Germana Soares, mãe de um dos bebês do primeiro grupo com microcefalia em Pernambuco, é fundadora da ONG União de Mães de Anjos

“Demorei seis anos para engravidar e minha maior vontade sempre foi ser mãe. Quando eu engravidei foi a maior felicidade do mundo. Guilherme foi o primeiro filho, neto, sobrinho, primeiro tudo na minha família. Eu queria apenas ser mãe e ver meu filho, independente de como ele viesse ao mundo. No começo é difícil acreditar. Você chora, se descabela, mas depois você aceita”. Foi assim que Germana Soares, ex-corretora de imóveis, definiu o momento que descobriu a chegada de Guilherme, portador de microcefalia. A pernambucana, de 26 anos, faz parte do grupo de primeiras mães com bebês com malformação cerebral confirmadas no estado, de acordo com o boletim da Secretaria Estadual de Saúde de 2016. 

Germana Soares mantém contato direto com grupos de mães que integram a ONG União Mães de Anjos – Crédito: Thalyta Tavares/Esp.DP

Germana cuida do pequeno Guilherme, 2 anos, e Giovana, 7 meses. “A gravidez de Giovana me pegou de surpresa, mas hoje eu compreendo a missão dela também. Só pelo fato dela existir, estimula Guilherme a evoluir. Somos um elo de três dobras”, declara. Atualmente, Germana se dedica ao trabalho voluntário. Fundadora da ONG União de Mães de Anjos (UMA), se define como empreendedora de responsabilidade social e respira inclusão social. “Esse é o meu trabalho, exige muito de mim e não me vejo mais fazendo outra coisa a não ser trabalhando pela UMA. É um portal de inclusão para todas as crianças que tem zika e pessoas com deficiência no geral. Essa geração de anjos veio com uma missão, que é descortinar todas as pessoas que têm deficiência e vivem na invisibilidade social”.

As lamentações não tomaram a vida de Germana, que logo começou a lutar pelo tratamento adequado ao filho. Quando Guilherme tinha um mês, eles estavam na fila de espera do exame eletroencefalograma no Hospital Oswaldo Cruz, local onde Germana conheceu Gleice, mãe da pequena Maria Giovana – também portadora de microcefalia -, e após trocarem contatos, criaram um grupo no Whatsapp reunindo mais seis mães – conhecidas em filas de exames – que também tinham filhos portadores de microcefalia.

Crédito: Thalyta Tavares/Esp.DP

O grupo virtual acabou se tornando um divisor de águas na vida delas e o pontapé inicial para o surgimento da ONG UMA, que atende mais de 400 famílias em todo o estado de Pernambuco há dois anos. Entre as conquistas do grupo, estão a aprovação da lei que disponibiliza anticonvulsivo gratuitamente para pessoas com deficiência no geral e a prioridade no recebimento das casas do projeto Minha Casa Minha Vida.  

Germana Soares. Crédito: Thalyta Tavares/Esp.DP

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