Entrevista: Pally Siqueira, a garota de Arcoverde que ganhou as telas da Globo

Pally Siqueira está no ar em Malhação como Amanda Garcia Crédito: And Marques

Pally Siqueira nasceu em Arcoverde, sertão de Pernambuco. O município com 72 mil habitantes fica a mais de 250 quilômetros da capital pernambucana e é berço de importantes expressões da cultura popular do estado. A cidade, que tem uma forte veia artística, foi sua morada por toda a infância e adolescência.  A ligação com terra natal é tão forte, que até hoje, mesmo morando longe, carrega no peito uma pedra do Vale do Catimbau – parque nacional que fica próximo a Arcoverde – como proteção. 

Quando criança, queria ser atriz. Nas brincadeiras com os amigos, Pally sempre criava espetáculos para se divertir. Mais tarde, aos 17 anos, mudou-se para o Recife a fim de iniciar os estudos em Psicologia, mas o destino a levou por um caminho totalmente diferente. Um dia, uma amiga a convenceu de fazer um teste para um longa-metragem que seria rodado na sua cidade-natal. Big Jato (2014) é baseado num livro homônimo escrito pelo jornalista Xicó Sá, em que o mesmo narra suas memórias. Foi dirigido pelo consagrado cineasta pernambucano Cláudio Assis (Amarelo Manga, 2002). Pally passou no teste e ganhou as telas dos cinemas do país com a personagem Ana Paula, uma garota recém-chegada da capital ao interior.

Em 2015, Pally mudou-se para o Rio de Janeiro e estreou sua primeira novela, Totalmente Demais, da TV Globo.  Na trama, Pally interpretava uma personagem do elenco de apoio, mas agora, a jovem passou a ganhar ainda mais notoriedade, no folhetim adolescente Malhação, trama que costuma revelar jovens talentos na emissora. No ano passado, a atriz passou para trás das câmeras e gravou um documentário sobre o samba de coco em Arcoverde, passando ainda pelas cidades de Tapaatinga e Buíque, todas no Sertão de Pernambuco.  Confira a entrevista com a atriz pernambucana:

O que levou a seguir a carreira de atriz?

Lembro que quando criança sim, fazia brincadeiras com os amigos, criávamos peças, espetáculos… na adolescência o sonho mudou e seguiu o caminho da música. Eu queria ser um estrela do rock, tive até uma banda e levávamos isso a sério, foi meu primeiro dinheiro com trabalho. Depois, no início da fase adulta, eu me dediquei ao curso de Psicologia, mas a gente não foge do nosso destino, né? O sonho de criança se tornou real e eu agarrei essa oportunidade.

Como está sendo a experiência de atuar em Malhação?

Fantástica. Tenho aprendido muito, como atriz e como ser humano. Sou muito grata a essa chance e oportunidade de mostrar meu trabalho. Sem contar que a equipe dessa fase de Malhação é um show à parte, trabalhamos em total harmonia, o tempo voa no set.

Agora você ganhou um papel de maior notoriedade na TV. Como está sendo lidar com o reconhecimento do público?

Fico muito feliz quando as pessoas me abordam na rua falando que se emocionaram com alguma cena minha, que conseguiram sentir o que a Amanda estava sentindo… isso pra mim não tem valor, esse reconhecimento e carinho do público me motivam a cada minuto.

Pally Siqueira como Amanda, em Malhação – Crédito: Joao Cotta/Globo/Divulgação

A fama pode incomodar?

Tudo na vida tem duas facetas, acredito nesse duo. O segredo ao meu ver é o equilíbrio e o quanto de importância você dá para as coisas. Não parei para pensar em fama, penso no resultado do meu trabalho, do que quero passar para o público. Fama é consequência de algo, quando ela de fato chegar e se por um acaso se tornar um incômodo, eu tentarei lidar da melhor forma.

Você nasceu em Arcoverde, sertão do estado, mas mora fora há oito anos. O que você ainda carrega da sua cidade natal?

Levo comigo uma pedra do Catimbau pendurada em um cordão no meu pescoço, como proteção. E na memória e no coração carrego todos os ensinamentos e amor que recebi a minha vida inteira morando em Arcoverde.

No ano passado, você lançou documentário sobre o samba de coco, produzido em parceria com seu ex-namorado Fábio Assunção. Qual a importância de gravar sobre a cultura da sua terra?

O samba de coco tem uma relevância e um peso histórico e cultural imensurável. Isso tem que ser mostrado, pois é uma manifestação artística que muitos desconhecem. Fazer esse documentário, está sendo de suma importância para mim, como profissional, pois é minha primeira direção e também porque acredito que esse documentário se torne de certa forma um documento histórico pois nele são abordadas questões sociais, epistemológicas, geográficas e culturais. Meu desejo é que, em um futuro breve, eu consiga distribuí-lo nas escolas públicas, não só de Arcoverde, mas do estado e quiçá em âmbito nacional.

Pally interpretou a personagem Bárbara – Crédito: Rede Globo/Divulgação

Você iniciou sua carreira no cinema com o filme Big Jato, de Cláudio Assis. Há planos de voltar a fazer cinema?

Amooooo cinema! Quero voltar às telonas o mais breve possível. Mas agora estou focada na Malhação.

Um dos seus hobbies é a pintura. Você sempre gostou de pintar?

No início era um hobby sim, mas já faz um tempo que a pintura se tornou trabalho para mim. Minha relação com os papéis, lápis e tintas é antiga, não consigo me recordar de quando começou, então posso dizer sim que sempre gostei de pintar. Nas horas mais inusitadas, inapropriadas e inesperadas que vocês possam imaginar, eu tenho vontade de pintar. Por isso, carrego comigo sempre um caderno e um conjunto de aquarela e pincéis.

O que inspira Pally como artista?

 As trocas e relações humanas, isso me move e me inspira constantemente. 

Author: Bettina Novaes

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