Uma excelente comentário sobre a seleção

 

De todos os comentários que saíram sobre a vergonhosa derrota do Brasil, um dos mais lúcidos que li foi este, feito pela equipe da revista Exame. Vale a pena ler:

” Foram seis jogos. Faltava só um para o Brasil ser hexacampeão do mundo e exorcizar o estigma da derrota em casa da Copa do Mundo de 1950. Mas não deu, e foi da pior maneira possível.

O Brasil foi eliminado nesta terça-feira pela Alemanha na mais humilhante derrota da história do Brasil nas Copas. Em menos de 30 minutos de jogo, a seleção brasileira tomou 5 gols em um completo “apagão”. O jogo ficou em 7 a 1.

A derrota com este placar foi uma surpresa e um vexame, mas já havia indícios anteriores de que o final para a seleção não seria exatamente feliz.

EXAME.com reuniu alguns indícios de que a taça realmente não cairia em nossas mãos, apesar de toda torcida do povo brasileiro.

1. A perda de Neymar

A falta de jogadores de destaque no time já era preocupante antes da lesão de Neymar, que brilhava sozinho na seleção. Há 12 anos, no último título, a equipe tinha três jogadores considerados excepcionais: Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo e Rivaldo.

Naquele ano, batemos a Alemanha na final e levamos o pentacampeonato para casa. Em 2014, sem Neymar e sem Thiago Silva, fora do jogo por ter levado dois cartões amarelos, ficou difícil (o que não serve de desculpa para toda desorientação do time na partida de hoje, claro).

Neymar marcou 4 gols e chegou a constar entre os artilheiros da Copa até as quartas de final, atrás apenas de James Rodríguez (Colômbia) – e agora também atrás de Muller. Ele já não havia jogado grande coisa contra Colômbia e Chile, é verdade, mas quem garante como se comportaria no jogo de hoje?

2. A “maldição” da Copa das Confederações

Outra ponto que contava contra o Brasil nessa Copa do Mundo era a estatística. Desde que a Copa das Confederações passou a ser organizada, em 1992 (embora com um formato e frequência diferentes da atual), nenhum país que a venceu conquistou também a taça na Copa do Mundo seguinte.

Foi assim, por exemplo, em 2005 e em 2009, quando o Brasil foi campeão das Confederações, mas não levou o título de campeão do mundo nos anos seguintes. Itália, em 2006, e Espanha, em 2010, foram as seleções vitoriosas.

3. A questão do controle emocional

No jogo contra o Chile, os jogadores brasileiros choraram antes de entrar em campo, na hora do hino, antes e depois dos pênaltis decisivos. Thiago Silva, Neymar, David Luiz e até Felipão. A emoção dominou o time todo e levantou um debate nacional sobre o preparo emocional da equipe. As maiores críticas recaíram sobre o capitão Thiago Silva, que pediu para ser o último a fazer a cobrança dos pênaltis naquele jogo e teve seu papel como líder da equipe questionado.

4.  Menos treino

De acordo com levantamento feito pelo UOL, nenhuma seleção teve três dias livres durante a competição como a seleção brasileira.

Além de treinar menos, quando treinou a seleção pegou leve. Depois do jogo contra o Chile, os jogadores folgaram no domingo, e na segunda e na terça só os reservas foram ao gramado, enquanto os titulares faziam trabalhos na academia.

 5. Alemanha veio melhor para o jogo

Embora o Brasil liderasse o histórico de confrontos diretos – com 12 vitórias contra 4, nos 21 jogos disputados -, a Alemanha teve melhor desempenho na Copa 2014 na avaliação de vários comentaristas e analistas.

Ocupando o segundo lugar no ranking da Fifa antes do jogo decisivo, a equipe estava uma posição à frente do Brasil.

Enquanto os brasileiros cometeram 96 faltas e receberam 10 cartões amarelos, os alemães apresentaram jogo menos violento, com 57 faltas e apenas 4 amarelos. Antes do embate, a Alemanha também correu mais em campo que o Brasil (576,7 km contra 533,9 km); fez passes mais precisos (2.938 contra 1.816) e foi mais efetiva nas finalizações (80% contra 70%).

Mas vale dizer mais uma vez: ninguém esperava esse placar.

6. Brasil já não havia chegado classificado ao último jogo da fase de grupos

Já era um mal sinal o desempenho do Brasil na fase de grupos. A campanha da seleção na primeira fase não emocionou ninguém.

Era improvável, mas o Brasil correu o risco de cair logo na 1ª fase da Copa se perdesse para Camarões.

 

7. Pressão de jogar em casa pode ter contribuído

Ainda com a sombra do Maracanazo, a seleção brasileira pode ter sido vítima da pressão de jogar em casa.

 

8. Jogadores que brilharam em 2013 não jogaram bem (principalmente Fred)

Quem viu a seleção jogando a Copa das Confederações no ano passado se espantou com o futebol apresentado agora no mundial. Desacreditada em 2013, a equipe brasileira retomou a confiança da torcida e elevou as expectativas para a conquista do hexa em casa.

A campanha mais fraca este ano pode ser explicada pela má fase de jogadores que foram essenciais no ano passado, como Paulinho, Oscar e Fred.

Este último foi o caso mais emblemático, depois de ser artilheiro da Copa das Confederações com cinco gols, ao lado do espanhol Fernando Torres. Após o jogo contra o Chile, Fred foi eleito pela torcida como pior jogador da seleção,segundo Datafolha.

9. Arbitragem “inimiga”

Após as críticas sobre a atuação do árbitro japonês Yuichi Nishimura no jogo contra a Croácia, jogadores e o técnico Felipão reclamaram que os juízes começaram a pesar no apito na direção contrária. Depois do jogo contra o Chile, o treinador soltou o verbo em coletiva e reclamou de faltas não marcadas principalmente contra o jogador Neymar. As reclamações foram reforçadas após a lesão na coluna que tirou o jogador da Copa no jogo contra a Colômbia.

10. Falta de concentração

A alegria e bom humor sempre foram características presentes na Seleção Brasileira. Mas nessa Copa os jogadores parecem ter levado a descontração a outro nível. Andaram de bicicleta, quadriciclo, e encheram as redes sociais com fotos da Granja Comary – mesmo quando Felipão fechou os portões ao público em busca de privacidade durante a concentração.”

 

 

Author: João Alberto

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