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O dia em que a Rainha Elizabeth II esteve no Recife

A Rainha Elizabeth II com o governador Nilo Coelho

O mundo perdeu ontem uma das suas personagens mais queridas, a rainha Elizabeth II, que morreu aos 96 anos, causando uma consternação em todo o planeta. Era uma figura que todo mundo adorava, mesmo sem conhecê-la, reinou por 75 anos, sempre mantendo uma forma de agir irretocável, mesmo em momentos de crise, no país, na família.

                Tive o prazer de cumprimentâ-la, ao lado dos 180 pernambucanos convidados para a recepção em homenagem a ela, no Palácio do Campo das Princesas. Eu tinha assumido o comando da coluna social do Diario de Pernambuco, quando recebi, confesso emocionado, o convite. Um dos primeiros “furos” que dei na coluna foi sobre a confirmação da visita dela, visita dela, que me foi passada por Zózimo Barrozo do Amaral, cronista do Jornal do Brasil, com quem eu tinha estagiado e costumava falar pelo telefone.

                A rainha, com o marido, príncipe Philip, Duque de Edimburgo, chegou ao Aeroporto do Recife exatamente na hora prevista, 16h15 do dia 1º de novembro de 1968, a bordo de um avião VC-10 da Royal Air Force, que tinha na fuselagem as bandeiras da Inglaterra e Brasil. A rainha usava um vestido verde e amarelo, homenagem ao nosso país, sendo recebido pelo governador Nilo Coelho, com a primeira dama, Maria Tereza e as filhas.

                Ele embarcaram no Lincoln Continntal do governo do estado (o mesmo usado nos desfiles de 7 de setembro no Recife) e cumpriram um roteiro passando pela Avenida Boa Viagem, onde uma multidão calculada em 200 mil pessoas, aplaudiu a passagem. Outra ovação foi na passagem pela Rua da Concórdia. O cortejo fez uma parada em frente à antiga sede do Diario de Pernambuco, na Praça da Independência. Foi uma homenagem ao seu dono, Assis Chateubriand, que tinha sido embaixador do Brasil em Londres e se tornara amigo da rainha.

                A decoração do palácio para a recepção era inspirado em temas nordestinos. Alegando que tinha lanchado no avião, a rainha não comeu nada, tomou apenas um suco de Pitanga. O príncipe Philip, pediu um copo de uísque. De repente quando o casal começou a cumprimentar os convidados, no salão nobre, faltou luz, apagão que durou 25 minutos. Para o evento ter continuidade, Paulo Fernando Craveiro, que era o secretário da Casa Civil, providenciou candelabros que permitiram a continuação dos cumprimentos

                A luz de velas, a rainha visitou uma exposição de quatros de Lula Cardoso Ayres, num dos espaços do palácio. Ficou encantada especialmente com o quadro “Sombra Verde”, que o governador lhe deu de presente. O casal real até riu do imprevisto. Entre os convidados, Gilberto Freyre, Francisco Brennand e Dom Helder Câmara, convidado a pedido da rainha. Dispensável dizer que o mundo feminino deu um show de elegância, Marcílio Campos, o estilista mais famoso da cidade, me disse que fez vários vestidos para convidadas do evento. Fui testemunha de um fato curioso. Quando o buffet foi liberado, um dos convidados furou com o garfo, a mão de outra pessoa que tentava pegar um sanduiche.

                Eram 18h30, quando o casal real deixou o Palácio do Campo das Princesas,ao som do frevo Último Dia”, de Levino Ferreira, executado pela banda da Polícia Militar de Pernambuco. a bordo do Lincoln do governo, em direção ao Porto do Recife, onde embarcou no “Britannia”, iate real e seguiu para Salvador, segunda etpa da visita ao Brasil. Paulo Fernando Craveiro, ao se despedir, ganhou um par de abotoadoras, com o símbolo real

                A visita estava mesmo prevista para durar apenas algumas horas, mas havia um luxuoso palacete em Boa Viagem, com cozinheiras e empregados, caso a Rainha decidisse ficar mais tempo na nossa cidade. E para marcar a visita, foi realizada exposição com 12 réplicas de jóias, incluindo uma coroa de ouro, com 440 diamentes, pérolas e rubis. Foi aberta pela primeira-dama Maria Tereza Brennand Coelho na sede da Empetur, que ficava na Avenida Conde da Boa Vista. Ficou aberta por três dias, recendo mais de 20 mil visitantes, com filas imensas na porta.

                A rainha Elizabeth II voltou ao Recife no dia 18 de novembro, apenas para um pouso técnico, pois o avião não podia fazer o sorteiro de Santiago do Chile a Londres em escala. Foram duas horas para a restabelicimento, quando o casal tomou água de coco na sala vip do Aeroporto. Na conversa, ela disse que foi no Recife que ela teve o público mais carinhoso da viagem pelo Brasil e Chile.

Author: João Alberto

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