As revelações do diretor de Velho Chico à revista de Joyce Pascowitch

Luiz Fernando Carvalho(D) com Rodrigo Santoro/TV Globo/Divulgação

Luiz Fernando Carvalho(D) com Rodrigo Santoro/TV Globo/Divulgação

Algumas frases ditas por Luiz Fernando Carvalho, diretor da novela Velho Chico em entrevista á revista Poder, de Joyce Pascowitch:

* “Repetir fórmulas que deram certo é algo que eu não consigo. Fico enjoado,  me sinto mal, o corpo não vai” (fervoroso defensor do não limite quando se trata de explorar o desconhecido);

* “Se eu pensar em ibope no estúdio, a cena não sai.”;

* “Eu compreendo a necessidade da indústria de lançar rostinhos novos, mas eu só sei trabalhar com artistas genuínos. O cara não precisa ser ator, pode ser tocador de rabeca: se em uma audição eu perceber que ele tem condição de viver o papel, coloco na novela na maior felicidade.” (Sobre o processo de seleção dos atores);

* “Para chegar a um resultado estético, você passa pela ética, pelo caráter do trabalho, por aquilo que você está querendo dizer, pelo que está oferecendo” (Carvalho aposta na honestidade de suas intenções quando fala do alcance que uma novela pode ter);

* “Eu não trabalho desse jeito por teimosia; faço porque é como sei fazer. Eu simplesmente não conseguiria industrializar meu processo criativo” (Ele afirma que, se hoje tem a possibilidade de escolher os trabalhos que faz e também a forma de conduzi-los, é graças a uma “tomada de posição”);

* “Eu percebi nela um certo cansaço de ser Luiza Brunet pessoa jurídica, de falar o vocabulário do mundo exterior, das aparências. Alguma parte de Luiza tinha outra fome, a de viver um personagem que não fosse o produto Luiza Brunet, com todos os ganhos e dores que esse nome traz” ;

* “O (cineasta Luchino) Visconti, que eu admiro muito, dizia que quanto mais a gente se aproxima do belo, mais se aproxima do trágico. Eu acredito nisso também.”;

* “O processo de preparação revela grandes surpresas. Pessoas que você achava que não dariam conta se revelam. Outras desistem  antes de começar, porque estão inseguras, se acham incapazes de fazer.

* “O ponto central do meu trabalho é a memória. Não só a minha. Pode ser a sua, a dos atores, a do câmera, as das pessoas que estão no galpão do figurino, no dos cenários, a do marceneiro. E essa memória inclui o que virá também. Eu falo de uma memória espiritual, que abraça tudo, recolhe e faz disso um caldo forte que nos revela.

Autor:: João Alberto

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