SECULT-PE realiza live sobre o protagonismo feminino

Diálogos em Rede é um programa exibido no canal da Secretaria de Cultura de Pernambuco, na plataforma de streaming YouTube. O próximo tema, que será abordado na terça-feira, 6 de julho, é o protagonismo feminino dentro do audiovisual. O debate será mediado por Luciana Poncioni, coordenadora do audiovisual da Secult-PE, e conta com as convidadas Mannu Costa, realizadora pernambucana, e a também cineasta pernambucana Bárbara Cunha, que estará no 74º Festival de Cannes com seu documentário ‘Deus é mulher’.
“A equidade de gênero não devia ser requerida, já deveria existir, pois somos todos seres humanos, em busca de realizações pessoais e contribuímos para a sociedade. No audiovisual, especificamente, durante muitos anos, vivemos uma desigualdade patente entre homens e mulheres. Historicamente, os homens dominaram as câmeras e, portanto, as posições de direção e roteiro, cabendo às mulheres as atividades relacionadas e auxiliares”, diz Mannu.
“Essa situação foi percebida por diversas gerações, que foram desbravando os contextos de impedimento (real e simbólico) em que as profissionais do audiovisual viviam e a falta de oportunidade para levarem à frente suas próprias narrativas e pontos de vista, o que se estende às situações de assédio moral e sexual, frequente nos sets e produções. As mulheres foram se unindo e criando, aliás, exigindo medidas de reparação, denúncia e oportunidades”, analisa a realizadora.
Bárbara Cunha, que está em Cannes para divulgar ‘Deus é mulher’ dentro do Docs in progress, concorda. “Eu sou uma pessoa muito atenta à desigualdade de gênero e raça dentro do audiovisual. Acho fundamental que a gente tenha mulheres na frente e atrás das câmeras, com personagens que sejam complexos e relevantes, e que não tenham o homem como o centro da narrativa”. O filme, em processo de finalização, está em Cannes em busca de parceiros para financiamento e co-produção internacionais e conta a história de Alexya Salvador, a primeira mulher trans a ser nomeada reverenda na América Latina.

“Sabemos que, em média, 16% a 20% dos filmes brasileiros, hoje, são dirigidos por mulheres, então é um caminho que está começando a mudar, mas ainda tem muito chão pela frente. Então, quando um filme como ‘Deus é mulher’ é selecionado pela curadoria do Festival de Cannes, você vê que está no caminho certo, que você tem um filme relevante, com potencial internacional”, diz Bárbara.
