Francisco Saboya revela os novos projetos para o Porto Digital

Crédito: Peu Ricardo/DP

Francisco Saboya – Crédito: Peu Ricardo/DP

Francisco Saboya ocupa, desde 2007, o posto de diretor-presidente do Porto Digital, um dos maiores parques tecnológicos do mundo. Formado em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco, ele conversou com a equipe do Blog João Alberto sobre o Porto Digital, explicou como funciona, os projetos para o futuro e as inovações que o transformou no maior parque tecnológico do Brasil. Confira:

Como funciona o Porto Digital e qual a dinâmica do parque tecnológico?

O Porto Digital atua em algumas frentes. Primeiro, temos os mecanismos de promoção de novos empreendimentos, seja gerando novos empreendimentos ou com os aceleradores, espaço de coworking e incubadoras. O Porto Digital promove esses programas de desenvolvimento e depende da necessidade e do tipo da empresa, no qual eles vão usar. Temos também a atração de novos negócios para o Porto e para o Recife.

Queremos trazer empreendimentos nacionais e internacionais que possam contribuir para a geração de empregos, com visão de mundo, e que possa cooperar com as empresas locais. Nós também fortalecemos o conjunto que já existe. Trabalhamos para reter os empreendimentos aqui, com estratégias de programas de capacitação de capital humano, com infraestrutura, promoção da imagem… Coisas que fazemos no dia a dia que estimulam as empresas a ficarem.

Crédito: Peu Ricardo/DP

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Sobre o Porto Digital, nós estamos falando de um ecossistema de várias partes, trabalhando em prol do desenvolvimento, uma economia dos novos tempos baseada em conhecimento, inovação e criatividade. Nós temos o objetivo de criar o melhor meio para que os melhores talentos queiram vir, ficar e gerar centelhas de novos empreendimentos.

Atualmente, quantas empresas fazem parte do Porto Digital?

Hoje, nós somos 274 empresas, organizações e instituições. Cerca de 8.500 pessoas trabalham aqui.

Quais os projetos para o Porto Digital neste ano e como você enxerga o futuro do parque tecnológico?

Neste ano, vamos dar atenção especial ao empreendedorismo feminino. Temos um projeto para a criação de dinâmicas voltadas para empreendimentos capitaneados por mulheres, compartilhamentos de casos de sucessos conduzidos por mulheres e ressaltar ainda mais a importância e o lugar da mulher no empreendedorismo. Vamos também dar início a implantação de uma creche no Porto Digital para pais e mães que têm filhos e trabalham aqui possam ter mais comodidade.

Crédito: Mandy Oliver/Esp.DP

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Outra linha é o desenvolvimento de startups que busquem soluções para cidades. A gente vê problemas urbanos se agravando a cada dia e acreditamos que as tecnologias da informação podem ter um papel importante no enfrentamento dessas questões. Então, queremos ter um número expressivo de atividades para estimular jovens, estudantes, para falar sobre a problemática urbana, seja o meio ambiente, a qualidade do ar ou da água, mobilidade, saúde, etc.

Como o Porto Digital conseguiu se tornar referência no Brasil?

Alguns pontos são e foram muito importantes. Primeiro, o modelo de governança, que é uma Organização Social (OS), nos dá agilidade, flexibilidade e autonomia para o Porto Digital poder prosperar na velocidade necessária. Segundo, nós temos o planejamento estratégico – baseado nesse modelo de gestão – com visão de longo prazo, processos rigorosos e criteriosos, e principalmente uma equipe muito profissional. Nós temos pessoas muito qualificadas e preparadas, e que se preparam todos os dias, para compreender a dinâmica das áreas de inovação e poder gerenciar da melhor forma essas áreas.

Crédito: Mandy Oliver/Esp.DP

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E, por fim, a melhora que o Porto promoveu e promove no Bairro do Recife, com sua requalificação. Nesses 16 anos de Porto Digital, mais de 80 mil m² de imóveis foram restaurados nessa área. Isso é um efeito colateral positivo, promove a criação de mais empresas no local, o bairro ganha outra vida. Depois de 16 anos, conseguimos continuar atuais, relevantes. No último ano, 180 missões do Brasil e internacionais, visitaram a gente para saber como nós funcionamos. Não somos triviais.

Qual é o diferencial do empreendedorismo e da inovação do pernambucano?

Eu acho que inovação é inovação em qualquer lugar do mundo. Quando existe talento, e você sabe a dinâmica, você consegue extrair delas a maior capacidade criativa e inovativa, gerando coisas relevantes para todo o mundo. Mas, acho que o pernambucano tem uma coisa legal, acima da média, talvez. Até por uma característica de formação social, especialmente o recifense, tem um espírito crítico, contestador. E se você não tem isso, não se inova nunca. Não acho que exista uma “inovação pernambucana”, mas sim o talento humano e a capacidade criativa. E em matéria de gente, parece que Pernambuco é bom.

Crédito: Peu Ricardo/DP

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Quais as principais vertentes que o Porto trabalha hoje?

Nós somos muito muito abertos a todas as áreas. Isso é um ponto positivo. Somos uma mescla de tudo que está na sociedade, em especial nas universidades. Nós refletimos, do ponto de vista do empreendedorismo, o que é ministrado nas universidades. No Porto, temos empresas de gestão empresarial, inteligência artificial, segurança da informação, software, games… O Porto Digital expressa a diversidade na sociedade e no mercado.

Como funciona o L.O.U.Co (Laboratório de Objetos Urbanos Conectados)?

Há algumas semanas, nós inauguramos um prédio novo, todo reestruturado para abrigar um espaço de coworking, uma incubadora e o L.O.U.Co. O laboratório busca oferecer infraestrutura para que startups possam fazer protótipos de suas ideias. Nós temos duas tecnologias: a internet das coisas e a manufatura em impressora 3D. Nós oferecemos o local para que haja a materialização das ideias. É um espaço bem lúdico, mas é de criação e empreendedorismo. Você precisa ter um argumento para usar, uma boa ideia para soluções urbanas. Então, é preciso vender sua ideia e aí agendar seu horário.

Crédito: Mandy Oliver/Esp.DP

Crédito: Mandy Oliver/Esp.DP

Um projeto para o futuro que ainda temos é o L.O.U.Co nas Ruas, que iria buscar as soluções a partir das capacidades das pessoas que estão nas ruas, nos bairros. Nós pensamos em fazer um laboratório volante, circulando em várias áreas da cidade, trabalhando com escolas públicas, pais e moradores, para refletir sobre os problemas da cidade. E isso também vai de acordo com nossa linha de desenvolvimento para esse ano.

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