“O futebol sempre esteve na minha vida”, disse Emily Lima, a primeira técnica da Seleção

Emily Lima, técnica da seleção brasileira feminina de futebol, com a jogadora Marta Crédito: Divulgação CBF

Emily Lima, técnica da seleção brasileira feminina de futebol, com a jogadora Marta Crédito: Divulgação CBF

Depois de três décadas seguindo instruções de homens, pela primeira vez as jogadoras da seleção brasileira de futebol estão sob o comando de uma mulher, a paulistana Emily Lima, de 36 anos. “Meu maior sonho é ver a modalidade onde ela merece estar. Vê-la reconhecida e valorizada no nosso país. Acho que a cultura do nosso país é machista, mas a gente está quebrando essa barreira”, disse em sua primeira entrevista coletiva como técnica da seleção, em novembro do ano passado, na sede da CBF, no Rio de Janeiro.

Emily já está no universo do futebol feminino há 25 anos, quando começou a jogar no Saad, equipe da cidade de São Caetano (SP), aos 13 anos. A carreira começou nos anos 1990 com apoio da família, e passou pelo São Paulo (SP), São Bernardo (SP), Barra de Teresópolis (RJ) e Veranópolis (RS). Mas foi em 2003 o primeiro passo para se transferir para a Espanha, onde trabalhava durante o dia e treinava durante a noite, por um período de cinco anos. Emily atuou na seleção de Portugal por dois anos, de 2007 a 2009, e no mesmo período se transferiu para o Napoli, porém uma contusão no joelho a fez encerrar a carreira como jogadora. 

Crédito: Kin Saito/CBF

Crédito: Kin Saito/CBF

Em 2010, a paulistana voltou ao Brasil e começou a fazer cursos de treinador, tanto no Sindicato dos Treinadores de Futebol Profissional do Estado de São Paulo, quanto no Forúm internacional de futebol. Em 2011, assumiu como treinadora do time feminino do Juventus, onde ficou até o final de 2012, pois em março de 2013 recebeu o convite para assumir a sub-17 da Seleção Brasileira de Futebol Feminino, assim como a sub-15.

Em 2015, recebeu um convite para ser treinadora do time feminino do São José, onde consolidou sua carreira. À frente da equipe paulista, conquistou o Campeonato Paulista de 2015, os Jogos Abertos e os Regionais de São Paulo de 2015 e 2016  e foi vice-campeã da Copa do Brasil 2016.

Foto: Divulgação CBF

Foto: Divulgação CBF

Com uma larga experiência no mundo futebolístico, Emily está sempre atenta aos jogos femininos, de seleções de times nacionais e internacionais, para observar o que há de mais moderno. “O futebol sempre esteve na minha vida. Comecei jogando em um campinho no sítio da minha família com meus primos e meu irmão. Aos 13 anos, comecei no meu primeiro clube, contando com o apoio da minha família”. Em entrevista exclusiva ao Blog João Alberto, Emily fala sobre o desafio de estar no cargo, como tudo aconteceu e planos para o futuro. Confira:

Como surgiu o convite para se tornar técnica da seleção brasileira feminina de futebol?
No dia seguinte da final da Copa do Brasil do ano passado, que eu fui vice-campeã com o São José, o presidente Marco Polo me ligou marcando uma reunião. Eu não tinha ideia do que era. Na segunda-feira seguinte, eu me reuni com ele na sede da CBF e ele fez o convite para ser a treinadora da Seleção. Fui pega de surpresa. Eu não conseguia acreditar, pois estava realizando um sonho, o de treinar a Seleção Brasileira.

Quais os seus objetivos para o time?
O meu primeiro objetivo à frente da Seleção é fazer uma boa Copa América, com resultado positivo, para nos classificarmos para a Copa do Mundo e para os Jogos Olímpicos.

O que você está trazendo de diferente para a equipe?
Eu procuro sempre estudar e trazer novos treinamentos para as equipes por onde passei e na Seleção não é diferente.

Crédito: Lucas Figueirêdo/CBF/Divulgação

Crédito: Lucas Figueirêdo/CBF/Divulgação

Para você, qual  a importância de ter uma mulher à frente da seleção brasileira feminina de futebol?
A grande importância de estar na Seleção é poder abrir portas para outras mulheres, ex-atletas ou não, que querem trabalhar com o futebol.

Por que você acha que demorou tanto para uma mulher ser convidada?
Acredito que não havia muito interesse das ex-atletas em estar no futebol. Hoje isso vem aumentando, não só na comissão técnica, mas também na parte de gestão.

O que deve ser feito para que o futebol feminino seja mais valorizado no país?
O futebol feminino precisa ser visto como um produto, ser vendido da melhor maneira possível, como um negócio.

Quais seus planos para o futuro? Tem algum sonho profissional que deseja realizar?
O primeiro sonho, que era comandar a Seleção Brasileira, eu já estou realizando. Além disso, gostaria de treinar uma equipe fora do país.

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Author: Júlia Molinari

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