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Degradação de joias do turismo de Pernambuco

Excelente artigo do médico Cláudio Lacerda, publicado na página de opinião do Diario de Pernambuco:

“Começou no Litoral Norte. Tristeza. Todas as praias, entre elas as do Janga, de Maria Farinha e de Itamaracá. Antes verdadeiros santuários ecológicos, vêm há muito sofrendo processo de crescimento desordenado e adensamento construtivo e populacional, sem qualquer sinal de planejamento sustentável na ocupação dos espaços.

Muito longe do exemplo exitoso de preservação e crescimento sustentável das praias do Projeto Linha Verde, no Norte da Bahia, o resultado tem sido a perda do encanto. Hoje são lugares desagradáveis, com pouco apelo turístico, além de sérios problemas de saneamento e meio ambiente.

Agora, “a bola da vez” são as lindas praias mais ao Sul, principalmente do município de Ipojuca. Ali a situação é ainda mais chocante. A especulação imobiliária desenfreada vem substituindo espaços verdes por grandes empreendimentos imobiliários. Terrenos de loteamentos, originalmente planejados e aprovados para uma única residência, viram prédios com dezenas e até centenas de flats. Tudo com a passividade, senão a cumplicidade, da prefeitura, dos órgãos de preservação ambiental, do Ministério Público e, em alguns casos, até da Justiça.

Essa cumplicidade e essa passividade dos órgãos públicos, aliás, parecem culturais. Refletem-se no cotidiano da vida das pessoas do município. Para quem quiser ver. O exemplo mais emblemático e notório são os bugres da cidade. Sem capota, trafegam livremente e impunemente nas ruas e nas estradas, transportando turistas, em roupas sumárias de banho, sentados atrás, na lataria e não nos bancos, muitas vezes ingerindo bebidas alcoólicas e sem cintos de segurança. A prefeitura e a Polícia Rodoviária apenas observam com naturalidade, como se fosse Ipojuca uma terra sem lei. Como se o Código Nacional de Trânsito não proibisse o trânsito de passageiros sem cintos, mesmo em automóveis fechados, sentados à frente ou atrás.
Com esse exemplo escancarado e absurdo, impossível de ser visto com tanta naturalidade em países civilizados, como cultivar o respeito à lei por parte da população? Com que moral o poder público pode exigir o pagamento de impostos, o cumprimento às regras de convivência em sociedade e o respeito ao regramento nas edificações?     
Finalmente, vale dizer que o longo trecho litorâneo que vai de Muro Alto a Serrambi, passando por Porto de Galinhas, possui uma grande rede de hotéis, pousadas e restaurantes, de grande relevância para a economia de Pernambuco. O processo galopante de degradação física e dos costumes dessas praias poderá, a médio e longo prazos, comprometer gravemente essa atividade turística, tão importante para o nosso estado.”

Author: João Alberto

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