Og Fernandes e a sexta-feira 13

Nesta sexta-feira 13, vale a pena ler este interessante artigo de Og Fernandes sobre o tema
“Há quem encare a sexta-feira, 13 com uma certa desconfiança. Não sou supersticioso. Evito cruzar com gato preto, passar por debaixo de escadas e não saio de casa quando vejo um espelho quebrado apenas por força do hábito. Ainda assim, a data desperta o desejo de que o dia acabe logo. Acresce que estamos no mês de agosto.
Ouço as diversas histórias em torno do tema como exercício de cultura inútil, pois não me impressionam, claro. Tenho um amigo, o Damião, especialista em transmitir más notícias. Quando o telefone toca assim que me levanto da cama – com o pé direito primeiro no chão, evidentemente – já sei que é ele para me contar alguma tragédia. Desde o início da Covid-19 ele me liga todos os dias relatando com precisão infinitesimal os números de adoecidos, mencionando os casos de mortes, em especial daqueles defuntos que acha que eu conhecia. Uma lufada de bom humor.
No primeiro dia deste mês, talvez por brincadeira, ele tratou de me lembrar que agosto é o mês do desgosto. Respondo que é lenda. Ele dá um sorriso debochado, como quem dissesse “estou falando com um ignorante”, e prossegue: você não sabe que o atentado a Carlos Lacerda e o suicídio de Getúlio Vargas aconteceram em agosto de 1954? Que até Plutão foi rebaixado à categoria de Planeta-anão em agosto de 2006?
Damião é muito culto e registra que entre os ancestrais portugueses, as mulheres não casavam em agosto, pois era o mês em que os navios das expedições zarpavam à procura de novas terras. Logo, o casamento em agosto significava ficar só, sem lua-de-mel e, às vezes, até mesmo viúva. Os colonizadores trouxeram esta crença para o Brasil. Afirmo ser uma superstição, enquanto bato com os dedos três vezes na madeira sem que ele perceba.
Viajante do mundo, meu amigo faz considerações sobre o número 13. Diz que muitas empresas aéreas dos EUA também suprimem a fileira 13 de poltronas. Depois da 12, vem a 14 e que grande número de prédios residenciais e comerciais nos EUA não têm o 13º andar. Corretores imobiliários teriam concluído ser muito difícil vender salas e apartamentos no 13º pavimento. Essa praxe de não ter o andar 13 é notada por maioria nos hotéis, em todo o país. Rebato que o número 13 não atrai az.., digo, má sorte (nunca uso o outro termo por opção de vocabulário). É verdade que morei certa vez – a única – num 13º andar e o prédio ameaçou desabar, ficando desabitado e em reforma durante dois anos, mas isso acontece com qualquer morador não supersticioso igual a mim. Desde então, moro em edifícios com até 12 andares. Medo das alturas.
Sexta-feira, 13 de agosto, vem aí. Imagino que os meus poucos e preciosos leitores sejam incrédulos diante desse mundo de fábulas que tentam invadir a nossa imaginação, a ocupar os espaços mentais que seriam dedicados a assuntos sérios. Assim, lanço o desafio. A próxima sexta-feira é o dia ideal para fazer uma fezinha nas loterias. Ingressem nas casas do ramo, porém só entreguem as apostas depois que a palma da mão coçar. Eu não jogo, mas o Damião prometeu me visitar naquele dia para contar novos dramas. Vou colocar uma vassoura atrás da porta da sala. “
