Já ouviu falar sobre jejum intermitente? Saiba como funciona e se realmente vale a pena investir

Imagem ilustrativa – Crédito: Thinkstock/Reprodução
Você já ouviu falar sobre jejum intermitente? A prática vem sendo discutida nos últimos tempos como uma forma de emagrecer rapidamente e desintoxicar. A ideia é fazer 16 horas de jejum por dia, ingerindo apenas líquidos – como chás – e fazer todas as suas refeições nas horas restantes, até ficar saciado. Esse tipo de prática se baseia também em “só comer quando tiver fome”. Os métodos indicam alternar os dias de jejum com outros de alimentação normal.
Durante o período de jejum, o corpo passa a utilizar a gordura presente nos tecidos como forma de energia. Alguns estudos também dizem que passa a liberar o hormônio do crescimento, o que causaria um efeito de rejuvenescimento e reparação. Especialistas indicam que, para começar a praticar o jejum, é preciso um período de adaptação, como começar com uma dieta low carb (com pouco carboidrato) ou paleolítica, condicionando o corpo a sobreviver com mais proteínas e gorduras. Nessas dietas, é permitido comer carnes, legumes, vegetais com baixo índice insulinêmico e raízes. No papel, parece uma ótima ideia, mas será que realmente vale a pena?
O jejum, teoricamente, não causa nenhum problema no corpo, sendo uma prática milenar, ainda utilizada por muitas religiões, por exemplo. No entanto, o médico especialista em nutrição, Jacques Waisman, pondera que seguir esta prática pode não ser tão fácil como parece. “A ideia é muito interessante. Mas é preciso ter horários e uma rotina muito regrados. É difícil manter um jejum no dia a dia agitado de hoje e nos compromissos”, diz ele. Resistir aos alimentos calóricos e gordurosos após o período sem comer também pode ser uma dificuldade.

A dieta paleolítica é indicada para acompanhar o jejum intermitente – Crédito: Reprodução/Imagem ilustrativa
O condicionamento de cada pessoa interfere diretamente no bom aproveitamento do jejum intermitente. “Existem pessoas que conseguem passar muito tempo sem comer, outras sentem fome o tempo todo. Se você está sentindo fome durante o jejum, é sinal que ele não está funcionando. Porque a ideia é que seu corpo estará suprindo sua necessidade com o que já tem armazenado. Se você tem fome, seu corpo está precisando de energia”, explica Jacques. Ele afirma que é a favor de comer de acordo com o gasto energético. Atletas ou pessoas que fazem atividades físicas pesadas não devem investir no jejum, por exemplo, já precisam de muita energia para se manter.

Jacques Waisman – Crédito: Arquivo Pessoal/Divulgação
“Crianças e adolescentes também não podem fazer, nem pensar. Pessoas com doenças crônicas degenerativas, com cardiopatias, diabéticos, doenças intestinais, gastrite e que tomam medicamentos também não. É preciso selecionar muito bem. Devem ser adultos saudáveis, com boas horas de sono, que já façam atividades físicas e que saibam se alimentar corretamente”, pontua o médico.
A curiosidade sobre o jejum intermitente está aumentando na sociedade, mas Jacques revela que ainda não recebeu nenhum paciente que se encaixasse no perfil para a dieta. De acordo com ele, o recifense tem uma cultura muito forte na alimentação, o que também seria um empecilho. Apesar de mostrar resultados muito bons no emagrecimento, o jejum intermitente parece não ser uma opção viável para todos. “A melhor dieta é aquela que se adapta ao seu cotidiano”, resume Waisman.
