Maria Bethânia em estado de poesia
Maria Bethânia: firme, intensa, feliz. Adjetivos descrevem, mas não restringem a performance da artista baiana no palco do Teatro Guararapes na noite de sexta-feira. Facilmente, justificou os ingressos esgotados e o por quê de a plateia ficar extasiada diante da Abelha Rainha. No espetáculo Carta de amor, o público é capaz de oscilar entre sorrisos e choros com os versos entoados por ela. Um show lindo, com cenário preciso e uma protagonista incrível.
O espetáculo começou às 22h20. Dividido em dois atos, o show apresentou arranjos novos e uma banda formada por Gabriel Improta (violão e guitarra), Jorge Helder (baixo), Marcelo Costa (percussão), Pantico Rocha (bateria), Paulo Dafilin (violão e viola) e Marcio Mallard (cello) e maestro Wagner Tiso. No repertório, Calúnia, Negue e Sangrando emocionaram. Em Reconvexo, a intérprete e plateia estavam em perfeita sintonia, sobretudo no verso Quem não rezou a novena de Dona Canô? – uma referência à mãe, falecida em dezembro do ano passado. Foi aplaudida de pé.
Em Festa, de Gonzaguinha, ela homenageou o Recife. Na sequência, as batidas de maracatu repaginaram Dora, de Dorival Caymmi. Também no set list, A casa é sua, de Arnaldo Antunes e do pernambucano Ortinho. No bis, voltou ainda mais simpática, cumprimentou o público e dedicou parte dos aplausos ao amigo percussionista Naná Vasconcelos, presente na plateia.
O governador Eduardo Campos e a primeira-dama Renata também assistiram ao espetáculo, assim como prefeito do Recife, Geraldo Julio, acompanhado da mãe e da primeira-dama, Cristina. Ainda na plateia, Lilia, Juliana e Zezinho Santos, Danilo Cabral, Sileno Guedes, Felipe Carreras e o fã da cantora Miguel Henriques, que, só esse show, já havia assistido cinco vezes. Uma noite de romantismo, poesia e sambas de roda. Maria Bethânia em estado de poesia. E a plateia em estado de graça.



