A noite tradicional e arrojada do Municipal
Seria possível, em meio à essa correria moderna, despertar a boa e velha criatividade carnavalesca em centenas de pessoas numa noite de sábado em uma grande metrópole? Foi provado neste sábado que sim, tudo é possível se os pernambucanos amam mesmo o carnaval e não abrem mão de aproveitá-lo ao máximo, ainda que o costume dos antigos bailes se desgaste. E deve-se à essa paixão o grande desfile que se via hoje nas vias próximas ao Chevrolet Hall: mascarados, coloridos, fantasiados, despojados, irreverentes… um a um os foliões saltavam dos carros para embarcar na grande noite do 48º Baile Municipal do Recife.
Recebidos logo de cara por figuras gigantescas retiradas da obra do pintor José Cláudio, todos estavam dispostos a embarcar no próprio universo imaginário e compartilhá-lo com quem estivesse ao redor. O concurso de fantasias abriu a noite, mantendo a exuberância tradicional da disputa, nas categorias luxo e originalidade. Destaque para o júri, no qual Renata Campos, Marília Bezerra, Margot Monteiro, Carla Bensoussan, Luciana Félix e outras beldades exibiam fantasias pra lá de sofisticadas enquanto elegiam os vencedores.
Após anunciados os resultados por Irandhir Santos e Hermila Guedes, a passarela e a bancada de avaliação foram sendo desmontadas e devolveram o foco do salão ao palco, emoldurado pela figura de um enorme dragão. Este ano, João da Costa não chegou a se pronunciar antes dos shows e quem abriu a sequência de performances foi o Maestro Forró, acompanhado da Orquestra Popular da Bomba do Hemetério.
Tanto a pista quanto os camarotes se tornavam mais disputados conforme o relógio se adiantava, e foi por volta da meia-noite que o Chevrolet Hall realmente ferveu, chegando a formar aglomerações nas vias de entrada. Foi pouco antes disso, por volta das 23h15, que o governador Eduardo Campos chegou ao evento atraindo de imediato as atenções e os flashs. Sua camisa trazia de estampa um quadro de José Cláudio, em combinação com o vestido da primeira dama, Renata, que trazia o mesmo pássaro, pincelado pelas mãos do pintor.
Pelos corredores o mundo artístico, empresarial e político se misturava entre máscaras e fantasias, numa troca de cumprimentos que movimentava as portas da grande maioria dos camarotes num entra-e-sai acompanhado de perto pelos mais atentos. Mendonça Filho, que chegou acompanhado de sua esposa Taciana, foi registrado com destaque, já que há algum tempo não comparecia ao Baile Municipal. Assim como ele, Daniel Coelho também circulava pelo evento, sendo outra presença bastante notada durante a noite. O petista Humberto Costa entrou em cena nas escadarias logo após o governador e recebeu muitos cumprimentos enquanto caminhava pela área dos camarotes. Entre as mulheres, destaque para os figurinos, como o de Yanê Valença – produzido a partir de jornal – e o de Luciana Félix – assinado por Carol Azevedo e Carol Monteiro.
Lá embaixo, no palco, Maestro Forró passou o comando da festa a Alceu Valença quando passava um pouco da meia-noite. E eis que o homenageado foi recebido com fumaça de gelo seco que partia da boca do grande dragão em torno do palco e se mostrou ao público fantasiado de toureiro. Cabelos presos, colete de paetês, bandeira vermelha… e Alceu estremeceu o público ao abrir seu repertório com Bicho Maluco Beleza. A partir daí, o homenageado deste carnaval justificou as honras em seu nome e se fez em cima do palco, com a ajuda de passistas e a evocação do eterno Chacrinha enquanto gritava ao público: “Terezinha?!” Coro absoluto nos sucessos Anunciação, Diabo Loiro e Me Segura Que Senão Eu Caio.
Nas ruas, alguns foliões já embarcavam de volta para casa, mas uma grande maioria ainda chegava à casa de shows, anunciando que o baile estava apenas começando. Após o homenageado Alceu, subiram ao palco Lenine e Elba Ramalho – esta com direito a participação especial de Samuel Rosa – seguida de mais folia e animação para fazer render a alegria carnavalesca dos recifenses até as primeiras horas da manhã de domingo.










