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Conheça lugares com comidas exóticas no Recife e Região Metropolitana

Conheça lugares com comidas exóticas no Recife e Região Metropolitana

Muita gente que vê os ouriços não imagina que eles são comestíveis – Crédito: Divulgação/Riso

Através da gastronomia, podemos conhecer várias culturas e viajar pelo mundo com apenas uma garfada. Cada cidade, região ou país tem seus temperos e sabores marcantes e tradicionais. A cultura influencia em cada detalhe, seja na forma de comer ou nos ingredientes escolhidos. Por isso, muitas das coisas que são comuns em algum lugar, podem ser considerados exóticos ou até mesmo “estranhos” em outros.

No Recife, é possível conhecer novidades de vários países e até mesmo da própria região Nordeste, mas que não é conhecida na capital. O chef Leandro Ricardo tem familiaridade com ingredientes diferentes. O cozinheiro já fez preparações com várias iguarias e carnes exóticas, como capivara e até tartaruga. “Tenho 25 anos de experiência na cozinha e muitas pessoas vinham até mim quando não sabiam preparar algumas carnes de caça, por exemplo”, contou.

Chef Leandro Ricardo é conhecido por saber preparar várias carnes exóticas em um menu diferenciado – Crédito: Divulgação

Ele também prepara receita com tanajura, comida bem comum das gerações passadas. “Eu transportei ela para um universo mais sofisticado. Fiz assada e a farofa eu formei como se fosse um formigueiro”, explica ele. O quilo da tanajura, em Caruaru, é vendida por R$ 200, transformando as formigas em iguaria. Muitas pessoas, segundo Leandro, comem o prato para relembrar o passado, a infância. O chef faz as receitas em momentos especiais.

Já o chef André Saburó também investe nas novidades, uma delas é o Sarapatel de Atum, preparado com as partes do peixe que eram descartadas – músculos, cabeça e coração. “Está super em alta essa questão de cozinhar e descobrir novos ingredientes. Mas, ao mesmo tempo, há um certo preconceito com o novo, existem pessoas que não provam”, revela Saburó. 

O estudante de engenharia civil Victor Augusto de Lima, de 24 anos, é uma dessas pessoas que não tem preconceito com comida. Em viagens pelo interior do estado e desbravando o Recife, ele já comeu rã, javali, fígado batido e coração de bode. “Eu tenho curiosidade com tudo. Curto provar coisas diferentes e gosto mais de comida regional. Qualquer coisa eu pergunto como é, se é bom e experimento”, explica.

O chef Leandro Ricardo já criou um prato com as tanajuras – Crédito: Acervo pessoal

Para quem também tem a disposição e vontade de descobrir sabores, não faltam opções pela Região Metropolitana do Recife: rã, ouriço, ovo centenário, carnes de caça… Sobre a maioria deles, a opinião é quase sempre a mesma: quem gosta, ama. Já quem não gosta, não gosta mesmo. Mas, sempre vale a pena experimentar e descobrir algo novo. Confira a lista de alguns dos pratos mais diferentes encontrados por aqui:

O ovo é importado de Taiwan  – Crédito: Divulgação/ComAqui Su Na

Ovo Centenário – Feito com um ovo de pato que passa 49 dias enterrado, envolto em uma camada de cal, sal, cinzas e argila, o Ovo Centenário é uma iguaria no Oriente. No Recife, é possível provar no ComAqui Su Na, restaurante taiwanês localizado no bairro do Espinheiro. O ovo é importado de Taiwan e temperado com pasta de shoyu, cebolinha e um peixe seco. O prato é bastante pedido no restaurante, na maioria das vezes por curiosidade. “A gema tem o gosto mais forte e a clara fica com um aspecto de gelatina, bem durinha. E não tem tanto sabor”, explica Anny Chien, filha do chef Mário Chien. Segundo ela, quem gosta, pede sempre.

O restaurante Riso é o único no Recife que serve ouriços frescos – Crédito: Divulgação/Riso

Ouriço – Quem vê os ouriços no mar muitas vezes não consegue imaginar que eles são comestíveis. Com sabor mais suave que as ostras e mais intenso que os mexilhões, os animais provocam uma “sensação de mar”. O restaurante italiano Riso é o único na cidade que oferece a iguaria no menu. O local tem um aquário de onde os ouriços são retirados na hora para serem servidos aos clientes. “Temos clientes que visitam o restaurante especialmente para satisfazer o desejo de comer ouriços”, conta Rodrigo Mendonça, proprietário do espaço. Eles são servidos em duas versões: In Natura ou em forma de Ceviche. Quem quiser provar, é bom ligar para o estabelecimento antes porque a oferta depende do fornecedor.

Sarapatel de Atum – O atum já é bem conhecido entre os brasileiros, mas o chef André Saburó resolveu usá-lo de uma forma bem inusitada. Utilizando as partes do peixe que são descartadas, como músculos, medula, pescoço e coração, o chef criou o Sarapatel de Atum. “O atum tem muito músculo, linha de sangue, nervos… É como se ele fosse o boi do mar. E quando você trata o peixe, muita coisa se joga fora. Tentamos aproveitar o máximo dele”, explica. O prato é cozido à base do peixe, com ingredientes frescos e é preparado a cada três dias no Quina do Futuro. O “sarapatum” é servido como cortesia para os clientes. Apesar disso, alguns já pedem por encomenda ou vão para o restaurante especialmente quando está sendo servido.

A enguia aparece no sushi degustação do Quina do Futuro – Crédito: Reprodução/TripAdvisor/Imagem ilustrativa

EnguiaAinda falando da culinária oriental, é possível provar no Recife o Unagui, as famosas enguias de água doce. O peixe é servido como sushi, no restaurante Quina do Futuro, de André Saburó, nos Aflitos. Elas são grelhadas e saem no prato de sushi degustação da casa. De acordo com o chef, é bem apreciada.

O siri mole é nada mais que um siri quando está trocando a carapaça – Crédito: Reprodução/Foursquare

Siri Mole – O siri mole é, nada mais, que o siri quando está trocando de carapaça. O corpo fica coberto com uma película frágil. Depois de fritos, eles são servidos inteiros e ficam com as patas crocantes. O Bar do Samuray, em Brasília Teimosa, é um dos mais famosos da cidade que oferecem o prato. O sabor é amanteigado e tem um toque de alho. É um sucesso e está na lista dos mais vendidos no local.

– Um clássico da culinária francesa, as rãs ainda são vistas com certo preconceito na capital pernambucana. O chef Armando Pugliesi, do Hot Cozinha Casual, oferece o prato à provençal: coxas de rã empanadas e fritas, servidas com molho de vinho branco, cebola, tomate e creme de leite. O chef conta que os clientes que pedem são aqueles que já conhecem a iguaria após experiências no exterior. “Eu acho que as pessoas têm preconceito mesmo, não têm coragem. Mas as rãs vêm de um fornecedor do Rio de Janeiro, de uma fazenda específica. São super bem processadas.”, explica Pugliesi. As rãs são servidas como uma opção de entrada.

O javali tem baixo teor de gorduras e colesterol – Crédito: Reprodução/Ponteio Recife

Javali – O Javali é uma carne exótica das mais consumidas, mas ainda pouco conhecida pelo grande público. Tem uma carne com sabor acentuado e marcante. É um pouco parecida com a carne de porco, mas com baixo teor de gorduras e colesterol. No Recife, é possível encontrá-la no restaurante Ponteio, em Boa Viagem, nas versões costela e lombo. O javali está sempre presente no rodízio da casa.

Perdiz – A Perdiz é uma das carnes de caça mais apreciadas pelos caçadores e uma das mais raras de se encontrar. A carne tem um sabor bem suave, mais que o faisão, por exemplo. Em Porto de Galinhas, o restaurante Domingos serve a ave recheada com gorgonzola e queijo gruyère, molho de queijo gorgonzola e acompanhado de batata gratinada e arroz de castanha.

O Coelho é uma carne que exige conhecimento para a preparação – Crédito: Divulgação/Saulo Dal Bo

Coelho – O coelho é uma carne que exige conhecimento para a preparação. Cada parte do animal é preparada de maneira especial e é preciso marinar antes, não cozinhar por muito tempo ou comprar animais com pouca idade. Também no Domingos, em Porto de Galinhas, é possível encontrar a carne recheada com os próprios miúdos, ervas finas e gorgonzola, acompanhados de espaguete negro – feito com tinta de lula, um ingrediente também raro.

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