FITO faz pré-estreia encantadora no Recife
Quem nunca sofreu de aguda nostalgia relacionada diretamente ao universo lúdico da infância talvez não consiga entender o FITO. Mas, como a saudade dos tempos em que objetos ganhavam vida é bênção e maldição estendida a todos, o Festival Internacional de Teatro de Objetos também é para qualquer um que esteja disposto a deixar emergir essa inocente sensibilidade. Durante sua pré-estreia, realizada nesta quinta, na Fiepe, o FITO mostrou por que veio. E se chegou de mansinho, já pedindo pra ficar. Pelas batidas do percussionista Naná Vasconcelos, a performance Guarda-Som deixou o público embasbacado.
O Festival Internacional de Teatro de Objetos acontece neste fim de semana na capital pernambucana. Entre a sexta e o domingo, serão 60 apresentações de sete diferentes países – França, Israel, Argentina, Bélgica, Portugal, Alemanha e Brasil. Toda a programação se desenrolará no Marco Zero, sempre a partir das 16h – da sexta ao domingo – com entrada gratuita. Embora algumas performances sejam voltadas ao público adulto, quase toda a grade é aberta a quaisquer faixas etárias. Uma ótima dica para os próximos dias.
A noite desta quinta foi dedicada a mostrar a uma lista de convidados uma pequena amostra daquilo a que se destina o festival. Sua idealizadora, Lina Rosa, define o FITO como sendo um convite de retorno ao nosso universo imaginário. Através dele, é possível conceber o improvável, que estará latente nos espetáculos do catálogo – um bailarino que dança com uma retroescavadeira, uma Barbie que vira heroína de Shakespeare, pregadores de cozinha carregados de poesia e dois copos que se apaixonam. “A ideia é mostrar o objeto em sua função de sujeito, personagem”, nos contou Lina Rosa.
No palco da Fiepe, um personagem (humano) fictício, o Dr. Cacarecos cumpriu o papel de mestre de cerimônia e comandou a organização do espetáculo. O públoico assistiu a um documentário narrando a história do FITO e mostrando seu efeito sobre as pessoas. No vídeo, a dica para compreender os enredos do festival: “Olhar atentamente, demoradamente, pacientemente”. Em seguida, vieram as duas apresentações de abertura: Naná Vasconcelos, com a performance Guarda-Som, e a companhia portuguesa Shakespeare Women Company, com a performance Tempestade em Copo D’água.
Naná provou por que é considerado o maior percussionista do mundo. Com um armário e todos os objetos afins – de cabides a gavetas – Naná deixou a plateia arrepiada ao fazer música com batidas cadenciadas. Ao seu lado, alguns músicos munidos de instrumentos e uma dupla de bailarinas que o ajudavam na percussão. Em algumas passagens, bastava apenas arrastar o chinelo com ritmo no chão do palco, para que Naná levasse os convidados aos aplausos calorosos.
A conclusão da pré-estreia foi: vale a pena reservar um espacinho na agenda do fim de semana para o FITO. Nem que seja para experimentar, em ao menos um espetáculo, os efeitos que os objetos podem provocar ao ganhar vida. Palmas a Lina Rosa pela sensibilidade em idealizar tal movimento. E palmas a Naná, por musicar a noite no Recife com talento e astral dignos dos muitos aplausos que recebeu.
Entre os convidados da noite, nomes ligados ao cenário artístico e empresarial de nosso estado. A cantora Karynna Spinelli, seu marido Lucas dos Prazeres, o ator Leidson Ferraz, o Superintendente do SESI, Ernane Aguiar, André Brasileiro, Xuruca Pachêco, Thiago Megale e Jorge Corte Real, à frente da FIEPE. Veja alguns cliques:










