Giro Blog

Noite de sábado estrelada pelo show de Céu

Por Lenne Ferreira – Especial para o Blog João Alberto

No mês em que a morte do ícone do reggae jamaicano e da música mundial, Bob Marley, completou 33 anos, Recife deu mais uma mostra de admiração pelo trabalho do regueiro. Embalados pela voz da cantora paulista Céu, canções do álbum “Catch a Fire”, com mais de quatro décadas de lançado, ecoaram no Baile Perfumado, Zona Oeste do Recife, onde aconteceu uma das festas mais esperadas do ano até agora. Um show memorável que demonstrou, principalmente, a pungência da obra produzida por Marley.

Crédito: Ranna Santiago/Divulgação

Crédito: Ranna Santiago/Divulgação

A turnê nacional da cantora, inspirada no álbum Cath a Fire, surgiu depois do projeto 73 Rotações, realizado ano passado em São Paulo. O show, como o programado, não apresentou músicas autorais de Céu, que seguiu exatamente a mesma ordem do repertório original, gravado por Bob Marley e The Waillers, em 1973. O registro foi incluído pela revista “Rolling Stones” na sua lista dos 500 álbuns mais importantes da música pop de todos os tempos. Nas músicas orquestradas por um time de músicos competentes a exemplo do tecladista Curumim e do guitarrista Rafael Castro, Céu mostrou toda sua habilidade e controle vocal. As primeiras “pedradas” foram as canções “Concret Jungle”, “Slave Driver” e “400 Years”, que fez o público cantar e vibrar a cada nota musical.

Crédito: Ranna Santiago/Divulgação

Crédito: Ranna Santiago/Divulgação

A iluminação do palco durante todo o show ajudou a criar uma atmosfera sinestésica, que encontrou amparo nos efeitos sonoros criados pelo DJ Marcos. Durante a perfomance, Céu, que se reserva a poucas falas, quebrou o distanciamento para expressar a emoção de interpretar um disco tão clássico e significativo dentro da produção de Marley. “Para mim, é um disco atemporal e de resistência, que vale a pena ser refletido”, disse. A cantora também aproveitou as temáticas propostas nas letras de Bob para parabenizar o presidente do Uruguai, José Mujica, que no início do mês assinou um decreto regulamentando a lei da maconha no país. A declaração recebeu o apoio do público.

Antes de Céu, subiram ao palco, as bandas pernambucanas Jorge Cabeleira e O Dia em que Seremos Todos Inúteis e Eddie, além da banda King Size. O show de Jorge,responsável por aquecer o público para Céu, começou com uma hora de atraso e contou com a participação de Zé da Flauta e do sanfoneiro Daniel Bento. Os olindenses da Eddie, ao lado de Erasto Vasconcelos, pegaram a plateia extasiada pelo show da paulista e não deixaram o clima do show cair cantando clássicos como “Veraneio”, “Pode me chamar que eu vou” e “Lealdade”. Mas a noite tinha dona e Céu mostrou isso assim que adentrou o palco com o mesmo figurino de cores vibrantes usado na gravação de 73 Rotações, no Sesc Santana (SP), ano passado.

Crédito: Ranna Santiago/Divulgação

Crédito: Ranna Santiago/Divulgação

Durante o roteiro da apresentação, um dos capítulos marcantes foram embalados na execução de canções como “Kinky Reggae” e “No more trouble”. Passava das 3h, quando a cantora se despediu da plateia sob aplausos calorosos. Céu também reverenciou o público e agradeceu a presença, enfatizando a a alegria de voltar ao Recife e a responsabilidade de cantar músicas consagradas do rei do reggae. Saiu do palco, mas retornou para soltar outra pedrada, dessa vez do álbum “Burnin” (1973), além de “Cordão da Insônia”, única autoral do repertório.

Author: Thayse Boldrini

Compartilhe este post