A produtora Juliana Cavalcanti fala sobre os desafios e cenário da música eletrônica

Crédito: Nando Chiappetta/DP

Crédito: Nando Chiappetta/DP

Conhecida como a primeira-dama da e-music e considerada uma das melhores produtoras de eventos – representando bem a ala feminina no segmento – Juliana Cavalcanti trabalha há 13 anos no ramo, sendo responsável por grandiosos festivais em Pernambuco. King Festival é um deles que acontece devido a expertise da pernambucana. Falar em música eletrônica, escutar as batidas no som e apreciar o trabalho de DJs mundiais é com ela mesma. Juliana é responsável por trazer para Pernambuco grandes nomes, como David Guetta, Armin Van Buuren, Hardwell, Martin Garrix, Ashley Wallbridge, entre tantos outros. Sob o comando de sua produtora Reality, Juliana já programa um calendário intenso de festas para este ano: Essential em abril, DreamVision em maio, Beatplus em julho, entre tantos outros. Na entrevista, ela conta detalhes dos bastidores desse universo da cena eletrônica, confira o bate-papo exclusivo:

 Como você se interessou pelo ramo da música eletrônica?

“Começou quando eu fiz minha primeira pós no Rio de Janeiro, onde conheci o psytrance e comecei a viajar pelo Brasil para conhecer os festivais. A partir daí, comecei a notar que em Recife não tínhamos este tipo de evento ao ar livre e nem desta vertente. Vi a oportunidade de trabalhar na área e desde então já fazem 13 anos que estou no ramo. Comecei fazendo raves, depois fui para o mainstream do trance, house e hoje tenho produtos/eventos que abrangem diversas vertentes de eletrônico.

Que eventos você organizou, e quais você mais gostou de produzir?

Eu já organizei raves, festivais, eventos apenas para convidados, mas tenho um carinho especial pelas raves porque vivenciei muitas coisas positivas neste ramo antes de começar a trabalhar nele. Ir para os festivais contribuiu para minha formação de caráter e aprendizado para a vida, eu sempre noto o público da Essential, marca que hoje faço as raves, tem essa essência e isso é muito gratificante para mim. O show que trouxe David Guetta também foi um evento que me marcou muito pois foi o maior público de Pernambuco registrado em um evento de musica eletrônica.

Você foi responsável por trazer a Pernambuco grandes nomes da música eletrônica. Como é sua relação com eles?

Tenho uma boa relação com os que vieram mais de uma vez, como Armin Van Buuren, nos falamos sempre que nos encontramos nos eventos no Brasil ou no exterior e às vezes vou prestigiar um show quando estou viajando.

Crédito: Nando Chiappetta/DP

Crédito: Nando Chiappetta/DP

Quais os principais desafios para agradar um público que curte esse estilo musical?

É um publico que quer ver os DJs que mais “bombam” no mercado, são extremamente exigentes em relação à estrutura de som e luz. Sempre gosto de incluir efeitos especiais diferentes em meus eventos como show pirotécnico sincronizado com a música, que já uso no King Festival.

Como você avalia a popularização da música eletrônica?

É muito positiva, cada dia que passa as pessoas têm mais contato com a música eletrônica, seja na rádio, seja o DJ de um intervalo entre os shows, seja com o famoso Alok durante um Villa Mix…Ali é criado um início de contato e vai envolvendo o público com o som. Somos um país multi cultural onde a música brasileira tem muita expressão e as melodias que existem na música eletrônica são em inglês, língua pouco falada no Brasil.

Quais são as principais premissas para produzir um grande festival?

A premissa mais importante de todas é o planejamento porque ele é a base de tudo. Geralmente, começo o planejamento de um evento de médio porte com 6 meses de antecedência e os eventos grandes com um ano. Seleciono os artistas que estarão em turnê, o espaço, os fornecedores, estudamos a precificação do ingresso, captação dos recursos e montamos um cronograma de vendas e realização do evento.

Crédito: Thiago Monteiro

Crédito: Thiago Monteiro/Divulgação

King Festival, produzido sob a batuta de Juliana Cavalcanti

King Festival, produzido sob a batuta de Juliana Cavalcanti

Você chegou a ter alguma dificuldade para fechar contrato ou algum artista ficou surpreso ao ver que você era a produtora do evento?

Nunca tive dificuldade para fechar artistas pois Recife é uma cidade muito atrativa para os DJs internacionais. O público do Nordeste tem fama de ser o mais caloroso e animado do país. Geralmente, por conta do mercado ser quase que exclusivamente de produtores homens, os artistas ficam surpresos quando sabem que é uma mulher que esta por trás de um evento tão grandioso. Não estão acostumados a isso.

Atualmente, quais são os cinco DJs favoritos?

Oliver Heldens, Above and Beyond, Astrix, Alok, Infected Mushroom

Quais são seus planos para o mercado de música eletrônica em Pernambuco neste ano?

Todo ano trabalho para desenvolver cada vez mais a cena eletrônica no estado, com foco na realização da quarta edição do King Festival, que é o nosso maior produto atualmente além da Essential e da Beat Plus, dois selos que crescem cada vez mais e se posicionam com festas de destaque no calendário da cidade.

Qual sua visão sobre a figura feminina na cena brasileira da música eletrônica?

Ser mulher em uma área predominantemente masculina é um desafio, mas as mulheres que se destacam neste setor ja possuem experiência e bagagem para superar qualquer um deles, temos mais foco, organização e determinação justamente porque somos testadas a todo momento e alem disso, diferente da grande maioria dos homens, temos que cuidar da família, de filhos e da casa. Ainda temos muito espaço a conquistar e ainda somos muito menosprezadas mas basta termos oportunidade para deixarmos uma marca definitiva em qualquer lugar ou projeto que nos dispormos a realizar.

Author: Thayse Boldrini

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