Vencedor da Palma de Ouro em Cannes, Titane representa um marco no cinema de terror francês

*Por Alice Carvalho

Uma história pouco convencional, com uma personagem fora do comum, Titane representa muito mais que apenas mais um filme de terror. O longa gira em torno da vida de Alexia, uma jovem dançarina que tem um instinto assassino e uma relação especial com carros. Dirigido por Julia Ducournau, que também é responsável pelo longa Raw, o enredo aponta mais camadas e desenvolvimento para a personagem principal que o filme anterior de terror lançado pela diretora. São muito claras as referências também ao seu adorado diretor, o consagrado David Cronenberg.

Com uma fotografia enigmática que destaca as cores e luzes vibrantes, combinada à estética de terror um pouco slasher com pitadas de body horror, o filme traz um formato bem mais refinado, que conquistou muitos cineastas, prova disso é a o Palma de Ouro, do Festival de Cinema de Cannes.

Não é um filme que vai agradar a todos os públicos, isso fica claro para quem assistiu Raw. O terror francês geralmente se destaca por possuir uma alta violência gráfica e enredos com acontecimentos chocantes. Contudo, a própria diretora afirmou que sua intenção era contar, por meio de uma mentira, como pode nascer uma história de amor. De fato, Titane se consagra como uma produção memorável, principalmente pela atuações estupendas da protagonista, Agatha Rouselle, e seu parceiro de cena, Vicent Lindon, que conseguem entregar cenas envolventes e impactantes.

Lembrando que são poucos os filmes de terror que conseguem conquistar o público a ponto de ganhar o prêmio máximo de Cannes, e levando em conta que é um filme francês independente, dirigido por uma mulher, o mérito se torna ainda mais alto. A produção possui um nível absurdo de maestria na fotografia, maquiagem, efeitos especiais, alcançando um padrão que deixa para trás muitos outros filmes da categoria.

Por fim, é uma história que carrega um conteúdo sensível, sempre ressaltando a força feminina, apesar de abordar a sexualidade de forma multifacetada, como algo extraordinário e incomum, e que nunca deve ser subestimado.

Author: Marcela Nunes

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