Romero Ferro vai transformar o Frevália em disco: “O projeto vai circular pelo país”, revelou

Romero Ferro vai transformar o projeto Frevália em disco – Crédito: Lana Pinho/Divulgação

Frevo. Esta é a paixão de Romero Ferro e não é por menos que ele encabeça um movimento que tem chamado atenção no país: a modernização do ritmo genuinamente pernambucano. De forma autoral, ele consegue transformar em novas roupagens, convidar artistas e fazer um verdadeiro show, digno de aplausos. O Frevália, segundo ele, surgiu de uma inquietação há pouco mais de um ano, em parceria com o produtor Maurício Spinelli.

A verdade é que ele queria manter o som do frevo durante todo o ano e que fosse muito além da famosa Quarta-feira de Cinzas. Ganhou repercussão nacional e foi parar no palco do programa Encontro, comandado por Fátima Bernardes, na Rede Globo. Ela adorou. Dançou, curtiu e superelogiou o pernambucano. Frevália não só vai percorrer o país neste ano, como deve se transformar em disco. “Talvez até uma coletânea. Estamos amadurecendo isso”, revelou Romero. Com o projeto, ele já dividiu o palco com Clarice Falcão, Silvério Pessoa, Michele Mello e até Hermila Guedes. 

Autêntico e ousado, o cantor  pernambucano já se envolveu em vários debates nas redes sociais. Um deles, no lançamento do clipe O medo em movimento, que chegou a ser banido de seus perfis no Facebook e Instagram por conter cenas de nudez. “Hipocrisia, machismo ou caretice?”, comentou Romero publicamente, levantando uma discussão sobre o tabu em torno da nudez.

Em um bate-papo exclusivo com o Blog João Alberto, Romero Ferro contou um pouco sobre o seu processo de composição, censura e os novos planos para 2018. Confira:

Uma de suas características marcantes é um movimento de modernização do frevo. Como você encara este desafio?

Eu procuro não pensar muito nessa responsabilidade, para acabar não me pressionando. Todo o processo de concepção do Frevália foi bem fluido e eu sempre fui fazendo tudo com calma e carinho. É assim que eu quero seguir. Tocar frevo o ano todo já me deixa feliz, poder oxigená-lo dessa forma é uma honra tremenda. Tem muito para crescer, para mostrar e para amadurecer.

Você já foi censurado pelas redes sociais algumas vezes por cenas de nudez em seus videoclipes. Como lida com isso?

Lidar com a censura foi algo que eu previ que poderia acontecer e aconteceu. Acho fundamental o artista se posicionar e trazer ao seu público questões importantes para serem discutidas. Isso engrandece tanto a mim quanto a eles. É uma troca. Vou estar sempre inquieto causando inquietações, alguns vão concordar, respeitar e somar… Outros não. Não dá para agradar a todo mundo.

As suas músicas possuem vários significados. Como é o processo de composição?

É bem louco! Qualquer lugar, fato, pessoa, objeto pode servir de inspiração. O compositor é muito observador. Eu sou observador e transformo tudo isso em música. Procuro sempre pensar no que o meu público vai ouvir. A música tem a função de formação social, então me preocupo com o que eu vou escrever  e como vou escrever.

Crédito: Lana Pinho/Divulgação

Você emplacou várias músicas em webséries e curtas-metragem. Quais foram os de maior destaque?

Com certeza é Ao fim. Ela foi tema de pelo menos cinco webséries e um curta. Isso trouxe fãs do país inteiro para o meu trabalho. Várias outras canções minhas fizeram parte de trilhas também. Eu fico super feliz vendo a música sendo plurissignificada dessa forma.

 Como surgiu o projeto Frevália? E a escolha dos artistas convidados teve uma seleção especial?

O Frevália surgiu em parceria com o meu sócio, o Maurício Spinelli. Sentimos a necessidade de ouvir o frevo tocando o ano inteiro e de mostrar novos frevos também. Daí nasceu o projeto. Os artistas convidados sempre tem algum link com o frevo e comigo. A gente vai arquitetando cada edição com muito cuidado e carinho.

Crédito: Lana Pinho/Divulgação

Tem novos planos para o Frevália?

Sim! Além da continuidade do projeto, quero transformá-lo em disco. Talvez até uma coletânea. Estamos amadurecendo isso. E o projeto vai circular pelo país esse ano também.

Quais as principais diferenças entre o álbum Arsênico e o projeto Frevália?

No Arsênico eu sou um cantautor, e no Frevália, eu sou quase todo intérprete. Embora sejam projetos diferentes, eles dialogam muito entre si, porque estão dentro do universo da música pop. O amor pelo frevo sempre foi grande e eu precisava de um projeto só para ele. Consequentemente, o Arsênico precisa existir por que traz um Romero genuíno, real, sem medo, aberto. Um complementa o outro.

Quais são os seus projetos para 2018?

Continuar o Frevália, expandindo-o ainda mais. E estou com o single novo pronto, para ser lançado agora em abril/maio, com clipe e tudo mais. Dando uma pista do que vem no próximo disco autoral!

Author: Thayse Boldrini

Compartilhe este post