Mês da consciência negra: confira 15 autoras negras para começar a ler

Linda Heywood, Chimamanda Ngozi Adichie e Angela Davis
Por: Correio Braziliense
Em homenagem ao Dia da Consciência Negra, a biblioteca Acadêmico Luiz Viana Filho, do Senado Federal, listou quinze livros de escritoras negras que compõem o acervo do local. A ideia foi criar o Boletim de bibliografias selecionadas, autores negras: protagonismo feminino, para dar um panorama e incentivar a leitura dessas obras. Todo o material poderá ser acessado na biblioteca. O boletim está inserido no Plano de Equidade de Gênero e Raça do Senado Federal, edição de 2019 a 2021 — uma publicação que está alinhada com o 5º objetivo dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. “O racismo, os estereótipos atribuídos à cultura negra e outros temas fazem parte da escrita das mulheres que figuram nesta lista. É o empoderar por meio da escrita, da literatura, da poesia e de outros gêneros literários”, diz a nota da biblioteca do Senado.
Confira a lista:
1. Sejamos todos feministas – Chimamanda Ngozi Adichie
Neste livro, Adichie parte de sua experiência pessoal de mulher e nigeriana para mostrar que muito ainda precisa ser feito até que se alcance a igualdade de gênero. Segundo ela, tal igualdade diz respeito a todos, homens e mulheres, pois será libertadora para todos.
2. Mulher negra: política governamental e mulher – Sueli Carneiro, Tereza Santos e Albertina Gordo de Oliveira Costa
Nesta publicação, apresenta-se um amplo diagnóstico sobre a situação da mulher no país durante 1975 e 1985, década declarada pela ONU como década da mulher
3. Mulheres, raça e classe – Angela Davis
Publicado em 1981, tornou-se referência obrigatória para se pensar a dinâmica da exclusão capitalista, tomando como nexo prioritário o racismo e o sexismo.
4. Insubmissas lágrimas de mulheres – Conceição Evaristo
O livro se revela um retrato de solidariedade e afeição feminina, por tocar no que é essencial, no que move, no que aproxima e une mulheres e, em especial, mulheres negras.
5. Má feminista – Roxane Gay
A obra é uma seleção de ensaios engraçados e perspicazes. A autora nos leva a uma viagem sobre sua própria evolução como mulher negra, ao mesmo tempo em que nos transporta a um passeio pela cultura nos últimos anos. Má feminista é um olhar afiado e nos alerta para a maneira pela qual a cultura que nos envolve nos torna quem somos.
6. Um defeito de cor – Ana Maria Gonçalves
Um defeito de cor projetou nacionalmente a escritora contando a trajetória da Kehinde, nascida no Benin (atual Daomé), desde o instante em que é escravizada, aos oito anos, até seu retorno à África, décadas mais tarde, como mulher livre.
7. Diáspora negra no Brasil – Linda M Heywood
A obra ilustra como povos africanos remodelaram suas instituições culturais, crenças e práticas na medida em que interagiam com os negociantes de escravos portugueses até o ano de 1800. A partir daí a obra segue os centro-africanos que foram trazidos para o Brasil e mostra como a cultura da África Central foi incorporada pela cultura brasileira.
8. Feminism is for everybody – Bell Hooks
Neste livro, Hooks mostra a natureza do feminismo e seu compromisso contra o sexismo, exploração sexista e qualquer forma de opressão. O livro apresenta uma visão original sobre políticas feministas, direitos reprodutivos, beleza, luta de classes feminista, feminismo global, trabalho, raça e gênero.
9. Quarto de despejo – Carolina Maria de Jesus
Carolina era uma moradora da favela do Canindé e trabalhava como catadora. Registrava seu cotidiano nas folhas encontradas no lixo. Descoberta por um jornalista, ela publicou o primeiro livro Quarto de despejo: Diário de uma Favelada em 1960.
10. Amor – Toni Morrison
Em Amor, Morisson refaz a mitologia do amor de uma perspectiva sombria e cria uma verdadeira jóia literária.
11. Úrsula e outras obras – Maria Firmina dos Reis
Maria Firmina dos Reis foi a primeira escritora negra de que se tem notícia em nossa literatura. Neste livro, de 1859, ela descreve a crueldade do tráfico de pessoas sequestradas na África e transportadas nos porões dos “tumbeiros”. Neste mesmo romance, a crítica da escritora abrange o retrato lamentável da condição feminina da época.
12. Quem tem medo do feminismo negro? – Djamila Ribeiro
Ensaio autobiográfico e uma seleção de artigos publicados no blog da revista CartaCapital (2014-2017). Recupera memórias de seus anos de infância e adolescência para discutir o que chama o silenciamento que sempre sofreu.
13. Chica da Silva – Joyce Ribeiro
Em uma narrativa romanceada, a trajetória da escrava mineira Chica da Silva é contada misturando fatos com ficção. Joyce fez uma pesquisa meticulosa e imagina como foi a vida da personagem. Depois de muita luta para ser aceita em uma sociedade escravagista, a poderosa semianalfabeta Chica da Silva, ganha uma posição de destaque na cidade na cidade de Diamantina, Minas Gerais.
14. Não vou mais lavar os pratos – Cristiane Sobral
Em Não vou mais lavar os pratos, 123 poemas ligados ao cotidiano, abordam temas como maternidade, memórias da infância, relações familiares e a situação atual da mulher negra, o grito da negritude.
15. A cor púrpura – Alice Walker
Referência na luta contra o racismo e o machismo, a obra retrata a vida de Celie, mulher negra no sul dos Estados Unidos da primeira metade do século XX. Através de cartas, a protagonista conta sua trajetória de abusos físicos e psicológicos sofridos desde a infância pelo padrasto e depois pelo marido.
