A triste situação da bela capital argentina
Fotos: Sheila Wanderley
É impressionante a decadência da bela capital argentina, mostrando claramente a crise que vive o país, às voltas com mau governo, com a economia às voltas com a inflação de 25% ao ano. No final de semana que passei lá, só ouvi reclamações sobre a presidente Cristina Kirchner. E os saques que estão acontecendo neste final de semana revelam a insatisfação completa da população com a presidente.
A decadência começa pela Calle Florida, um dos principais cartões postais da cidade. Está cheia de buracos, muita gente dormindo nas calçadas, uma invasão de camelôs e muitas lojas fechadas. Escapa apenas da Galeria Pacifico, com suas belas lojas e uma linda decoração natalina.
Não só no centro, mas em toda parte por onda andei, o lixo impressiona, um visual horrível. Dizem que é por culpa de uma briga entre o governo federal e a Prefeitura da cidade. Problema que também gera uma enorme favela, em crescimento constante, perto da estação ferroviária, bem no centro.
Com a inflação, a cidade tornou-se muito cara para os brasileiros. Mesmo com o câmbio em que um real compra dois pesos, artigos de couro e roupas, principais atrativos para os brasileiros, estão com preços proibitivos. Um exemplo: um bom par de sapatos não fica por menos de R$ 500.
As exceções ficam com os táxis, ainda baratos e a comida. Num restaurante médio, pode-se comer uma boa carne por R$ 50 por pessoa. Entre os restaurantes que fui conhecer, um fantástico, que o cônsul Alejandro Hurtado me indicou, o Fervot, na Recoleta, antigo, com excelente comida e bom serviço.
Os bairros da Recoleta e Puerto Madero ainda conseguem sobreviver à crise, com suas lojas, restaurantes e boates de bom nível, mas sem o movimento que eu sempre observada nas muitas vezes em que estive na cidade. Os muitos shoppings da cidade ainda têm bom movimento, mas nota-se a falta de artigos importados, proibidos pelo governo.
Um resultado claro da situação está no pequeno número de brasileiros que encontrei nas ruas. Nada daquela invasão que sempre acontecia, com o português falado em toda parte, as lojas lotadas, todo mundo circulando com muitas sacolas de compras nas mãos.





