Profissão: detetive. Entenda como funciona, quanto ganha e saiba casos curiosos deste profissional

Detetive Ferreira -Crédito: Peu Ricardo/Esp. DP

Detetive Ferreira -Crédito: Peu Ricardo/Esp. DP

A lupa, o cachimbo e o chapéu quadriculado de Sherlock Holmes não lembram em nada os detetives contemporâneos. Ao contrário do personagem dos livros, os investigadores de hoje se utilizam da tecnologia para resolver os casos, nem tão elaborados quanto os da ficção.

O detetive Ferreira, da Agência UAIP, conta que as pessoas procuram os serviços de investigação principalmente em casos de infidelidade. “Cerca de 60% dos casos são conjugais, 30% empresariais e 10% outros casos familiares, como filhos envolvidos com drogas”, diz ele. Mas, com o passar do tempo, as pessoas estão procurando outros serviços, que podem ser criminais, busca de pessoas desaparecidas, rastreamento, aluguel de equipamentos e vários outros.

Crédito: Peu Ricardo/Esp. DP

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Em 10 anos de profissão, Ferreira, de 30 anos, já presenciou muitos casos. Em duas ocasiões, precisou impedir o cliente de atirar na esposa que o traía. Ele diz que, ao terminar um caso, ele apresenta um relatório e, muitas vezes, age como um psicólogo, explicando que uma traição não é o fim do mundo. Mas, como profissional, deve se manter afastado e geralmente não sabe do que acontece depois de seu trabalho.

O tempo para a conclusão de uma investigação varia, com uma média de duas semanas. No entanto, pode ter dois ou três dias e até meses. “Algumas clientes me contratam há anos. Elas já sabem da infidelidade do marido, mas querem  saber o que está acontecendo”, diz ele. Em média, uma semana de investigação custa cerca de R$6 mil. O serviço mais em conta custa cerca de R$400, como uma pesquisa em banco de dados.

Crédito: Peu Ricardo/Esp. DP

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Ferreira conta um caso que o marido, desconfiado da esposa, colocou uma câmera dentro do carro do casal e flagrou a mulher com o amante no estacionamento de um shopping. “Mesmo com todas as provas, ele continuou com a esposa até tirar dela todos os bens e pedir o divórcio”, conta ele. Uma investigação como esta dura meses e pode custar até R$100 mil.

Crédito: Peu Ricardo/Esp. DP

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E não pense que só pessoas endinheiradas procuram os serviços de um detetive. Ferreira diz que já teve clientes de todas as classes econômicas. “Quando uma pessoa está desconfiada de algo, faz de tudo para descobrir”, diz ele, mesmo que seja um método mais barato. Existem vários métodos de investigação, como espionagem e contra-espionagem em empresas, perseguição, disfarce, escutas ambientais, filmagens e rastreamento. No entanto, um detetive só pode flagrar uma pessoa na esfera pública, já que a intimidade não pode ser violada.

Para se tornar um detetive particular, as pessoas podem fazer cursos e se credenciar na Confederação Nacional e no Sindicato de Pernambuco. Ferreira diz que para ingressar na profissão é preciso ética e confiança, que seria a maior qualidade de um investigador. No Brasil, a profissão ainda não é regulamentada e o projeto para isso está em tramitação no Senado Federal.

Crédito: Peu Ricardo/Esp. DP

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Em Pernambuco, o sindicato dos investigadores existe desde 1989, mas, por conta da falta de regulamentação, está sem sede oficial no momento. O presidente Clóvis Aquino diz que existem em torno de 3 mil detetives no estado, mas muitos não estão atuando por falta de amparo da legislação.

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