Emoção e delicadeza em recital com Bethânia
Nem as vais, muito menos as reclamações tiraram o brilho da voz suave, da emoção e da delicadeza de Maria Bethânia na noite de abertura da Fliporto nesta quinta-feira. Foi de encher os olhos de lágrimas acompanhar cada gesto da cantora, que ali estava no palco do Espaço Literário para um recital com lindos versos de Fernando Pessoa, Carlos Drummond de Andrade, Guimarães Rosa, Manuel Bandeira,entre tantos outros, acompanhada por dois músicos.

O curador do evento, Antônio Campos, pediu desculpas ao público pelo atraso - Crédito: Annaclarice Almeida/DP/D.A Press
Mas, antes de dar início à noite, Bethânia teve que lidar com a inquietação do público. Mas, nada que não fosse explicado pelo curador Antônio Campos, que fez questão de deixar bem claro em um breve discurso que a ‘culpa do horário teria sido toda dele’. “A abertura dos portões estava marcada para às 19h e o recital programado para às 20h30. Em respeito ao público que chegou cedo ao local e já está acomodado, vamos antecipar para às 20h”, explicou o curador.
Bethânia, por sua vez, se antecipou, e lá estava ela, às 19h51, com o seu ‘exercício de delicadeza’. “Infelizmente, tivemos uma confusão de horários. Estou aqui desde às 16h (quando passou o som). Escutei um barulho e decidi me antecipar com vocês. Mais careta que eu com horário não pode existir”, disse aos fãs. “Vim ao Recife por achar o evento muito importante para o Brasil inteiro. Esta festa é nobre”, completou a cantora. Aclamada, empolgou o público que somava mais de 500 pessoas, sem contar a multidão que se aglomerou na Praça do Carmo para assistir a transmissão através de telões.
Bethânia e as palavras explora o lado interpretativo da cantora. O espetáculo mescla leitura e música, com canções pouco usuais no repertório de Bethânia, mas que marcaram sua trajetória. “É uma honra para mim ser convidada com minha humilde leitura poética para este evento”, disse. Em cada verso, um gesto, uma entonação diferente, harmonizados com a suavidade de sua voz intercalada com canções como ABC do Sertão (Luiz Gonzaga), Último Pau de Arara, Marinheiro Só, Dança da Solidão. O projeto surgiu através de um pedido da Universidade Federal de Minas Gerais, inicialmente pensado para casas de ensino e valorização da poesia nas escolas. Após recitar um poema de Nestor de Oliveira, que foi seu professor e do irmão Caetano Veloso, em uma escola pública, Bethânia agradeceu os aplausos e levantou a bandeira. “Eu fico muito emocionada, porque ele ensinou a gente a ler, ouvir e dizer poesia. Isso serve para mostrar que pode sim, ter uma boa educação nas escolas públicas brasileiras”.
Após mais de uma hora com o texto em mãos, a filha de Dona Canô, tirou os óculos do rosto e se despediu do público. “Leitura não tem bis. Mas estou tão feliz que vou improvisar”. Pois é, quebrou o protocolo finalizando com Reconvexo. Na plateia, estavam os ministros Fernando Bezerra Coelho e Ana Arraes, o vice-governador João Lyra Neto com sua Leila Queiroz, o prefeito de Olinda, Renildo Calheiros com sua Eveline Amaral, os secretários André Correia e Alberto Feitosa, Henrique Mariano, Rita Tristão, Amelinha Peixoto, Paula Meira, Mário Baô, André Carício, Diogo Viana, Armando Pugliese, além do diretor de teatro José Possi Neto e das atrizes Lucélia Santos e Christiane Torloni.

O vice-governador João Lyra com sua Leila Queiroz e o prefeito de Olinda Renildo Calheiros com sua Eveline Amaral - Crédito: Annaclarice Almeida/DP/D.A Press













