Desfile de transexuais na passarela de Ronaldo Fraga marcou história no SPFW

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Foto: Marcelo Soubhia / FOTOSITE

Ronaldo Fraga fez história no SPFW – Foto: Marcelo Soubhia / FOTOSITE

Por Thayse Boldrini

A repórter viajou a convite do SPFW

São Paulo: Ronaldo Fraga protagonizou um dos momentos mais marcantes da semana de moda brasileira na manhã desta quarta-feira. Com o Theatro São Pedro lotado de convidados, o estilista apresentou um desfile totalmente fora do convencional: todas as modelos eram transexuais, a grande maioria nunca tinha desfilado ou participado de uma semana de moda. A seleção foi feita via Facebook. As candidatas recebiam convite para um casting sem ter a mínima noção de que iram participar de um desfile comandado pelo Ronaldo. Após o teste, 28 transexuais foram selecionadas, desde mulheres operadas a travestis.

Foto: Sergio Caddah/ FOTOSITE

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“A moda brasileira nega e desconhece essa figura – trans. A coleção que eu apresento fala de amor, de resistência e fala da moda como instrumento de libertação de uma história muito séria. A moda libertando o corpo, o corpo como prisão. Então, você imagina uma alma que não cabe naquele corpo, que nasce desconhecendo aquele corpo, ela não reconhece aquele corpo e o que vai libertar é a primeira saia, o primeiro batom, a primeira sandália. Isso tudo justifica essa mágica da moda”, explica Ronaldo.

Foto: Marcelo Soubhia / FOTOSITE

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Ronaldo não quis saber do novo conceito see now, buy now (veja agora, compre agora) adotado pela temporada, nem colocar a roupa em evidência. A proposta era dar visibilidade para a causa, chamando atenção para o fato de que o Brasil é o país que mais mata transsexuais no mundo. No time das trans tinha de tudo: cabelereira, garota de programa, professora e dona de casa. “O mais difícil da moda é entender o tempo em que se vive. O que fizemos vai virar conversa no café da manhã das famílias”, afirmou o estilista.

Foto: Marcelo Soubhia / FOTOSITE

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Do outro lado do palco, Costanza Pascolato ia às lágrimas a cada passo das modelos. Não só ela. Muitos também se emocionaram e fizeram questão de registrar o momento em vídeos e fotos. As modelos envergaram vestidos com referências dos anos 20 e 30, com sapatos de salto médio. Uma delas atende pelo nome de Isabela Pascolatto. Ela fez a transição há três anos e comemorou o fato de ter sido convidada para desfilar na passarela do estilista. “Foi muito emocionante. Eu trabalhava no mundo da moda, sou formada nessa área  e já atuava no setor antes da minha transição. Quando eu resolvi transicionar não consegui mais emprego, senti muito preconceito. Essa oportunidade foi incrível. O que eu sinto é incabível e não tem como descrever em palavras. Foi lindo,  histórico e incrível”, disse a modelo.

Foto: Marcelo Soubhia / FOTOSITE

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Enquanto todos esperavam a tradicional “fila final” do desfile, Ronaldo Fraga foi além do óbvio. As cortinas abriram e todas as transexuais apareceram somente de lingerie, dançando abraçadas, em passos lentos. O estilista, por sua vez, surgiu para agradecer a presença dos convidados e, chorando, beijou as mãos das modelos, uma por uma. Depois do espetáculo, Ronaldo concedeu entrevista coletiva aos jornalistas de toda a imprensa nacional e frisou: “O que menos importa é a roupa. Nós não precisamos mais de roupa, precisamos de outras coisas. A moda precisa começar esse exercício de estabelecer diálogo com outras frentes, com outros lugares, trazer outras sensações”.

Foto: Marcelo Soubhia / FOTOSITE

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Sobre Ronaldo Fraga

Em edições anteriores, Ronaldo Fraga chegou a colocar senhoras idosas a refugiados para desfilar com suas criações. Em 2013,  causou controvérsia e foi chamado de racista quando usou perucas de palha de aço em um desfile sobre a cultura africana no Brasil. Em sua defesa, o estilista afirmou que as perucas foram, ao contrário, uma crítica ao racismo.

 

Autor:: Thayse Boldrini

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