Embaixador fala sobre primavera árabe
O embaixador Isnard Penha Brasil apresentou a palestra O Mundo Árabe e suas relações com o Ocidente que se pergunta: Existe uma Primavera Árabe?, na noite desta quinta-feira, no Museu do Estado de Pernambuco. A convite da Sociedade dos Amigos do Museu, o chefe do Escritório de Representação do Ministério das Relações Exteriores na Região Nordeste discorreu sobre a atual situação dos países árabes, a partir da sua pesquisa e experiência vivida por mais de 10 anos na região.

Ana Maria Penha Brasil, Isnard Penha Brasil, Margot Monteiro e Margarida Cantarelli - Foto: Fernanda Guerra/DP/D.A Press
A palestra contou com a presença da diretora do Museu do Estado de Pernambuco, Margot Monteiro, da desembargadora e a presidente do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano, Margarida Cantarelli, e da embaixatriz Ana Maria Penha Brasil. Na apresentação, Isnard levantou o questionamento sobre a primavera árabe e a influência que terá no resto do mundo. Ele traçou um panorama dos últimos acontecimentos, como a derrubada dos ditadores da Tunísia, Egito e Líbia. Para Isnard, um sistema não é defendido pelo nome que se dá a si próprio. As relações de poder são o que realmente importam.
Ainda segundo o palestrante, eleição livre não é o remédio para problemas de um país e democracia, nem sempre, é uma vantagem. “Nem todos os regimes ditatoriais do mundo árabe são dispensáveis. Toda essa análise é uma autolegitimação dessas monarquias autoritárias. Tem alguém para colocar no lugar?”, questiona o embaixador. Como exemplo, cita a atual situação do Iraque, após a morte do ditador Saddam Hussein. Isnard argumenta que aquele país possuía um ministro de Relações Exteriores cristão e uma população formada por xiitas e sunitas e compara com a fase atual. “Na realidade, não sabemos qual é a melhor saída para o que está acontecendo. A primavera árabe pode não dar em nada. Ditaduras podem ser substituídas por outras”, pontuou.


