive foi num lugar muito feio e sujo. Quando eu estava indo embora, a dona da casa disse que ia me apresentar um amigo que era desembargador.

Crédito:Rodrigo Silva/Esp.DP/D.A Press

Crédito:Rodrigo Silva/Esp.DP/D.A Press

Eu disse pra ele que não queria ficar ali e ele me falou que ia me deixar em casa. No meio do caminho, ele parou no motel. Eu pensei que ia ter relação sexual com ele, mas ele só conversou comigo e me deu R$500. Aquilo brilhou nos meus olhos, aflorou dentro de mim o amor pelo dinheiro. No início, parecia tudo um mar de rosas, mas com o tempo você é escolhida. Os mais novinhos sempre pagavam menos. Os mais velhos, mais gordos e mais nojentos pagavam mais. Eu preferia sair com esses porque ia ganhar mais. Eu acabei me submetendo ao sadomasoquismo, coisas nojentas que me envergonhavam muito, mas eu só pensava no dinheiro. Passei por vários riscos de vida, podia ter pego um HIV. Cheguei a dormir com sete homens num único dia. Em seis anos foram no mínimo, 2 mil homens. Eu não tinha medo de morrer. Eu tive tudo o que o dinheiro podia comprar. Acabei sendo viciada em sapatos. Tenho mais de 500 pares. Fiz 14 cirurgias plásticas. Quando acordei de uma delas, falei para o médico que queria cortar os dedos dos pés para calçar um número a menos. A minha obsessão era compulsiva”.

Qual o seu maior sonho?
Agradecer por respirar. Eu fiquei entubada, sei como é difícil aprender a voltar a respirar. Você dar valor a caminhar, dar valor a um copo de água. Hoje, eu aprendi a ser mãe. Meu filho está com 10 anos e só agora eu sei o que é ser mãe. Eu nunca fui presente. Quantas vezes eu deixei ele em casa para ir pra balada, beber e me drogar. Eu tive três overdoses. Conheci o cigarro aos 11; a maconha aos 13 e aos 20, a cocaína, bala, doce, lança perfume, cola de sapateiro. Eu buscava a felicidade com isso. Ia para raves e queria preencher um vazio dentro de mim que nada preenchia. Depois fiquei viciada em calmantes, tive síndrome do pânico, depressão. Hoje, minha vida está transformada, estou liberta de tudo isso e de todos os monstros do passado. Por isso que eu digo ‘morri para viver’.

Author: Thayse Boldrini

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