Mari Bigio, a contadora de histórias que encanta crianças com literatura de cordel

Mariane Bigio – escritora, contadora de Histórias, cantora e radialista, encanta crianças com sua contação de histórias – Crédito: Camila Pifano/Esp. DP

A proposta do contador de histórias que domina o universo infantil não é entregar uma história pronta. Ao contrário, é fazer com que o público use a própria imaginação. Para que essa magia aconteça na cabeça de cada um, segundo Mariane Bigio – escritora, contadora de histórias, cantora e radialista – vale tudo: recursos visuais, objetos e instrumentos musicais.“Eu lanço mão de muitos recursos como teatro de bonecos, teatro de sombras e mamulengos. Também tenho um cuidado com o figurino, cenário, elementos de cena. A gente dinamiza a nossa apresentação – mistura as histórias com música e sonoplastia ao vivo”, explicou.

Mari Bigio é mãe do pequeno Jorge, de 4 meses – Crédito: Camila Pifano/Esp. DP

Para se ter uma ideia, o contador de histórias é uma figura ancestral, presente no imaginário de inúmeras gerações ao longo da história. O narrador oral é ainda mais antigo, remontando historicamente à antiguidade greco-romana, na figura dos bardos, responsáveis pela transmissão de histórias, lendas e poemas orais na forma de canções. Quanto mais desconhecido era o mundo em que se vivia, maior necessidade se tinha de povoar este universo com imagens que pudessem, ao mesmo tempo, educar e fortalecer a coragem, predispondo as pessoas a enfrentarem os monstros, dragões e demônios que habitavam suas mentes.

Crédito:Divulgação/marianebigio.com

Os contadores de histórias têm o papel de estimular a criatividade e a capacidade da imaginação. Aos 30 anos, Mariane tem o desafio de proferir histórias como sua missão de vida. A literatura de cordel é seu principal instrumento de trabalho. “Contar histórias e trabalhar com literatura de cordel – uma literatura de tradição – com esse público que está cada vez mais ligado aos recursos tecnológicos e a todo tipo de conteúdo não é fácil”, conta Mari. A contadora de histórias infantis afirma que hoje, mais do que nunca, é necessário investir em recursos que proporcionem dinamismo à sua apresentação. “Por isso que precisamos de um espetáculo tão dinâmico, que misture vários elementos – que traga o cordel, mas de uma maneira contada de uma forma diferente e espontânea – com inserções de improviso e todos recursos disponíveis”, completou.

Mari Bigio – Crédito: Camila Pifano/Esp. DP

Crédito: Camila Pifano/Esp. DP

Mari Bigio teve sua coletânea de cordéis premiada em 2012 pelo Ministério da Cultura e forma com sua irmã, Milla Bigio, a dupla Cordel Animado. “Eu escrevo os cordéis e os narro enquanto Milla toma conta da sonoplastia, da ambiência e da trilha sonora dessas histórias – tudo isso ao vivo – com instrumentos musicais como percussão, violão e os mais diversos materiais para criar uma atmosfera pra essas histórias que eu conto”. O interesse pela produção de cordel direcionado ao público infantil surgiu após um convite para ministrar uma oficina para crianças. “ Eu me vi desafiada a produzir um material específico para esse público. Nessa época, eu conhecia pouquíssimas pessoas que trabalhavam com cordel especificamente para crianças”, afirma. “Foi aí que eu comecei a esboçar meus primeiros versos e meus primeiros cordéis infantis. Ministrei essa oficina e depois foram aparecendo mais convites e comecei a produzir mais cordéis. Em 2012, no lançamento da minha primeira coletânea de cordéis infantis, me apresentei com a minha irmã, e foi aí que nasceu o Cordel Animado, nosso projeto de contação de histórias”, lembra.

Crédito: Camila Pifano/Esp. DP

Crédito: Camila Pifano/Esp. DP

Além do desafio de ser uma contadora de história como profissão, Mari também tem que conciliar seu papel de mãe do pequeno Jorge, de 4 meses, e esposa. “É realmente muito desafiador você trabalhar, ser artista e trabalhar fora e ter uma família, ter filhos – ainda mais tão pequeno. Mas eu tenho uma rede de apoio muito bacana, então eu divido sempre o cuidado do Jorge com meu esposo, Diego, e com minha sogra”. Ela conta que o esforço é muito bem recompensado ao observar o retorno das crianças e pais que assistem suas apresentações. “Tudo isso me traz uma motivação muito grande pra continuar fazendo esse trabalho. É maravilhoso, eu me sinto muito grata quando eu vejo um público, uma platéia cheia de crianças de todas as idades e adultos prestando atenção e curtindo nosso espetáculo.

Crédito: Camila Pifano/Esp. DP

O Cordel Animado também se tornou material de apoio para educadores espalhados pelo país. “Tenho professores que compram os cordéis pra trabalhar em sala de aula com os alunos, que são de São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul –  locais que a literatura consegue alcançar graças a internet. Eu não vou até lá, mas o que eu escrevo vai, meus vídeos vão. Inclusive, eu já fiz oficinas de cordel virtualmente – tenho material preparado pra atender escolas de longe. Eu também faço vídeo aulas e consigo me conectar com um público de crianças do país todo”, revelou.

Para a escritora e cordelista, a melhor parte de trabalhar com crianças é a sinceridade que elas carregam. “Quando a gente se apresenta, podemos ver na hora  se aquela história tá dando certo, se as crinaças estão gostando da apresentação, se a energia tá boa… Os pequenos são muito transparentes. É gostoso e divertido, mas ao mesmo tempo eles são muito exigentes”. 

Quer ouvir uma história contada por Mari Bigio? Clica no play:


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