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O problema das vacinas no Brasil

O diplomata e ex-ministro Rubens Ricupero diz que o Brasil usou e abusou do direito de errar na compra de vacinas Depois da China, os Estados Unidos vão ser o maior fornecedor de vacinas. O diplomata também acredita que um bom relacionamento com o país pode facilitar o acesso e a entrega de imunizantes mais rápido. Em fevereiro, o governo americano afirmou que pretende fortalecer a relação bilateral com o Brasil nos próximos meses, mas fez alertas para pontos discordantes com o Brasil. Os Estados Unidos vêm mostrando preocupação com o desmatamento na Amazônia e cobrou avanços da pauta ambiental no governo brasileiro. A questão do clima é o próximo ponto de tensão, mapeado por Ricupero, entre as dificuldades que o governo brasileiro terá frente aos Estados Unidos para receber os imunizantes que vão sobrar no país.

O governo americano, apontou Ricupero, tem lotes da vacina AstraZeneca que não serão usados, pois não houve aprovação interna. O México e o Canadá já receberam doações dos Estados Unidos. “Mais uma vez a questão diplomática do governo brasileiro será decisiva para que o Brasil possa receber também”, avalia.

Para Ricupero, o único trunfo para reverter a situação atual é justamente a tragédia em que o Brasil se encontra. “Como o Brasil está sendo visto como o pior do mundo a lidar com a crise, isso pode fazer com que os outros países tenham pena e nos ofereçam ajuda”, disse. O apelo do ministro da Economia, Paulo Guedes, por “cooperação internacional” para melhorar a distribuição de imunizantes, a fim de permitir uma recuperação mais homogênea da economia mundial está começando a fazer efeito, acredita o diplomata.

Sobre a crise sanitária, Ricupero advertiu que já é sabido que sempre haverá epidemias, risco intensificado pela globalização. “Desde a gripe espanhola, já tiveram de sete a oito episódios de novas doenças. A diferença é que elas eram contidas nas regiões de origem. O mundo não tem sistema para controlar pandemias. O ideal seria um sistema preventivo que pudesse identificar a epidemia, antes de virar pandemia”, opina. Para o futuro do Brasil, em longo prazo, o ex-ministro recomenda que se volte a fazer o que sempre foi a missão da Fiocruz e do Instituto Butantã: investir e produzir vacinas. “O país sempre foi referência nessa área. Mas para isso, é imprescindível contar com o apoio do governo e

Author: João Alberto

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