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Moda pernambucana perdeu Ricardo de Castro

Vítima de infecção urinária, faleceu ontem, Ricardo de Castro, um figuribnista que marcou época na nossa cidade. Co nvivi muito com ele, desde o início da sua carreira, depois de herder o talento da mãe Dedé de Castro, famosa pelos chapéus que criava para colunáveis do Recife, na época em que era quase obrigatório o uso desse complemento nos eventos mais chics. Brilhou muito, inclusive com uma Maison de luxo, no Espinheiro, onde estive várias vezes, depois numa loja no Rio, a cuja inauguração estive presente. Marcou época também como criador de fantasias, algumas delas usada por ele em grandes prévias de carnaval. Sobre ele, trago este belo depoimento do seu amigo Mauciolo Ferreira escreceu para o blog de Magno Martins:

“Se a moda fashion do estilista Ricardo de Castro, que morreu de infecção urinária, hoje, aos 79 anos, no Recife, fosse comparada a um time de futebol, diria que ela sempre esteve nos gramados entre os times classificados para a Copa Libertadores da América, a exemplo do Grêmio, Palmeiras, São Paulo e Santos.

Como figurinista e costureiro, Ricardo de Castro não seria hoje considerado o Neymar da moda fashion local. Mas podemos compará-lo ao jogador Rivelino, que nas décadas de 70 e 80 tinha um chute de canhota tão potente e certeiro que merece figurar na galeria do panteão dos Deuses das Agulhas e das Tesouras da moda no mesmo naipe dos artilheiros Marcílio Campos, Victor Moreira e Paulo Carvalho.

Ricardo de Castro herdou da sua mãe, a chapeleira Dedé de Castro, o mesmo talento e a alegria em tornar mais elegantes as senhoras e as  jovens da tradicional sociedade pernambucana. Sua moda fez muitas noivas, misses e colunáveis irem parar nas capas dos jornais, de revistas e, sobretudo, nas páginas das colunas sociais com incontáveis elogios.

Ele começou a costurar o seu nome e ficar conhecido na década de 70 ao ficar em segundo lugar no concurso para talentos novos e até então desconhecidos do grande público no programa de Flávio Cavalcante na extinta TV Tupi. De lá pra cá não parou: morou 12 anos no Rio de Janeiro, onde chegou a montar um ateliê e loja na Rua Barão da Torre, um dos endereços mais elegantes de Ipanema.

Em 1972, foi capa da revista “O Cruzeiro “, posando ao lado de uma das 24 candidatas do concurso Miss Estado da Guababara, do qual foi o responsável por vestir 2/3 das concorrentes. Mesmo tendo conquistado a Cidade Maravilhosa, a saudade pelo Recife bateu mais forte do que os holofotes cariocas. Voltou a residir na sua terra, onde investiu numa moda mais básica e casual que atingisse um público mais amplo. Todavia nao se afastou da alta costura.

O requinte do tecido, do acabamento e o brilho sempre esteveram presentes no dia-a-dia dos looks e dos acessórios. Ricardo sempre foi muito requisitado para confeccionar roupas de senhoras para casamentos, festas de 15 anos, bailes de debutantes e, especialmente, para os Bailes Municipal do Recife, Bal Masquê do Clube Internacional e o Baile dos Artistas.

Nessas festas, o filho de Dedé de Castro fazia questão de ter sempre o seu camarote que era decorado conforme o tema da festa. Ricardo era sempre convidado para a comissão julgadora. Depois subia para o seu espaço onde recebia os amigos fantasiado na companhia de um séquito de misses ou aspirantes usando roupas de acordo com o tema da festa.

Uma das características do estilista era a sua alegria de viver cada momento em toda a sua plenitude. Se orgulhava em ter como clientes e amigas a empresária da indústria do açúcar e do álcool Marina Paiva, as executivas Joseli Lacerda e Laís Monte Teixeira; a colunista social Fátima Bahia, a ex-deputada e secretária de Estado Terezinha Nunes.

Em 1980, último ano da Era de Ouro do Miss Brasil promovido pelos Diários e Emissoras Associados/TV Tupi, criou o vestido e o traje típico usados pela Miss Pernambuco de 1980, Ana Lúcia Caldas, sexta colocada na competição. Ricardo de Castro fez hoje a grande viagem a outra dimensão, onde já deve estar discutindo moda com os colegas Marcílio Campos, Clodovil e Denner Pamplona em algum ateliê no firmamento.”

Author: João Alberto

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