Defesa dos cruzeiros marítimos

Diretor geral da Qualitours e referência em cruzeiros na indústria de
Viagens e Turismo, Ilya Michael Hirsch, também ex-presidente da Braztoa e do
Sindetur-SP, escreveu artigo defendendo os protocolos e a segurança dentro dos
navios durante a pandemia. Ele cita os exemplos dos Estados Unidos, Europa e
Ásia, onde as agências reguladoras, em parceria com as companhias marítimas,
mantêm rigor nos protocolos e controle a bordo. No Brasil, destaca ele, “a
indústria de cruzeiros é a única a fornecer dados para as autoridades e a
imprensa, daí o foco no segmento”.
“O segmento de cruzeiros marítimos é o único no foco da mídia. Porque são as
companhias marítimas que comunicam efetivamente todos os casos de testagem
positiva às agencias sanitárias dos países por onde navegam. Nenhum outro
segmento expõe desta forma à mídia os casos manifestos de covid entre seus
hóspedes ou usuários. E falo de hotéis, resorts, transportadoras terrestres,
companhias aéreas e aeroportos. Será que estes segmentos estão mais protegidos
contra contágio de Sars, síndrome respiratória e/ou covid?
Os dois grandes grupos de companhias marítimas se uniram no início da pandemia
para estudar e avaliar com especialistas de diversos setores da indústria para
determinar de comum acordo com o CDC (o equivalente à Anvisa nos Estados
Unidos) as medidas que deveriam tomar para proporcionar aos seus hóspedes o
máximo de segurança sanitária a bordo dos navios e também quanto à operação de
passeios em terra nos portos de escala.
Ato contínuo, todas as empresas se adequaram aos protocolos exigidos
modificando seus sistemas de ar condicionado, implementando boas práticas no
atendimento dos hóspedes pela tripulação, mantendo distanciamento social,
limpeza de cabines e suítes além de áreas comuns com produtos hospitalares e
outras medidas; adequaram e treinaram suas tripulações; adequaram as
instalações médicas a bordo e reservaram algumas cabines preparadas
especialmente para eventuais casos de necessária quarentena.
Posso afirmar que embarcaria em qualquer navio no mundo de forma
tranquila, ciente que estou destas medidas extremas que talvez nenhum outro
operador ou hospedagem de Turismo tenha providenciado.
Temos que olhar o quadro geral do segmento de cruzeiros no mundo: neste mês
temos 242 navios operando em diversas áreas navegáveis de 68 diferentes
companhias de cruzeiro!
E o segmento de navios de cruzeiro está sempre em expansão: em 2022, 32 navios
novos serão lançados, total de 68.025 camas, um investimento global de US$ 17,8
bilhões. Fora os navios encomendados a estaleiros.
O CDC, que até dia 15 de janeiro havia emitido uma nota recomendando não fazer
um cruzeiro, já não renova esta instrução, liberando os navios que operam em
portos norte-americanos para sua capacidade máxima e pedindo que as companhias
voluntariamente atuem atendendo às recomendações desta agência e comuniquem
anormalidades para avaliação de medidas adicionais.
As demais agências sanitárias da Europa e Ásia estão perfeitamente alinhadas e
cientes das medidas implementadas pelas companhias marítimas, permitindo a
atracação de navios com raras exceções em função da situação local e recente de
contágio da população.
Os protocolos adotados e que continuam em operação são: testagem contínua da
tripulação e hóspedes, totens de álcool gel em todas as áreas públicas,
restrição para serviço de bufês com autosserviço, distanciamento entre hóspedes
recomendado em teatros e outros ambientes de entretenimento a bordo e uso de
máscaras por tripulação e hóspedes.
