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Francisco Cunha e a Terceira Onda

Francisco Cunha/Divulgação

Todos os indicadores parecem apontar para o fato de que a ter-

ceira onda da epidemia do novo coronavírus chegou pra valer

e que pode ser pior do que as outras duas, sobretudo por cau-

sa da maior sincronicidade do fenômeno pelo País inteiro.

A imagem que faço é a da enchente de um rio, no caso dos re-

cifenses, de uma “cheia” do Capibaribe. Os de mais idade, com cer-

teza, compreenderão melhor o que estou querendo dizer. Quan-

do a água começa a subir, diante do inevitável, nos prepararamos

para o pior fazendo coisas que não faríamos normalmente como,

por exemplo, colocar a geladeira em cima do balcão da cozinha,

a televisão em cima do guarda-roupa etc. Até subir no telhando,

em muitos casos, é a alternativa que nos resta para evitar o afoga-

mento. Quando a enchente começou, a água chegou a um metro

dentro de casa, depois baixa um pouco, começa a dar a impressão

de que vai embora e, de repente, sobe de novo e vai a dois metros

de altura. Aí, inicia outra baixa, até que interrompe a queda e reco-

meça a subir pela terceira vez, mais rapidamente ainda.

Pois é, com licença da metáfora meio capenga, com quase toda

certeza estamos no início da terceira subida da água contamina-

díssima e não sabemos quando nem onde ela vai parar. Por isso,

não podemos nem pensar em descer do telhado. Ou seja, não

podemos recuar um milímetro nos cuidados, muito pelo contrá-

rio! Temos que reforçar (e muito!) a prevenção porque o que foi

suficiente na segunda já não é mais na terceira onda: (1) máscaras

em todas as situações coletivas (mais de uma pessoa no ambien-

te), sempre que possível PFF2 e N95; (2) distância de, no mínimo,

2 metros quando falar com alguém; (3) higienização contínua

das mãos com água e sabão ou álcool 70 graus (gel ou líquido); e

(4) ventilação natural dos ambientes. Além disso, claro, fugir das

aglomerações como o diabo foge da cruz!

Até que a cobertura vacinal tenha sido atingida (em pelo menos

70% da população), ou seja, a barragem tenha sido concluída rio

acima, nem mesmo a vacina individual (a boia que cada um pode

receber) vai evitar que nos molhemos e, por azar, adoeçamos gra-

vemente pelo contato com a água altamente contaminada. Por-

tanto, não podemos descer do telhado nem facilitar porque, se por

azar precisarmos, nem vaga no hospital vai ter agora!

Medicina

Author: João Alberto

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