Metalizados, cores clássicas e tom político marcam primeiro dia do Dragão Fashion

Por Larissa Lins – A repórter viajou a convite do DFB

Créditos das fotos: Roberta Braga / Silvia Boriello / Ricardo K. / Divulgação

Créditos das fotos:
Roberta Braga / Silvia Boriello / Ricardo K. / Divulgação

Fortaleza: Lindebergue Fernandes, expoente da moda cearense politicamente engajada, protagonizou a primeira noite de desfiles do Dragão Fashion Brasil 2016, em Fortaleza. Ao som de Sociedade Alternativa, de Raul Seixas, deu tom político à sua participação no catwalk e foi aplaudido de pé. Com aproximadamente uma hora de atraso em relação ao previsto na grade do evento, o estilista mostrou  coleção que privilegia as silhuetas oversized e as peças andróginas, encerrando a noite de abertura da fashion week.

Todos os modelos exibiam o rosto maquiado tal qual palhaços com semblante entristecido. Dois deles carregavam bandeiras – a primeira, verde e amarela, e a segunda, encerrando o desfile, na cor branca. Jesus Cristo (Roberto Carlos e Erasmo Carlos) e Canção do Subdesenvolvido (Carlos Lyra e Chico de Assis) estavam na trilha sonora, que deixava claras as intenções de protesto em relação à crise político-social do país. As composições remetiam ao início dos anos 1970, quando a ditadura militar vigorava no Brasil, e foram selecionadas por Charles W., diretor de criação dos desfiles de Lindebergue há dez anos.

Créditos das fotos: Roberta Braga / Silvia Boriello / Ricardo K. / Divulgação

Créditos das fotos:
Roberta Braga / Silvia Boriello / Ricardo K. / Divulgação

As criações com armação estruturada pelo neoprene receberam aplicações em crochê e pedraria – muitas delas, fruto da reutilização de encalhe dos desfiles anteriores. Referências ao cangaço e ao skate se misturaram em cena, em tons de verde musgo, cor-de-rosa intenso e marrom. Alguns modelos desfilaram com peças que simulavam camisas de força, em sintonia com a atmosfera da apresentação de palhaços tristes, censura austera e regime militar.

TENDÊNCIAS
Além da mistura entre peças encorpadas e delicadas aplicações manuais em crochê, ofertada por Lindebergue, outras tendências se desenharam na primeira noite de desfiles do DFB. A clássica combinação entre preto, branco e vermelho foi recorrente na passarela. Especialmente na versão roupas P&B associadas a calçados vermelhos. Maquiagem metalizada – no Concurso dos Novos, dedicado a novos talentos em formação, as sobrancelhas douradas se destacaram – e brincos unilaterais também vieram à tona.

Créditos das fotos: Roberta Braga / Silvia Boriello / Ricardo K. / Divulgação

Créditos das fotos:
Roberta Braga / Silvia Boriello / Ricardo K. / Divulgação

André Sampaio (CE), Almerinda Maria (CE) e Jeferson Ribeiro (BA) deram protagonismo ao preto, branco e nude. Ribeiro pincelou azul e marsala na segunda metade da coleção. Sampaio aderiu às listras e à associação delas – verticais e horizontais. Enquanto Almerinda se inspirou no clássico Bonequinha de Luxo, com Audrey Hepburn, para desfilar organza, renascença de algodão e georgette com transparências nas pernas, ventres e seios.

Créditos das fotos: Roberta Braga / Silvia Boriello / Ricardo K. / Divulgação

Créditos das fotos:
Roberta Braga / Silvia Boriello / Ricardo K. / Divulgação

Nos cabelos, coques baixos laterais valorizaram os brincos únicos. Os fios são pouco modelados em penteados despojados e predominantemente repartidos ao meio. Esmaltes claros e maquiagens discretas deram o tom da primeira safra de coleções do DFB, cujo tema deste ano é Sangue Latino.

Autor:: Thayse Boldrini

Compartilhe este post sobre