Alexandre Lemos conta a trajetória da Orquestra Bravo

Crédito: Nando Chiappetta/DP

A Orquestra Bravo tem mais de vinte anos de experiência tocando em casamentos, festas e eventos, sob o comando de Alexandre Lemos – Crédito: Nando Chiappetta/DP

A origem da música clássica é antiga. Lá para meados do século V. E, até hoje,  esse estilo musical tem o dom de relaxar e inspirar muita gente. Prova disso é o advogado e músico Alexandre Lemos, de 66  anos, que estudou no Conservatório Pernambucano de Música e na UFPE.   Sua paixão pela música clássica começou cedo, desde a infância, quando decidiu estudar piano após assistir ao filme À Noite Sonhamos, estrelado por Merle Oberon e Cornel Wilde, sobre a vida de F. F. Chopin.

Crédito:Nando Chiappetta

Crédito:Nando Chiappetta

Para dar continuidade à paixão, e com o propósito de democratizar música de boa qualidade, Alexandre criou a produtora musical Bravo em 1991.  O pernambucano, com o apoio dos colaboradores Maestro Guedes Peixoto, Maestro José Renato Accioly e Maestro Dierson Torres (este último responsável pelos impecáveis trabalhos de composição/redução/releitura), levou a Orquestra Bravo para âmbito nacional. Em uma noite repleta de emoção no último dia 16 de maio, a Orquestra Bravo comemorou seus 25 anos com um belíssimo concerto no Teatro Santa Isabel, entoando 17 músicas dos Beatles, reunindo nomes de destaque da sociedade.

Atualmente, Alexandre Lemos concilia sua carreira de advogado e de músico, e acredita que só existe uma resposta possível para o feitio: a paixão pelo que faz. Em entrevista exclusiva ao Blog João Alberto, ele contou sobre como tudo começou, como funciona uma orquestra, detalhes sobre música clássica e seus futuros planos.  Confira:

Como surgiu a sua paixão pela música?

Minha paixão pela música foi descoberta ao assistir, aos sete anos, o filme À Noite Sonhamos sobre a vida desse monumento do romantismo musical que é Fréderic François Chopin.

E sua trajetória como músico, como iniciou?

Depois do filme a que me referi acima, disse aos meus pais que gostaria de estudar piano. Receptividade total, só que a compra do instrumento seria postergada para um ano após o início do curso, depois de aprovado pela professora. Enquanto isso, eu estudava no piano da casa de meus avós. Concluído o primeiro ano, foi acatada a compra do instrumento, passando daí em diante a dedicar meu tempo disponível ao estudo e prática do piano.

Inúmeros professores me orientaram – Waldemar de Almeida, Stella de Almeida, Júlio Braga – até o ingresso no Conservatório Pernambucano de Música, onde conclui o curso de música com especialização em piano, orientado pela professora Andréa Carvalho. Depois disso, eu ainda estudei na Universidade Federal de Pernambuco, onde além de Andréa fui orientado também por Heloísa Maibrada e Edson B. de Melo.

Como surgiu a Orquesta Bravo? 

Decorrência dessa paixão pela música. Fiz alguns eventos de forma não profissional, até que um maior causou um “boom” nessa história: um amigo me pediu para fazer um programa especial para o casamento de sua filha, dizendo que não aguentava mais o lugar comum das músicas em cerimônias de casamento. Tinha o passe livre, podia fazer o que eu quisesse. Montei então uma orquestra e coro com algo em torno de cinquenta músicos. Sugeri que a entrada da noiva fosse feita com a peça Glória ao Egito, de G. Verdi. Conversei muito nessa fase inicial com meu padrinho e amigo Luiz Fernando Guedes Pereira, também apaixonado pela boa música.

Crédito: Bosquinho Lacerda/Divulgação

Crédito: Bosquinho Lacerda/Divulgação

Como funciona uma orquestra?

Primeiro, não existe um formato padrão de orquestra. Ela varia de acordo com o programa a ser executado. Uma orquestra para tocar uma peça sinfônica de Mozart é bem menor do que uma que vai executar uma sinfonia de Mahler. O número de músicos pode até dobrar. Algumas figuras são imprescindíveis, como a do regente e a do primeiro violino (spalla), que algumas vezes acumula a função de regente em situações específicas. Este é a segunda pessoa mais importante de uma orquestra.

O que você sente quando está se apresentando?

Até concluir os ensaios que faço anteriormente a todas as apresentações, sinto uma verdadeira tensão, expectativa, como se fosse quase sempre a primeira vez. Depois que estão todos os músicos presentes e ajusto a orquestra e o coro (quando este se faz presente), a tensão prévia começa a se transformar em alegria, muita alegria, uma realização plena.

Qual a característica principal da música clássica?

A qualidade elevada de uma composição musical. Jamais envelhecendo. Jamais cansando. A cada escuta se fazendo redescobrir em novas nuances e aspectos que não tínhamos antes percebido. O mesmo que ocorre com os verdadeiros clássicos literários sempre lidos admirados e atuais, parecendo se adequar a todas as épocas: W. Shakespeare, M. Cervantes, Thomas Mann, Machado de Assis, F. Pessoa, e tantos outros.

Você tem projetos futuros com a Orquestra Bravo?

Inúmeros. Tenho uma Missa de Schubert, que Schubert não escreveu e não ouviu ainda!. Explico, sou apreciador em grau máximo da música schubertiana. Encomendei ao meu amigo, professor, maestro e engenheiro da música, Dierson Torres, duas peças sacras a partir de músicas de Schubert. Uma Ave Maria, baseada no segundo movimento da Fantasia Wanderer para piano, e um Pater Noster, baseado num improviso para piano. Ficaram deslumbrantes! Daí, a partir da escuta de outras peças de Schubert, como Trios para piano, violino e cello, idealizei e encomendei todas as partes de uma missa completa. Está pronta, aguardando o momento para sua primeira apresentação.

Como você concilia sua carreira de advogado e músico?

Às vezes, nem eu mesmo entendo como consigo conciliar tantas atribuições! Talvez a grande paixão pelo que fazemos (e aqui também incluo o Direito) seja a única possível resposta.

Autor:: Júlia Molinari

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