As Meninas do Quarto 28: exposição sobre o dia a dia de meninas que viveram o holocausto aporta no Recife

A exposição As Meninas do Quarto 28 tem entrada gratuita e ficará em cartaz até o dia 29 de outubro - Crédito: Marília Gouveia/DP

A exposição As Meninas do Quarto 28 tem entrada gratuita e ficará em cartaz até o dia 29 de outubro – Crédito: Marília Gouveia/DP

Será inaugurada, nesta sexta-feira, a exposição internacional As Meninas do Quarto 28, na Galeria Janete Costa, no Parque Dona Lindu. A mostra relata o dia a dia de cerca de 50 meninas que viveram por dois anos em um campo de concentração na República Tcheca, durante a Segunda Guerra Mundial. O “quarto 28” era onde elas moravam.

Crédito: Marília Gouveia/DP

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Durante a vida no campo, as meninas tiveram aulas de artes com a artista plástica Friedl Dicker Brandeis, que também estava presa no local. O resultado disso são milhares de desenhos, que mostram os sonhos e a imaginação das meninas, que tinham entre 12 a 14 anos. A exposição conta ainda com uma linha do tempo que vai desde a chegada das crianças no campo, até a ida para o “Leste” (Auschwitz, onde eram mortas) e ainda o relato das sobreviventes. “Nós queremos que o público tenha a sensação de estar e de se colocar na situação das meninas”, explica Karen Zolko, uma das representantes da exposição no Brasil.

Karen Kolzo - Crédito: Marília Gouveia/DP

Karen Zolko – Crédito: Marília Gouveia/DP

A exposição original é da Alemanha e se originou a partir de um livro, escrito pela Hannelore Brenner, sobre as meninas do quarto 28. Mas, para o Brasil e também especificamente para o Brasil, a mostra ganhou novos contornos. “A gente quis criar algo para o público brasileiro que fosse mais interativo, com elementos cenográficos”, contou representante Dodi Chansky. A novidade para a capital pernambucana é uma instalação chamada “Deportação”, que retrata o trem que levava as crianças para o Leste.

Crédito: Marília Gouveia/DP

Crédito: Marília Gouveia/DP

O espaço ainda conta com uma réplica do quarto onde as meninas viviam e a flâmula que elas confeccionaram para representarntar a sociedade criada por elas: a Ma’agal. Na bandeira, estão o símbolo do círculo, representando um ciclo contínuo, e mãos cruzadas em alusão à amizade. Entre as 15 sobreviventes do quarto, sete ainda estão vivas nos dias de hoje, espalhadas pelo mundo.

Crédito: Marília Gouveia/DP

Crédito: Marília Gouveia/DP

Além das aulas de artes, as meninas ainda tinham aulas de matemática e alemão, que eram ensinados por outros presos no campo – todas elas escondidas dos guardas. “Esta exposição mostra a importância da educação contínua, do professor. A exposição foi feita para homenagear as meninas mortas e também os professores delas”, explica Karen Zolko. Por isso, um dos focos da exposição é receber grupos de escolas, com crianças entre 12 e 14 anos, com a mediação da galeria. Até agora, já são cerca de 50 colégios com horários agendados para visitação.

Crédito: Marília Gouveia/DP

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Karen Zolko, inclusive, é sobrinha de uma das meninas que viveram no quarto. A história começa em 1974, quando ela e a família foram até a antiga Tchecoslováquia – país de origem de sua mãe. Ao visitarem o Museu Judaico de Praga, sua mãe reconheceu a assinatura da irmã, Erika Stránská, em um desenho em exposição. Em 2012, Karen escreveu ao museu, que lhe contou que tinham guardados cerca de 30 desenhos de sua tia, que foi morta em Auschwitz aos 14 anos. A partir daí, descobriu o livro escrito sobre as meninas e, consequentemente, a história de sua tia. “Eu não consigo nem explicar a sensação. A minha família poderia ter passado a vida sem saber sobre a Erika. Nós achamos a Erika e a trouxemos para o Brasil”, reflete ela.

Crédito: Marília Gouveia/DP

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A exposição As Meninas do Quarto 28 tem entrada gratuita e ficará em cartaz até o dia 29 de outubro. Os horários para visitação são de quarta a sexta-feira, das 12h às 20h, aos sábados, das 14h às 20h, e aos domingos, das 15h às 19h.

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