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Fátima Quintas lança livro sobre Clarice Lispector

Hoje, às 16h30, a escritora, antropóloga e membro da Academia Pernambucana de Letras Fátima Quintas, lançará virtualmente o livro “Clarice Lispector 100 anos – Introspecção e Simbolismo.

         Os ensaios reunidos no livro  buscam compreender, na medida do possível, os desnudamentos existenciais advindos da busca clariciana. São textos que procuram perfilar a verve intimista da autora mediante seqüenciados mergulhos nos escaninhos da alma. Do romance ao conto, a obra lispectoriana é percorrida em movimentos assimétricos, de modo a tentar deslindar as entrelinhas de um pensamento calcado na complexidade do sentir. Falar em Clarice representa tarefa difícil, porém não impossível, uma vez que os núcleos abordados geram inevitavelmente novas indagações. Bem-vindas indagações! A leitura deste livro tem, pois, a intenção de provocar vasculhamentos interiores e recônditos com base na narrativa clariciana.  

        Conta Clarice que sua irmã, Elisa, tentando minorar-lhe os dissabores do dia-a-dia, presenteou-a com um chiclete, dizendo-lhe que, a partir de então, ela teria uma bala que não mais se acabava, interminável. Poderia mascar o quanto quisesse, estaria sempre com o chiclete à sua disposição. Clarice, de início, regozijou-se com o regalo. Mas, depois, apercebeu-se do peso da eternidade. O chiclete era cor de rosa, mudou para um tom cinzento, perdeu o sabor, transformou-se em borracha maleável… sem nunca findar. Angustiada com a longevidade do rebuçado, mascava, mascava, mascava… e o cinzento se tornava cinzento, a goma elástica não se alterava, o degustar se metamorfoseava  em tédio; não sabia como proceder… suava… repetia a ação  do confeito infinito… O que era aquilo? E perguntava-se: a eternidade seria assim? Jogou fora o chiclete com o máximo cuidado para não ferir a irmã. Livrou-se da eternidade. 

Author: João Alberto

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