Sandra Bertini sobre o Cine PE: “Fazer o evento este ano já é um grande diferencial”

Cine PE - Crédito: Daniela Nader/Divulgação

Cine PE terá início na próxima terça-feira – Crédito: Daniela Nader/Divulgação

O Cine PE chega em sua 21ª edição com programação entre os dias 27 de junho e 3 de julho, mais uma vez, no Cinema São Luiz. Mas, para chegar até a data de abertura do festival, foram muitos percalços e incertezas. Inicialmente, o festival estava marcado para o início de maio, mas precisou ser adiado. Uma nota da produção citava as dificuldades econômicas do país.

Após confirmar a nova data e divulgar toda a programação, o festival mais uma vez foi suspenso. Desta vez, alguns cineastas responsáveis por filmes que participariam das mostras competitivas decidiram retirar seus trabalhos. Os diretores não estavam de acordo com a inclusão de alguns filmes na programação, tais como Real – O Plano por trás da História. Em carta aberta, os cineastas afirmavam que os filmes “favorecem um discurso partidário alinhado à direita conservadora e grupos que compactuaram e financiaram o golpe ao Estado democrático de direito ocorrido no Brasil em 2016″.

Sandra Bertini - Crédito: Daniela Nader/Divulgação

Sandra Bertini – Crédito: Daniela Nader/Divulgação

Depois de toda a polêmica, o festival precisou refazer as mostras competitivas e, finalmente, lançar novas datas. Os adiamentos custaram ainda os homenageados, já que, por conta da mudança, o crítico pernambucano Luiz Joaquim cancelou sua participação, e os globais Cássia Kiss e Rodrigo Santoro aguardam liberação da Globo e HBO, respectivamente, para vir ao festival. 

Mesmo com todas as dificuldades, o Cine PE completará 20 anos ininterruptos no calendário cultural de Pernambuco. Serão três mostras competitivas, com 26 filmes, entre longas, curtas e documentários. O Hotel Transamérica, em Boa Viagem, irá receber os debates e seminários que completam a programação. Ao todo, 473 filmes se inscreveram para a edição deste ano. “Apesar de todos os atropelos ocorridos para celebrarmos a 21ª edição do CinePE estamos firmes e fortes para realizarmos o festival”, enfatizou a curadora. 
 
Em entrevista para o Blog João Alberto, a diretora do festival, Sandra Bertini, acredita na continuidade e na importância do festival. “Na semana do CINE PE, todos os olhares sobre a área do audiovisual brasileiro se voltam para a cidade do Recife”. Confira o bate-papo completo:
 
Como você consegue manter um festival como o Cine PE após tantos anos?
São vinte anos de edições ininterruptas. É um marco para qualquer projeto cultural,em especial, sendo realizado no Nordeste. O tempo nos fez aprender muitas coisas, às vezes sofrendo muito, mas sempre com muita determinação, empenho, crença no que se faz e, acima de tudo, acreditando que um projeto com estas características e dimensões, são de extrema importância para divulgar o estado de Pernambuco e a Região Nordeste.
 
Como você enxerga a importância do festival a nível nacional?
Quando começamos a realizar o Cine PE não havia nenhum evento do gênero em Pernambuco. Ele era único. Reinava soberano. Com o passar dos anos, surgiram outros eventos semelhantes e ao mesmo tempo diferentes. Construímos um nome e ficamos conhecidos por ser o festival de maior público no Brasil. Na semana do Cine PE, todos os olhares sobre a área do audiovisual brasileiro se voltam para a cidade do Recife. Lançamentos de filmes, discussões sobre questões emergentes do cinema nacional, lançamento de livros. As discussões se concentram geograficamente em Pernambuco e no Recife. Neste sentido, acreditamos que o calendário cultural do Recife se fortalece com um evento que trás na pauta de suas discussões questões estratégicas relacionadas com a área do audiovisual (representa 0,5% do PIB brasileiro) e,também, questões relacionadas com a natureza artística e estética do setor.
 
Quais os diferenciais desta edição?
 A 21ª edição tem o mesmo formato dos anos anteriores com três Mostras Competitivas: Curtas Pernambucanos, Curtas Nacionais e Longas Metragens, filmes na condição de Hors Concurs, a Mostra Infantil de Cinema e a Noite de Premiação. Nesta edição, ampliamos a entrega dos troféus Calunga. A partir de agora, a Mostra Competitiva de Curtas Pernambucanos terá 12 prêmios técnicos. Esta decisão engrandece ainda mais esta mostra competitiva, totalmente de filmes pernambucanos. Foi um evento construído com muitas dificuldades, principalmente para renovar os patrocínios num período de escassez de recursos. Depois, tivemos o episódio com a saída dos filmes das grades das Mostras Competitivas. Tudo isto fez com que adiássemos o evento para o reconstruir dentro do que planejamos para o público e para os patrocinadores que sempre acreditaram no festival. Então, fazer o evento este ano já é um grande diferencial.
 
Durante estes anos, como você enxerga a evolução do cinema nacional, e principalmente, do pernambucano?
Percebemos um crescimento muito grande na área do audiovisual. Em Pernambuco, fica muito claro que o apoio  do Governo do Estado através do Funcultura, fez e faz a diferença para o meio do audiovisual. O maior investimento público no Brasil em projetos culturais, em especial, é no audiovisual. A produção cresceu muito em nosso estado através deste apoio. A qualidade dos filmes também se renova positivamente sempre. O resultado de tudo isto é a promoção do estado de Pernambuco como um celeiro de filmes de valor cultural muito forte.
 
Esta edição do Cine PE teve que ser adiada algumas vezes. Quais as principais dificuldades encontradas para realizar o evento?
 No momento, eu acredito que o patrocínio cultural cada vez mais escasso vem provocando o adiamento de muitos projetos, como por muitas vezes, a não realização.
 
Qual a sua posição sobre a carta dos cineastas que decidiram retirar seus filmes do festival após a divulgação da programação?
É de respeito aos realizadores que são “legalmente” os únicos proprietários de suas obras. A decisão pela participação cabe a cada um no momento do ato de inscrição.
 
Como é feita a escolha dos homenageados? 
Fazemos as escolhas dos homenageados considerando sempre a importância, a contribuição, o papel que a instituição ou a pessoa empreende para o cenário do audiovisual.
 
A programação conta com várias atividades, como palestras, seminários e mostras. Qual você acredita que será o destaque e como é montada a grade?
A grade é montada considerando as escolhas da Curadoria. Respeitando o “ranking” de cada curador. Este ano trabalhamos com três curadores. A direção do evento também pode opinar neste processo de escolha. As palestras também estão muito “afinadas” com o que se discute atualmente no audiovisual.

Share This Post On