Sociedade entrevista e João Alberto responde
João Alberto é daqueles profissionais completos, que já “bebeu” das várias fontes do jornalismo. Nos seus mais de 45 anos de estrada, trabalhou em rádio, televisão, impresso e internet. Fez de tudo um pouco. Agregou e conquistou uma legião de amigos, admiradores, fontes e, principalmente, respeito pelo trabalho sério que vem fazendo todo este tempo. Hoje, quando lança a 34ª edição do seu livro Sociedade Pernambucana, fizemos uma inversão nos papéis. Ele passou de entrevistador a entrevistado e respondeu as perguntas de pessoas de destaque na sociedade sobre o seu dia a dia e sua experiência pessoal e profissional. Confira:
Ennio Benning, secretário de imprensa do estado:
1 – De qual “furo” você sente maior orgulho?
Na verdade, consigo, graças a Deus, dar furos todos os dias, é uma rotina. Nestes anos, foram tantos, que eu não destacaria um. Tenho orgulho de muitos. Talvez valesse a pena lembrar o primeiro, que foi a vinda da Rainha Elizabeth ao Recife. A notícia me foi dada por Zózimo Barrozo do Amaral, colunista com que eu tinha estagiado no Jornal do Brasil.
2 – O que diria para um jornalista que está começando e gostaria de trabalhar no colunismo social?
Que nosso trabalho não tem só glamour como muitos imaginam. Não é só festa, viagens, badalações. Não é uma tarefa fácil fazer uma coluna com tantas notas todos os dias. Eu trabalho, em média, 10 horas por dia. Lembro uma dica que Antônio Camelo, meu primeiro diretor no Diário, me dava, que é de um jornalista francês: “Jornalismo é 10% de inspiração e 90% de transpiração.”
Ana Paula Cascão, arquiteta:
Nestes 40 anos, o que mudou em relação ao que é notícia na sua coluna e por que você não escreve um livro contando a história dos países que visita dando sugestões de hotéis, restaurantes, teatros, galerias de arte, museus?
Já cheguei a escrever um livro com estas dicas, o Caminhos do Viajante, que está esgotado. Até poderia, mas eu passo muito tempo escrevendo a coluna e o blog, são muitas horas por dia. Seria cansativo escrever ainda mais. Esta, aliás, tem sido a razão de eu não ter podido atender aos muitos pedidos que recebo para fazer prefácio de livros e apresentações de exposições. Falta tempo.
Qual o segredo para se manter durante tanto tempo sendo um misto de colunista social e jornalista com tantos furos de reportagens em sua coluna?
Muita dedicação ao trabalho, amor ao que faço e o círculo de amizades que consegui formar, criando uma enorme e representativa lista de informantes que possuo. Para se ter uma ideia, eu dou diariamente pelos menos 30 telefonemas para estas fontes.
Sílvio Pontual, produtor de eventos:
Quem foi o grande nome que já tocou por aqui e mudou a história do show business pernambucano?
Foram muitos, a começar pelo os que Roberto Carlos costuma fazer. Porém, recordo da apresentação de Margot Fonteyn , que era a maior bailarina do mundo, no Geraldão, logo depois da violenta cheia que atingiu o Recife. Serviu para levantar a auto-estima da cidade, que estava destruída. Foi emocionante. Lembro também o show de Julio Iglesias, que superlotou também o Geraldão e deixou muita gente do lado de fora. E mais recentemente Paul McCartney, no Arruda.
Quem seria o grande nome que ainda não veio e, na sua opinião, seria um marco para o showbusiness pernambucano?
Pelo menos três: Rolling Stones, Madonna e Celine Dion.
César Santos, chef de cozinha
1 – A gente sabe que Pernambuco se destaca na gastronomia brasileira pela fartura de ingredientes e receitas, símbolos para o nosso povo. Quais as receitas pernambucanas que João Alberto mais gosta?
Confesso que sou bom de garfo, por isso vivo brigando com a balança. Das pernambucanas, adoro sarapatel, galinha de cabidela, bobó de camarão, feijoada, cozido. Da doçaria, bolo de rolo, ambrosia, cartola.
2 – Com tantos anos de carreira, João já deve ter tido a oportunidade de provar as mais diversas gastronomias do mundo. O que mais o impressionou e leva na sua memória afetiva até hoje?
São muitas as experiências, mas não esqueço o que comi nas três vezes em que estive na Tailândia. Tudo lá é maravilhoso!
Heracliton Diniz, empresário
1- Em todos estes anos de colunismo, quem foi a mulher mais elegante do nosso estado em estilo e atitude?
Foram muitas, mas eu lembraria uma: Helena Pessoa de Queiroz
2- Se não fosse no Recife e no Brasil, que outro lugar você escolheria para viver?
Nova York, Lisboa ou Barcelona. Nas três eu me sinto em casa….
Queiroz Filho, CEO do Grupo Duca, holding que reúne as agências BG9 e Ampla.
1- Qual a situação mais incômoda que João Alberto presenciou nestes 40 anos de colunismo social?
Até hoje, pessoas que tentam colocar na coluna notícias sem o menor interesse para o leitor, apenas para incentivar seu ego ou ter vantagem.
2- Qual a notícia que ele gostaria de ter publicado se não tivesse levado um furo de outro colunista?
Não nenhum específica. Todos os dias, por exemplo, gostaria de ter dado alguma nota que saiu em Mirella Martins, Roberta Jungmann ou Fernando Machado. Sem nenhum sentido de inveja, a concorrência é sempre um combustível para eu tentar melhorar sempre.







