Balanço do primeiro dia de desfiles do SPFW
O primeiro dia do São Paulo Fashion Week foi marcado por peças soltas, amarrações e muita assimetria. A Animale foi a responsável por dar o start à principal Semana de Moda da América Latina. O inverno da grife, que tem como matéria-prima a seda, dividiu espaço com lãs, veludos e telas, fazendo um contraponto entre os comprimentos curtos e as peças longas fluídas. Brincos e colares de chapas de prata e cristais chamavam atenção na composição dos looks.
A Animale também mostrou peças com estamparia geométrica e outras feitas em tela com bordados redondos. A estreia de Vitorino Campos à frente da grife, inclusive, foi em grande estilo. O estilista tomou como ponto de partida para todas as criações a Rota da Seda, que precorre as mais exóticas travessias, passando por vários países da Ásia Central até chegar à China.
Enquanto a geometria foi bastante explorada nas estampas da Animale, a Uma, Raquel Davidowicz, mostrou camisas com desenhos bordados, assinados pelo artista Geová Rodriguez, saia assimétrica e um detalhe que imitava uma peça amarrada na cintura. Em contraponto à Animale, que mostrou tons de marfins, azul e índigo, a Uma apostou no preto, branco e cinza, deixando apenas para o final do desfile um laranja vivo, combinado com preto em peças despojadas, com assimetrias e transpasses.
Victor Dzenk, que antes desfilava no Fashion Rio, apresentou um desfile menos dependente de seus famosos prints e estamparias. O plissado, as franjas de seda e a cintura bem marcada ressaltou ainda mais a mulher moderna e sofisticada. Toda a coleção foi baseada no clima equestre, por isso, a cartela de cores tão diversificada em tons de marrom e combinações com o laranja. Tanto vestidos, quanto casacos, ganharam franjas longas, transformando as modelos em verdadeiras “vaqueiras peruas”.
A vez dos bordados e comprimentos mini ficou sob a batuta da estilista Patricia Bonaldi estreando sua linha mais fashion, a Pat BO, na passarela do São Paulo Fashion Week. O vermelho, ganha destaque entre o azul e branco para o próximo inverno da mineira. Além dos seus tradicionais bordados e pedrarias, Patricia também apresentou estampas em peças de comprimento midi e moletons cropped.
Já o encerramento do primeiro dia da maratona de desfiles foi em grande estilo com a Cavalera na passarela. A cenografia nada mais era que um grande livro de contos, que foi aberto por duas crianças. E com todo o cenário montado inspirado num conto infantil e muito sombrio dos irmãos Grimm, surge Bruno Gagliasso (representando o personagem João) para contar a história com um final feliz.
O desfile foi dividido em dois blocos: o primeiro com cores acesas e estampas lúdicas e segundo com muito preto e vinho mesclado com tons de azul e mostrada. Os looks mostravam opções de peças em jeans “destroyed” com xadrezes, tweeds, além de casacos com fios plastificados soltos. Uma curiosidade é que muitos tecidos usados nesta coleção foiram garimpados em viagens de Alberto Hiar pelo mundo e trazidos com exclusividade ao Brasil.









