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O centenário do pernambucano João Cabral de Melo Neto

Grande escritor e autor de obras que se destacaram na literatura brasileira, como Morte e Vida Severina e O Cão Sem Pluma , além de outras poesias, João Cabral nasceu em 9 de janeiro de 1920 e morreu em 1999, deixando um imenso legado que vive até os dias atuais.

Denominado um escritor modernista, com versos simples e rigor formal, tinha como inspiração seu inconformismo diante de dramas de seus conterrâneos nordestinos.  O recifense, que faria 100 anos, nesta quinta-feira (9), tem uma trajetória com diversos cenários, que o fizeram merecedor de inúmeros prêmios e do título de imortal na Academia Brasileira de Letras.

Para celebrar o centenário do poeta, vamos conferir algumas dicas dadas pelo mesmo em entrevistas concedidas ao longo de sua vida.

Confira:

Como nasce um livro
  1. Origem dos versos: “Meus poemas não tem origem. Eu vejo uma coisa que me interessa e escrevo. Eu não fiz um poema sobre a aspirina? Escrevi também muito sobre o Recife e sobre Sevilha, os dois lugares que mais me marcaram. O que faz ou não está na minha poesia é o acaso. De repente um objeto, uma obra de arte, um jogador de futebol, um fato, faz com que eu me interesse e escreva um poema”.
  2. Desenvolvimento da poesia: “Eu tenho muito pouco poemas narrativos. Morte e Vida Severina é narrativo. Fiz O Rio exatamente porque depois que concluí o Cão sem Plumas, percebi que tinha deixado o Capibaribe só no Recife. Então resolvi buscar o Capibaribe lá na origem. Como conhecia aquela região, desenvolvi o poema através da ótica do Capibaribe, que se transforma num rio que fala. Já o desenvolvimento da poesia, tem para mim uma característica própria. Para falar de um assunto, tenho que falar de diversas coisas. Então concateno aquelas coisas e sai o poema”.
  3. Rotina e cotidiano: “Nunca tive rotina nem cotidiano para escrever as minhas poesias. Escrevia nas horas vagas. Quando não estava trabalhando estava lendo ou escrevendo. Atualmente o meu dia-a-dia é não fazer nada. Há um ano não vou sequer à Academia Brasileira de Letras. Além da visão, também estou fraco das pernas. Não posso ler, fato que está me deprimindo muito. Ainda me interesso um pouco por futebol, mas só acompanho pelo ouvido, já que não posso ver televisão. Também escuto notícias no rádio”.
  4. Composição de um poema: “Eu não acredito em inspiração e nem sou um poeta inspirado. O ato de criar para mim é intelectual. Minha poesia trabalha a criação e a construção. Acredito na expiração. Na composição de um poema, primeiro me ocorre um tema e eu tomo nota. Depois vou estudando-o e desenvolvendo-o. Nunca escrevi um poema inspirado, soprado pelo Espírito Santo. Isso eu não sei o que é”.

Author: Marcela Nunes

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