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Arthur Carvalho e Danusa Leão

Vale a pena transcrever esta bela crônica de Arthur Carvalho, da Academia Pernambucana de Letras, no Jornal do Commercio, sobre Danusa Leão

“Nascida há 88 anos, em Itaguaçu, Espírito Santo, Danuza Leão viveu no Rio de Janeiro e no mundo. Seu pai foi com a família morar num apartamento em Copacabana, que se tornaria famoso por abrigar a fina-flor dos fundadores da bossa nova, entre eles João Gilberto, Tom Jobim e Vinícius de Morais, inclusive sua irmã Nara Leão.
Ainda jovem, foi modelo em Paris, e casou-se com Samuel Wainer, dono do jornal Última Hora, ligado a Getúlio Vargas. Apaixonou-se pelo cronista e compositor Antônio Maria, com quem teve um romance intenso e tumultuado. Quando soube da morte de Maria, já estavam separados, e ela passou duas semanas bebendo desbragadamente. E voltou a viver com Samuel Wainer.

Charmosa, inteligente e talentosa, gozando de grande prestígio na sociedade carioca, tornou-se cronista nos principais periódicos do Rio e de São Paulo, com muito sucesso. Sem partidarismo político, foi uma mulher de ideias e comportamento pessoal à frente de seu tempo, pregando a independência feminina sem sectarismo. Assumia que desejava para seus filhos bons casamentos, o que repercutia como opinião burguesa, e que a mulher que não ouve um “fiu-fiu” ao passar por uma obra é uma mulher frustrada. Isso, dito por uma dama da alta sociedade!
Seu grande amor foi Antônio Maria, mas parece que o doentio ciúme dele desgastou o relacionamento, tendo ele morrido de infarto pouco depois da separação, numa mesa de bar. Houve também um sentimento misterioso entre ela e Rubem Braga, uma espécie de mútua atração sentimental recolhida, de contido respeito, que nunca progrediu, que deve ter incomodado muito os dois cronistas, que, antes amigos, morreram brigados.
Uma tarde, muito tempo depois da morte de Maria, eu estava no jardim da Fundação Joaquim Nabuco, quando avistei Danuza Leão, que fazia uma cobertura jornalística para o Jornal do Brasil.

E logo me impressionou seu biotipo e sua discrição no comportamento e no trajar. Com leve maquiagem, vestia calças compridas jeans, blusa branca e uma espécie de alpercata de couro cru. Segurava um pequeno caderno de notas e uma caneta esferográfica. Eu nunca tinha visto Danuza pessoalmente antes. Criei coragem e me aproximei dela. Dei boa tarde, respondeu com leve e simpático sorriso, e achei prudente tentar a nossa conversa falando de Antônio Maria. Quando disse que o conheci em 1945, locutor da PRA-4 – Rádio Sociedade da Bahia, irradiando futebol no estádio da Graça, vi que seus olhos se fixaram em mim com grande interesse e curiosidade. Que mulher finamente educada.”

Author: João Alberto

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