Moda conceitual, artesanato e costas nuas na penúltima noite do Dragão Fashion

Por Larissa Lins – A repórter viajou a convite do Dragão Fashion

Crédito: Dragao Fashion

Crédito: Dragao Fashion

Fortaleza: Entre coleções pavimentadas por apostas semelhantes, como a combinação de preto e branco, a beleza neutra e as aplicações produzidas à mão – o que desperta sensação de sintonia entre os criadores, mas também de recorrência, déjà vu -, dois desfiles se sobressaíram na penúltima noite do Dragão Fashion 2016, em Fortaleza (CE). A cearense Gisela Franck levou à passarela uma das apresentações mais bonitas – e afetivas – do evento.

Em homenagem ao artesão cearense Espedito Seleiro, reconhecido internacionalmente pela vasta produção em couro e por ter popularizado as sandálias sertanejas usadas pelo bando do cangaceiro Lampião, a coleção Um Encontro com Seu Espedito Seleiro voltou os holofotes ao artesanato regional.

Crédito: Dragao Fashion

Crédito: Dragao Fashion

Gisela entrou em cena acompanhada do próprio Espedito, que assinou os calçados e algumas peças usadas pelas modelos na noite de ontem. Um vídeo explicativo introduziu o desfile, destrinchando o legado cultural de Seleiro e estabelecendo vínculo entre a plateia, o homenageado e os elementos envolvidos na homenagem. Uma banda mirim formada por crianças e jovens do Cariri, onde Seu Espedito mantém oficina, foi encarregada da trilha sonora, outro ponto fundamental na garantia de envolvimento dos espectadores. Deu certo. Gisela e Seu Espedito Seleiro foram aplaudidos de pé.

Crédito: Dragao Fashion

Crédito: Dragao Fashion

Os tons terrosos se combinaram ao branco, o rústico ao delicado, o algodão ao couro. As costas nuas protagonizaram as composições, sutilmente sensuais. Amarrações, colo à mostra, decotes ombro a ombro, babados, saias lápis e cinturas altas também cruzaram a passarela de Gisela Franck.

Outro destaque foi o conterrâneo Mark Greiner. Misticismo e manifetações populares ganharam vida em produções excêntricas, invernais, escuras, às vezes sombrias e às vezes iluminadas por tecidos refletivos. Mark evocou, entre outros signos, a tradição dos orixás do candomblé cobrirem o rosto, com modelos mascarados por estruturas em formato de galhos ou por flores. Também aplaudido de pé, Greiner destacou o preto, o cinza e os metalizados. O desfile, conceitual, apontou as silhuetas oversized, a cintura marcada, as mangas longas, as texturas e os tons sóbrios como tendências, em apresentação de forte carga histórico-cultural.

Autor:: Thayse Boldrini

Compartilhe este post sobre