A imprensa mundial e o Impeachment

O Blog Brasilianismo vem publicando diariamente posts sobre o posicionamento dos principais veículos da imprensa internacional a respeito do impeachment da presidente Dilma Rousseff. Com o destaque ampliado no dia da votação na Câmara, foram reunidos abaixo alguns dos dos principais posicionamentos estrangeiros sobre a crise política brasileira.

Os principais destaques falam sobre a desilusão política vivida pelo país, que não tem uma alternativa que gere confiança de retomada do potencial do país.

Outro foco muito presente nas análises internacionais é a tensão política entre os que são contra e os que são a favor do impeachment.

“New York Times”
O diário nova-iorquino publicou neste domingo uma reportagem sobre a desilusão dos eleitores da classe trabalhadora que apoiaram a eleição de Dilma. “Tudo piorou”, diz uma entrevistada, explicando a baixa popularidade da presidente.

No sábado, o jornal falou sobre como a polarização do impeachment está afetando as relações no cotidiano brasileiro. O texto descreve a barreira colocada para separar manifestantes em frente ao Congresso.

“A política brasileira é um esporte sangrento nos melhores momentos, mas a batalha sobre o impeachment de Dilma está inflamando paixões como nunca antes”, diz.

A principal abordagem sobre política em meio ao impeachment foi publicada na quinta-feira, quando o “NYT” argumentou que o processo de impeachment expõe a hipocrisia das lideranças políticas brasileiras.

A publicação destaca que Dilma não está sendo acusada de roubo, o que é “uma raridade entre as principais figuras políticas do Brasil”. Mesmo assim, ela vai ser julgada por muitos políticos que estão envolvidos em seus próprios escândalos.

“The Economist”

A principal publicação de jornalismo econômico tem um grande destaque para o processo de impeachment em sua página inicial na internet. A revista fala sobre a alta probabilidade de o impeachment ser aprovado.

A “Economist” já havia publicado um editorial defendendo a renúncia da presidente, mas critica o processo de impeachment por falta de provas contra Dilma.

A maior preocupação, segundo a revista, é como o Brasil vai ficar a partir do impeachment. “A fala de Temer sobre um ‘governo de união’ compete com a noção, cada vez mais popular entre brasileiros, que um grupo de trapaceiros por outro”, diz.

“The Washington Post”

O jornal da capital dos EUA diz que o impeachment está sendo comparado a um “golpe brando”, já que pode mudar o governo sem envolver a violência, como aconteceu no passado.

Em um artigo, o jornal diz que o processo para tirar Dilma é uma manobra política da direita para tomar o poder.

Uma outra reportagem destaca a votação “histórica” do impeachment. A reportagem fala sobre as acusações relativas às pedaladas fiscais, mas cita também o grande escândalo de corrupção nacional como causa da disputa atual.

“Politicamente, se não legalmente, isso é tanto parte do processo de impeachment quanto as acusações sobre irregularidades fiscais”, diz.

Em um artigo publicado na semana antes do impeachment, o jornal alegava que ninguém sabe aonde a mistura de decepção econômica e desilusão política vai levar o Brasil.

“Por enquanto, as disfunções política e econômica alimentam uma à outra. A agitação política acaba com a confiança do mercado, e isso enfraquece a economia e amplia a insatisfação política”, explica.

CBC
A rede de TV canadense publicou uma reportagem sobre a exaltação dos lados contra e a favor do impeachment. “Marcha política ou briga de torcidas? No Brasil, é difícil dizer”, destaca o título.

“Em muitos sentidos, as divisões políticas do país parecem com as de torcedores do esporte”, complementa, comparando o clima da votação do impeachment com o de uma final de campeonato.

“Financial Times”
A tensão é o foco da cobertura do dia no jornal de economia. “Manifestantes se reúnem enquanto amigos e inimigos da presidente se enfrentam em uma disputa de votos até o último minuto”, diz.

Tradicionalmente crítico ao governo Dilma, o “FT” publicou no início da semana uma avaliação do processo de impeachment. A decisão, diz, é o equivalente a um voto de desconfiança. A medida, comum em regimes parlamentaristas, é usada quando os parlamentares desaprovam a política do Primeiro Ministro e propõem a destituição deste. O processo é “essencialmente um julgamento político”, avalia

Por mais que as acusações relacionadas às pedaladas fiscais sejam relevantes, o que está em questão é um debate político, diz.

“Dilma se tornou uma das lideranças mais impopulares da história do Brasil democrático por governar durante a pior recessão em um século e por um enorme escândalo de corrupção na Petrobras”, explica, ressaltando que Dilma não é acusada de nenhum crime relacionado a esses escândalos.

Um perfil da presidente ameaçada, publicado no início de abril, dizia que o impeachment seria “um fim desonroso para uma das carreiras mais extraordinárias da política brasileira”.

“Se seus oponentes conseguirem, ela pode deixar os brasileiros com pelo menos um legado positivo: a crescente independência das instituções investigativas”, avalia.

“Independent”
“Qualquer que seja o destino da presidente Dilma Rousseff, a chance do Brasil de acabar com a corrupção foi perdida”, diz o título de uma análise publicada pelo jornal britânico.

“A verdadeira tragédia por trás da saga do impeachment do Brasil é a de uma oportunidade perdida para progresso real por causa de avareza e ego”, diz.

Alguns dias antes da votação, o “Independent” publicou recentemente uma reportagem acusando a mídia brasileira de apoiar o impeachment.

“The Guardian”
A luta final de Dilma é o destaque do jornal inglês.

A publicação menciona que Eduardo Cunha, responsável por dar encaminhamento ao processo, é um dos acusados de corrupção na Câmara, enquanto não há acusações contra Dilma.

O periódico publicou, dias antes do impeachment, uma declaração de intelectuais de outros países criticando o processo de impeachment no Brasil.

Em carta, um grupo de 19 pensadores e artistas com atuação fora do país diz que o processo para retirar Dilma Rousseff da Presidência não é democrático.

“Le Monde”
O jornal francês já havia se posicionado a respeito do processo do impeachment semanas antes da votação. “Isto não é um golpe”, dizia a reportagem, que via o processo como legal, mas pedia a renúncia da presidente.

No texto publicado neste domingo (17), o jornal explica o procedimento e as acusações de “dribles” fiscais do governo.

Autor:: João Alberto

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