A força da Mulher Rei

Está em cartaz nos cinemas do Recife o filme A Mulher Rei, que têm mulheres pretas como maioria no elenco. A protagonista do longa, Viola Davis, veio ao Brasil, para promover a produção. Em entrevista em solo tupiniquim, ela falou sobre a importância de uma história como essa ser contada. “Pode criar o mundo que todos queremos ver”, defendeu. Para a cientista política Nailah Neves, a indústria cinematográfica está, com A Mulher Rei, dando exemplo para outras esferas, como as salas de aulas. De acordo com a especialista, é mais que urgente colocar heróis afrodescendentes no foco. “Por muitos anos, a branquitude só produziu histórias para eles, até porque narrativas em que eles são o padrão de beleza, moral e inteligência fazia parte do controle sobre os demais”, pontua.
A Mulher Rei conta a história de uma tribo de mulheres guerreiras (o exército Agojie) lideradas por Nanisca, personagem de Viola. Elas são a força militar do reino de Daomé. A trama se passa em 1800, na África, no atual Benin, no período em que o tráfico humano ainda ocorria no continente.
De acordo com Nailah, o fato das pessoas pretas terem mais informações e alcançarem um poder aquisitivo maior pode fazer com que elas requisitem seu direito de também ter suas vidas relatadas em vários formatos. “Nós temos inúmeras histórias em quadrinhos, desenhos animados e filmes de heroínas brancas ficcionais, mas só em 2022 conseguimos um filme inspirado em guerreiras africanas que realmente existiram”, aponta. A expectativa de Viola Davis é que A Mulher Rei e as Agojie sejam capazes de fazer tantas mulheres negras verem seu valor. A atriz e produtora norte-americana sonha em ver a produção se tornar um blockbuster.(Com informações de Danielle Souza (Metropole)
