João Lyra Neto é o novo governador de Pernambuco

Crédito: Nando Chiappetta/DP/D.A Press.

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À frente do Governo de Pernambuco há sete anos e três meses, Eduardo Campos renunciou para alçar voos mais altos. Como já se sabe, será candidato à Presidência da República. Na tarde desta sexta-feira, ele participou de solenidades para a transmissão do cargo a João Lyra Neto, seu vice, até então. A despedida foi regada à emoção e a promessas.

Políticos e familiares - Crédito: Nando Chiappetta/DP/D.A Press.

Políticos e familiares – Crédito: Nando Chiappetta/DP/D.A Press.

A cerimônia foi iniciada na Assembleia Legislativa do estado, onde personalidades políticas e familiares das autoridades acompanharam toda a transição. Depois, todos seguiram para o Palácio do Campo das Princesas. Por lá, um palco montado e público, tudo de que políticos, em especial, gostam. Na bancada de honra, grandes nomes do estado, a exemplo de Jarbas Vasconcelos, Mendonça Filho, Joaquim Francisco, Geraldo Julio, Ariano Suassuna, Ricardo Brennand e muitos outros. Na plateia, muitos recifenses e representantes de vários municípios do estado.

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Foi em frente à Praça da República, lugar extremamente simbólico no que diz respeito à história do Recife e da ditadura militar no Brasil, que Eduardo assinou o termo de transmissão do cargo ao vice. A solenidade foi introduzida pelos versos do poeta Antônio Marinho, que exaltou os feitos de Eduardo durante os dois mandatos. “Você, hoje, também sai, não pela força dos fuzis, mas pelo futuro urgente que chama o nosso país”, disse, em referência ao modo como Miguel Arraes, avô de Eduardo, foi obrigado a renunciar.

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João Lyra Neto, governador de Pernambuco – Crédito: Nando Chiappetta/DP/D.A Press.

Ainda não habituados à mudança, o presidenciável e todos os presentes se confundiram quando chamaram o “governador” para discursar. Lyra e Campos se entreolharam, riram, e o atual governador assumiu a palavra. Ele iniciou o discurso com uma brincadeira em relação à pequena confusão do início, “Com a autoridade que a assembleia me deu, acho que posso quebrar o protocolo e falar primeiro”, disse.

Miguel Arraes foi lembrado em vários momentos. Lyra falou que toda a história de mudança começou em 1959, quando seu pai foi prefeito de Caruaru, e Arraes do Recife. “Aí começamos, a história começou há 55 atrás, com tantas lutas, vitórias, sacrifícios”, enfatizou. O governador falou, ainda, da alegria do momento e que está de consciência tranquila porque Eduardo cumpriu todo o prometido. “Vou continuar com o que começamos”, prometeu, e reforçou o apoio à candidatura do amigo a presidente: “Este país precisa de um novo pacto federativo”.

Eduardo Campos deixa o governo do estado para disputar a presidência - Crédito: Nando Chiappetta/DP/D.A Press.

Eduardo Campos deixa o governo do estado para disputar a presidência – Crédito: Nando Chiappetta/DP/D.A Press.

Eduardo começou a discursar claramente emocionado, o que se percebeu ainda mais quando falou sobre a família. “Há 50 anos, em 1º de abril de 1964, o governador Miguel Arraes deixava este Palácio sob escolta militar, em direção à prisão e, depois,  ao presídio, por se recusar  renunciar ao mandato que lhe foi outorgado pelo voto democrático dos pernambucanos. Arraes saiu pela porta da frente e por ela voltou por mais duas vezes, nos braços do povo, que, com alegria, lhe devolveu o mandato. Hoje, depois de dois mandatos, deixo o Palácio do Campo das Princesas pela mesma porta da frente, rumo a novas lutas, às quais me levam compromissos sociais, históricos e políticos que assumi desde sempre na minha vida”, iniciou.

O ex-governador relembrou trechos do discurso que fez em 2006 e, logo sem seguida, fez agradecimentos a seus familiares, em especial à esposa, Renata Campos, a quem definiu como “Exemplo de fibra, lealdade e coragem de encarar a vida”. Depois, o discurso foi ficando cada vez mais acalorado e, obviamente, houve o momento das críticas ao Governo Federal. “O Brasil depara-se com o sentimento de que o ciclo de modernização econômica e social precisa se renovar. Percebe-se um desejo forte como salto de qualidade na vida nacional. Há um sentimento generalizado de que o país, depois de um período de avanços sociais e econômicos, parou de melhorar”, e continuou dizendo que o país perdeu espaço para países de outros continentes e da própria América do Sul.

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Eduardo citou a parceria com Marina e reforçou o modelo de gestão que pretende expandir ao Brasil caso seja eleito. Enfatizou, ainda, a força de Pernambuco quando se fala em movimentos sociais, relembrou as revoluções que fizeram do povo pernambucano altivo: Revolução Pernambucana, Confederação do Equador e Revolução Praieira, além dos protestos que levaram o povo às ruas em junho do ano passado. Completou dizendo: “Sei que Pernambuco novamente vai ajudar o Brasil a encontrar novos caminhos”.

Encerrado o discurso, Eduardo saiu do Palácio com a família dirigindo o carro do filho João, seguiu para sua casa, em Dois Irmãos, onde recebeu amigos para um jantar. Depois, foi a vez do governador receber os cumprimentos no jardim do Palácio, momento em que a situação ficou um pouco complicada, tamanha foi a quantidade de pessoas que fizeram questão de falar com João Lyra. Em poucos minutos, uma enorme fila podia ser vista. Sem seguranças em volta, o governador e a primeira-dama, Leila, pareciam um pouco assustados com a quantidade de gente, mas logo contornaram e foram recebendo todos. A festa seguiu com manifestações culturais tipicamente pernambucanas e, em especial, caruarenses, já que o novo governador nasceu na cidade.

Crédito:

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Author: Gabriella Autran

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