Rômulo Menezes no Estadão

Ariuano Suassuna e Rômulo Meneses -  Crédito : Nando Chiappetta/DP/D.A Press

Ariano Suassuna e Rômulo Meneses – Crédito : Nando Chiappetta/DP/D.A Press

Rômulo Menezes concedeu esta entrevista à colunista Sonia Ricy no Estado de São Pualo, sobre o Galo da Madrugada

“O primeiro Galo da Madrugada sem a presença de Eduardo Campos sai hoje, em Recife, e deve reunir mais de 2 milhões de pessoas. Maior bloco de carnaval de rua do mundo (presente até no Guinness), ele completa 37 anos de folia 100% democrática. Rômulo Meneses, presidente do grupo, conversou com a coluna sobre a falta que o ex-governador faz e a emoção de ver um “mar de gente” nas ruas.

Como organizar uma festa desse tamanho?
Antes mesmo de o Galo sair já estamos pensando na festa do ano seguinte. Precisamos de 4 mil pessoas no apoio. Apenas nos trios elétricos, que são 30, são mais de 800 profissionais. É gente que só!

Esperava que o Galo tomasse a dimensão que tomou?
Jamais. Até brinco com os amigos que, se soubesse que ia dar nisso, nem teria começado! (risos) O bloco nasceu com uma missão simples: resgatar o carnaval de rua de Pernambuco. Éramos 75 almas penadas (foi esse o tema do primeiro desfile), em 1978. Hoje, reunimos mais de 2 milhões de pessoas, estamos até no Guinness. Uma loucura.

Galo da Madrugada 2015 -  Crédito: Ricardo Fernandes/DP/D.A Press

Galo da Madrugada 2015 – Crédito: Ricardo Fernandes/DP/D.A Press

Este é o primeiro Galo sem Eduardo Campos. Ele fará falta?
Eduardo faz muita falta, não só para Pernambuco, mas para o Brasil. Ele representa o espírito de luta do povo brasileiro, principalmente o pernambucano, que sempre se mostrou – desde o século 17, na Batalha dos Guararapes.

Haverá homenagem?

Vamos fazer um tributo bonito ao Eduardo. Será um carro chamado Leões do Norte – Imortais, imortais. Além dele, que era muito ativo no Galo, grande folião e nos ajudava muito, também homenagearemos Luiz Gonzaga e Ariano Suassuna.

Do que mais gosta no carnaval de rua do Galo?
Emociona assistir à multidão. Mas legal mesmo é ver que ninguém fala “eu vou ver o Galo”. Todos dizem “eu vou sair no Galo”, independentemente de se misturar por entre o povo ou observar o mar de gente do alto dos prédios. Existe uma sensação de pertencimento que vai além disso. É o que faz o Galo ser o que é.

Vem gente até de outros países para sair no bloco?
De tudo que é canto. Da Europa, dos Estados Unidos. Ano passado, uma equipe da NHK, a TV japonesa, passou um mês inteirinho aqui, gravando os preparativos do Galo.

Acha que o carnaval de rua se ‘camarotizou’ demais nos últimos anos, com todos aqueles cordões de isolamento, áreas VIPs, abadás caríssimos?
O bom do carnaval é a participação popular. Claro que, com o passar dos anos, a gente também criou camarote, carros de apoio vendidos, mas nossa razão de ser é absolutamente democrática. Vendemos, sim, camisetas – temos loja online, com uma série de produtos –, mas ninguém precisa comprar nada para ir atrás do Galo. A animação é free. É só querer e ter saúde.(risos)

Author: João Alberto

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