Fagner e Alceu nos cem anos de Gonzagão
Nesta quinta, 13 de dezembro, Luiz Gonzaga do Nascimento completaria 100 anos de vida. Também conhecido como Rei do Baião, Mestre do Forró, Embaixador do Sertão, Rei Lua, Gonzagão, Pernambuco e Bico de Aço, Gonzaga recebeu dos pernambucanos a presença massiva na Praça do Arsenal, onde um time de artistas comemorou o seu centenário. Nem parecia véspera de um dia comum de trabalho. A aglomeração em torno do palco tinha tudo do clima de Recife Antigo em pleno carnaval. E foi por lá que os dois artistas mais esperados da noite, Fagner e Alceu Valença, comandaram os festejos em honra ao aniversariante ilustre.
Desde às 2oh, a festa já rolava por lá, com apresentações de Derico Alves, Karolinas com K, Ed Carlos, Sevy Nascimento, Carlinhos Monteverde, Fabiana, Cilene Araújo, Marcelo de Feira Nova e Duda da Passira. Somente por volta das 22h o cearense Fagner subiu ao palco, onde relembrou a importância do Rei do Baião para nossa cultura. “Obrigado por estarem aqui comemorando o centenário desse grande homem, que eu tive a felicidade de conhecer”, lembrou. Além das justas homenagens, Fagner entoou hits de sua própria carreira, como Cartaz, Canteiros, Retrovisor e Noturno. Muitos casais aproveitaram o clima romântico para dançarem coladinhos e arriscarem coreografias sincronizadas para as letras de Fagner.
Confira alguns trechos:
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Após a despedida de Fagner e um intervalo de cerca de meia hora, enquanto os instrumentos eram ajustados no palco, Alceu Valença assumiu o comando da noite. Sem dúvidas, era o mais esperado. O público que havia aproveitado a pausa para dar uma volta ao redor da Praça do Arsenal, garimpando petiscos e bebidas, retornou de imediato às margens do palco. O número de pessoas dava até a impressão de estar multiplicado assim que Alceu entrou em cena com a primeira da sua performance: Embolada do Tempo.
Confira alguns trechos:
Na sua já costumeira conversa bem humorada com a plateia, Alceu lembrou de episódios de sua carreira que se cruzaram com a carreira de Luiz Gonzaga. Segundo ele, teve medo que o Rei do Baião rejeitasse seus instrumentos elétricos na interpretação de nosso forró. Mas, ao contrário do que temia, Gonzaga aprovou seu show e ainda lhe pediu que fizesse uma música sob encomenda. A música foi feita, mas Alceu preferiu não cantá-la esta noite. Em seu lugar, uma lista de homenagens ao Lua, com clássicos como Xote das Meninas, Baião e Cintura Fina. Seus próprios hits, como La Belle Du Jour, Morena Tropicana e Rouge Carmin também tiveram lugar garantido no repertório – acompanhado em coro absoluto pela multidão.
Quem se encarregou de encerrar a noite foi Targino Gondim, que deveria subir ao palco por volta das 2h da madrugada. No entorno do Arsenal, o movimento era tranquilo. Até mesmo na multidão não se via tumultos. No alto do palco montado pela Fundarpe, lia-se: Saudade, o meu remédio é cantar! E sendo assim, a lacuna deixada por Gonzaga na música brasileira teve sua saudade um pouco mais remediada esta noite. Afinal, aqui na capital pernambucana, milhares de vozes deram corpo e vida à sua obra imortal.



